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21 agosto 2010

Por Cá Se Visiona... #1

no cinema...
  • TOY STORY 3- bem, este foi último que fui ver a uma sala de cinema. Confesso que sou fã não sou destes bonecos como também de tudo o que a Pixar produz. Cresci a ver os primeiros Toy Storys e não podia viver sem ir ver este (último?) filme da trilogia. Sabem, uma coisa boa desta vertente da Disney é que, apesar de o intuito inicial querer ser claramente atrair o público infantil, fica sempre patente uma componente que atrai a malta jovem e adultos, e resulta! O drama em que a Pixar investe, julgo eu, dificilmente é entendido pelos mais novos o que faz com que o público mais velho se sinta atraído pelas personagens, que são trabalhadas de forma bastante realista. Além disso, tudo funciona como um regresso à infância, onde nos lembramos de certos pormenores que realmente poderiam tonar este o filme da nossa vida. Andy, o dono de Woody, Buzz e companhia está de partida para a universidade e enfrenta assim a árdua tarefa de deixar para trás o seu passado. O conceito é interessante, mas obviamente perde algum fulgor pelo simples facto de, na América, se respeitar demasiado o esquema Nó-Peripécia-Desenlace, mas julgo que o filme transmite bem a mensagem e tem momentos excelentes. Uma trilogia a ver e rever.  NOTA: 9/10

30 agosto 2009

Sacanas Sem Lei

"You know somethin', Utivich? I think this might just be my masterpiece."
Estas palavras foram imortalizadas pelo Tenente Aldo Raine, mas a mim quer-me parecer que Quentin Tarantino talvez se reveja nesta linha.
Inglourious Basterds, como no original, é um filme difícil descrever. Enquanto somos levados numa trama intensa sobre uma guerra já mais que conhecida por nós, acompanhada por violência e humor nas horas certas, vislumbramos também cenários quentes e tensos à moda de um bom velho western spaghetti que é, aliás, uma descrição próxima daquela que QT faz do seu filme ("...spaghetti western, but with World War II iconography."). O resultado foi estonteante, ponto final, começando logo pelo brilhante primeiro capítulo que soube jogar com a expectativa em torno do filme. Parecia que nunca mais veríamos um fim ao mesmo de tão longo que ele era,  já que Christoph Waltz, na pele do soberbo, mas cínicio nazi Hans Landa, tomou conta da acção sem nunca ter sacado do revólver por ele próprio, usando apenas as suas fluídas palavras numas 3 línguas diferentes. Sensacional! Logo a partir destes minutos iniciais ficámos a saber que estava ali um grande actor, apesar da fama não jogar muito a seu favor. Ao que parece, as séries de televisão eram mais a sua onda e o cinema nunca foi a sua ocupação principal, mas tenho a impressão que a partir de agora convites não faltarão. A sério, o homem é mesmo bom actor.
Sacanas Sem Lei é pura ficção. Ao início não parece, apesar do ar cómico que é mostrado quando, na verdade, se pretende contar uma estória sobre nazis. Apesar do humor evidente, Tarantino consegue lançar elementos cómicos inesperados quando a trama se encontra em pontos intensos. É aí que reside a arte deste realizador. Já em Kill Bill se notavam técnicas deste género que faziam lembrar claramente filmes dos anos dourados (grande inspiração do QT), tal como bandas sonoras claramente influenciadas pelas longas-metragens de cowboys. Os Sacanas são um grupo de americanos judeus que têm tanto prazer em matar um nazi como um nazi tem em exterminar um judeu (podemos dizer que a maior inspiração deste grupo são os nazis, por mais irónico que seja), fazendo inclusivamente uma marca na testa daqueles que tiverem a sorte de sobreviver, à semelhança dos números que eram "gravados" nos braços dos judeus que iam parar aos campos de concentração. Brad Pitt a.k.a. Tenente Aldo Raine, é o seu líder e adora cortar os escalpes dos nazis, não fosse o seu nome de guerra "Aldo The Apache", uma referência ao que os índios faziam aos seus piores inimigos. Destruir o Terceiro Reich é o objectivo principal. À medida que se vão recrutando mais aliados judeus sedentos de sangue, a conspiração vai ganhando corpo. Entretanto, por mero acaso, uma outra conspiração é posta em marcha. Uma antiga vítima d' "O Caçador de Judeus" a.k.a. Hans Landa é a mente por detrás deste plano, que tem um desfecho tremendamente poético, uma das melhores cenas do filme em que, enquanto o seu cinema está em chamas (lembrando, aos mais atentos, o "Cinema Paraíso"), Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) projecta o seu riso bárbaro no fumo do fogo que trás a morte aos alemães que tentam desesperadamente fugir, sem sucesso algum! Fenomenal!
Não queria arriscar muito e dizer que este filme é uma obra-prima, mas que está muito perto disso é verdade. Um bom filme pretende ser uma mescla de emoções, humor, ódio, tragédia, felicidade, drama e outras coisas mais. E o sacana do filme tem isto tudo. Além de que finalmente vejo um filme de nazis em que não sei qual vai ser o fim, já que isto de nos basearmos em factos históricos tem o seu quê de inconveniente cinema. Cuidado que este já se candidatou aos Óscares...

10 maio 2009

Star Trek foi aquilo que não devia ter sido...

Sim, estou de volta! A espera foi longa, mas foi finalmente agora que consegui captar energias suficientes para manter este blog bem vivo, pois bem vistas as coisas, não passava de um ilustre defunto da galeria dos blogs mortos. 
E que melhor maneira de recomeçar do que com uma pequena palavrinha sobre o novíssimo filme da franquia Star Trek, com J.J. Abrams, esse grande criador de séries de TV (Lost e Fringe) a coordenar todas as operações. Pois bem, eu não sou nenhum Trekkie nem nunca sequer vi um episódio do início ao fim desta série, apenas sei que tinha uma personagem muito carismática que até a um perfeito desconhecido, como eu, fazia as delícias - o Mr. Spock! Portanto, fui para o cinema completamente às escuras, a mitologia do Caminho das Estrelas não era de todo para mim. Mas lá por não perceber nada disto, não quer que não tenha achado o filme uma valente banhada! Este filme foi tudo menos produzido por um grupo de nerds que idolatravam a série (como o Damon Lindelof e o Abrams o diziam).
Quase todas as personagens foram transformadas em clichés do mais cliché que existe no cinema, até o Senhor Spock, interpretado pelo excelente Zachary Quinto, ficou reduzido no meio daquele festival de máscaras digno de um filme teen de sábado à tarde. É aqui que se vêem as saudades que os bons velhos cenários low-cost e os efeitos especiais rascas deixam, dava-se muito mais ênfase ao argumento e às interacções entre as personagens do que ao show visual que se vislumbra hoje em dia. Além disso, a trama deste filme é do  mais básico e visto que há - um descendente de um grande homem que se sacrificou para salvar a sua tripulação, torna-se o herói destas duas horas tortuosas de acçãoao tentar seguir as pisadas do pai, apenas com uma visão mais rebelde do sentido das coisas. A isto tudo juntem-lhe mais uma galeria de personagens mal "enjerocadas" e sub-aproveitadas e voilá! E a Paramount volta tirar-nos o dinheiro do bolso sem nos apercebermos.
Star Trek pecou por ter sido aquilo que não devia ter sido e por não ter sido aquilo que provavelmente conseguiria ser. Safou-se o muito pouco focado tema de viagens no tempo que me fez pensar rapidamente em Lost, que actualmente anda a torturar os fãs com os infinitos time loops que andam a ser criados. Fiquei foi sem perceber se a tentativa de mudar o passado significava uma nova cadeia de eventos ou se fazia parte de um passado que não poderia ser re-escrito... esqueçam lá, quem vê o Lost é que deve perceber o estou aqui a dizer (Whatever happended, happened!). Além disso, há que fazer uma pequena menção ao grande Michael Giacchino. um excelente compositor dos tempos modernos ultimamente tem visto o seu trabalho ser reconhecido por muitos.
E assim fecho o post, até à próxima. Esperem por mais updates nos próximos dias.

Nota: 4/10

26 julho 2008

The Dark Knight

A sensação com que se sai da sala de cinema depois de ver este filme é indescritível. Afinal, eu estava a sair do, provavelmente, melhor filme do género e, melhor que tudo - não tinha sido eu o único a gostar. É bom ver que um filme de um género tão mal-tratado como a Banda Desenhada  e os seus super-heróis consegue levar muitas pessoas ao cinema e render longas-metragens com tanta qualidade. Mas há que não esquecer que este filme vai muito mais além do que o simples embate entre o Cavaleiro Negro e o seu temível adversário, prestes a semear o caos em toda a cidade. The Dark Knight é muito mais profundo simplesmente por conter uma tão variada selecção de elementos que fazem lembrar outros tantos filmes. Falo de um excelente elenco que conseguiu ser mais do que competente; um argumento complexo e sólido cheio  de cruzamentos entre outras pequenas histórias; acção, sempre necessária num filme deste calibre; humor em doses certas e sem exageros nenhuns; tensão,  do princípio ao fim, uma coisa que quase nunca vejo nestas adaptações e, é claro, uma escolha de personagens que só me fazem querer que algumas delas fossem mesmo assim nos comics (Nolan for comics!).
Começando por falar de Heath Ledger, posso desde já dizer que esta é uma grandiosa personificação do Joker, julgo que nem mesmo Jack Nicholson lhe consegue chegar aos calcanhares (quer dizer, chegar até aí, talvez consiga). A sua interpretação ainda tem mais valor porque consegue ultrapassar todo o hype gerado pelos media em torno do seu talento e até da sua própria morte. Acho que quem lê comics e já conhece pelo menos alguma coisa do Joker e de toda a sua mitologia em conjunto com o Batman é que consegue apreciar ao máximo esta inerpretação do Ledger. Não digo que os especialistas nesta matéria também não a possam achar fenonemal, porque isso até o velho do Restelo consegue, mas ver que existe alguém que consegue captar a essência de um personagem extremamente difícil de perceber, é no mínimo gratificante. O Joker de TDK é "O" Joker - psicótico, com dois parafusos a menos, com todo o seu sentido poético e que apenas gosta de "brincar" com o seu némesis, sabendo perfeitamente que a sua existência só faz sentido enquanto o Batman também existir (óbvias referências à Piada Mortal, de Alan Moore). Que mais posso dizer sobre ele?
Quanto a Christian Bale há que dizer que ele nem acaba por ser a principal atracção do filme. "Ah, vamos ao cinema ver o Batman.", "Não, vamos lá é para ver o Joker.". Basicamente é esta a sensação que se tem quando se sai do cinema. O Batman acaba por nem ser a principal personagem deste filme e isto acaba por lembrar as mais clássicas histórias deste personagem, onde ele é apenas um motivo para que surjam vilões e outras personagens à volta que o façam sair de noite. Mas nada disto faz com que o desempenho deste actor seja menor ou de pior qualidade, pelo contrário. Há excelentes cenas entre ele e Alfred (Michael Caine) e também entre Lucios Fox (o grande Morgan Freeman). Aqui também gostei muito mais do Bruce Wayne em si do que o próprio Batman.
É também impossível não reparar na voz alterada quando Bale está a vestir o manto do Cavaleiro Negro, o que, pelo que já li em alguns sites, pode ter desapontado alguns espectadores. É certo que a montagem em relação à voz não é a melhor e nota-se claramente que é impossível um humano fazer aquela voz, mesmo com tom grave de Bale, mas mesmo assim aceito e o principal objectivo está lá - mascarar a voz do Batman. Em cenas que ele está tão próximo de pessoas conhecidas da sua identidade verdadeira deixaria de haver credibilidade, pois facilmente seria reconhecida. Portanto, esta jogada com a voz é totalmente aceitável.
Aaron Eckhart foi a surpresa da noite, tendo construído um Harvey Dent muito sólido. A primeira cena passada no tribunal pode parecer um pouco "velha" ao início, mas rapidamente deu para perceber que estava ali um actor ideal para a personagem e mais uma excelente cena para a colecção. Quanto a este não me resta muito mais para dizer, surpreendeu pela positiva e isso é o que mais interessa.
The Dark Knight é, na minha opinião, indiscutivelmente a melhor adaptação de uma Banda Desenhada ao cinema, ponto final. Supera qualquer dos três filmes do Homem-Aranha e qualquer outro filme da Marvel. Também supera os anteriores filmes de Tim Burton e de Joel Schumacher. É daqueles filmes que mal se sai da sala, só apetece ir vê-lo de novo, nem que seja só para ver a cena inicial (e que cena brutal que ela é). Não costumo comprar DVD's, mas parece-me que desta vez compro-o mal ele sair. Enfim, não há mais palavras para descrever esta beleza cinematográfica.

Nota: 9.5/10 - Must See!

03 maio 2008

Iron Man

Actualmente as adaptações de personagens de BD ao cinema são o pão nosso de cada dia, mas o problema reside sempre na qualidade das mesmas. Avaliando estes último anos de filmes relacionados aos personagens da Marvel e da DC (maioritariamente da Casa das Ideias), temos uma grande caixa com produções que não valem a ida ao cinema e também temos um pequeno cofre em que residem as boas adaptações. Até hoje a trilogia do Homem Aranha foi a que melhor me convenceu enquanto boa adaptação, juntamente com o 300 de Frank Miller. O último filme do Batman é também uma boa escolha, mas se formos a falar do Super-Homem, tal qualidade não se repete, nem de perto nem de longe. Sin City e Hellboy também são aconselhados.
Pois bem, senhores realizadores de cinema, se querem um filme base para se guiarem por entre as vossas experiências cinematográficas com super-heróis, escolham esta grande adaptação da personagem Iron Man, que sem conseguir ser brilhante ou excelente, é um belo blockbuster deste ano, que nem sequer roça o excesso comercial e consegue entreter durante cerca de duas horas a audiência, captando a essência de um Tony Stark adaptado às necessidades modernas (personagem com um humor arrogante, literalmente um homem de ferro com um coração de ouro, mulherengo e certas vezes desajeitado).
Por assim dizer, neste filme temos a acesso a um Stark na sua versão Ultimate, como já seria de esperar. E é aqui que reside o que o ponto chave de toda a longa metragem - não são os efeitos especiais que fazem de Iron Man o bom filme que é, mas sim a encarnação de Robert Downey Jr., que interpreta de forma brilhante o milionário playboy da Marvel. Além disso, o argumento ajudou em muito para que a caracterização de Stark ficasse memorável, juntando a isso também as personagens em redor do protagonista, com Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) em destaque, o braço direito de Stark. O clichê óbvio de que a ajudante feminina e o herói acabam sempre por ficar juntos é muito bem contornado neste argumento, fazendo com que haja apenas uma espécie de amor platónico entre os dois muito agradável de se ver. O vilão, esse sim, é usado de uma forma muito básica, começando por ser apresentado como grande amigo de Tony, mas revelando-se no fim como o verdadeiro némesis deste episódio. A armadura inspirada nos conceitos de Adi Granov dá aquele ar cool que uma personagem deste calibre exige e no fim Tony não consegue mesmo esconder que é sem dúvida o Homem de Ferro, depois de tanta especulação junto da imprensa. Aos mais distraídos, eu incluído, não abandonem logo a sala quando o filme terminar, mas apenas após os créditos passarem. Há uma cena (que se pensava ter sido cortada) com um nosso conhecido que merece ser vista.

Iron Man abre bem esta nova temporada de adaptações da recente Marvel Studios, que terá ainda este ano a estreia da nova adaptação do Hulk. Jon Fevreau está de parabéns e espero que consiga levar avante a sua planeada trilogia com esta personagem, com a sequela a surgir em 2010. Next: The Dark Knight.

28 janeiro 2008

Nome de Código: Cloverfield

Vi este filme no sábado em Lisboa com um grupo de amigos.
Já estava com ela fisgada para o ver. Sendo este um trabalho com o toque de J. J. Abrams só podia ter qualidade.
É claro que não sabia muito sobre o filme antes de o ver. Sabia que tinha a ver com um monstro e pouco mais.

Portanto não é com espanto que o início do filme me surpreende um pouco. É aquele tipo de início tudo está bem antes da destruição e 15 minutos após o início do filme já estamos a ser apresentados a todo o elenco e começamos a compreender os personagens. Pois no fundo eles são apenas humanos, humanos como nós, que cometem os seus erros...
E esta apresentação ocorre durante uma festa de despedida a Rob Hawkins (Michael Stahl-David) que parte para o Japão...
Durante esta festa descobrimos algo sobre Rob e a personagem que está com ele no início do filme e compreendê-mo-lo: ele fez o que fez, não por ser ruim, fé-lo por medo...

Mas enquanto Rob enfrenta os seus demónios interiores, algo acontece... Algo semelhante a um terramoto. As agências noticiosas começam a comentar o sucedido e a festa passa para o telhado do prédio... É neste momento que o céu irrompe em chamas e se percebe que algo vai correr mal.
E corre mesmo mal! Rob percebe que apesar do apocalipse que está a ocorrer nas ruas, esta a sua oportunidade para sarar os seus erros.
É isso que o grupo de amigos tenta fazer, redimir-se dos seus erros, mas pelo caminho tem de enfrentar uma criatura enorme e terrível...

É isto o filme. Uma jornada de sobrevivência, não apenas a sobrevivência pessoal mas também aquela dos quais amamos.

Agora os pormenores técnicos.
O filme é surpreendentemente curto, dura somente 84 minutos. (Conheço malta que tem aulas mais demoradas que este filme)

Quem viu o trailer sabe que a fotografia não é aquilo a que estamos habituados. O esquema é semelhante a Blair Witch Project, um dos personagens é o próprio cameraman e documenta tudo. E isto faz com que o espectador se sinta no meio da epopeia das personagens, o que não é necessariamente bom. Pois parte da angústia que os personagens sentem, não se transmite para nós apenas como um sentimento, mas sim como um arrepio na espinha ao ouvirmos um som que não era suposto ouvirmos.
O momento mais alto da fotografia é durante o metro (só isto vale o bilhete).

O elenco.
O elenco é bom, não é composto por estrelas, mas são actores competentes que conseguem fazer com que compreendamos como é que o ser humano reage perante este evento.
Só adiciona realismo à fita.

O Monstro.
Bem... Não vos vou tirar as surpresas. Mas é grande! E assusta!

No total.
É uma fita que merece o bilhete. Não é um filme onde se aprenda nada, mas que diverte.
Não é perfeito, sofre de alguns erros ou situações algo incongruentes (como o calçado de uma das personagens femininas).
De todo os filmes de horror/suspense que já vi é dos melhores.
Com muitos momentos assustadores e angustiantes e com o cunho de J.J. Abrams que deixa muitos mistérios no ar, sem explicar algumas coisas que apenas nos poderiam fazer sentir defraudados.



4/5

12 janeiro 2008

I Am Legend

De Francis Lawrence
Com Will Smith

Robert Neville é o (aparentemente) último sobrevivente de um mundo afectado por um vírus julgado milagroso. Os humanos passaram a ser Vampiros (ou Noctívagos) e os animais são também ameaçados pela doença que os transforma em seres indescritíveis.
Neville vive a sua rotina diária acompanhado pela sua cadela Sam(antha), um dos poucos animais no mundo que ainda não foi infectado pelo vírus letal.
Este vírus começou, na verdade, por ser uma cura bem sucedida para o cancro. Várias pessoas conseguiram ser curadas, mas algo correu mal com as primeiras cobaias, o que desencadeou uma mutação inesperadas nas mesmas, tornando-as seres extremamente sensíveis a raios UV, ou seja, Vampiros para ser mais exacto.

Neville vive isolado em Nova Iorque, onde co-habita com animais fugidos do Zoo local, com o seu sempre fiel animal de estimação e ainda com um punhado de manequins, espalhados devidamente por vários pontos de passagem. Tudo isto para não se sentir tão só...
O filme chega a ser extremamente monótono pois não possui nenhuma banda sonora específica, apenas algumas músicas aqui e ali de um senhor que já foi um dos grandes nomes da música há uns bons anos (não irei dizer quem, perderão assim um bom pormenor do filme). E é por ser monótono que o apreciei tanto, transmitiu-me exactamente a sensação que é viver sozinho no mundo (apesar de nem imaginar um bocadinho como seria essa tão triste situação). Além disso, existem alguns momentos dramáticos que são um verdadeira tristeza, o que contribui para que ainda gostasse mais do filme.

Felizmente a longa-metragem não serve apenas para mostrar embates entre o nosso herói e um bando de vampiros sedentos de mais amigos para as suas fileiras. I Am Legend insiste muito em mostrar como seria realmente viver sozinho num mundo a que estávamos habituados a ver cheio e o quão doloroso seria, mas a esperança de encontrar alguém prevaleceria independentemente do que acontecesse. Will Smith demonstra que não só um actor de comédia e que sabe bem adaptar-se a um papel dramático.

Como nada é perfeito, não gostei que o filme apenas tivesse a duração escassa de 100 minutos. Houve muita coisa que poderia ter explicada, principalmente por intermédio dos famigerados flashbacks. A origem dos Vampiros, apesar de ser óbvia, podia ter sido melhor apresentada, mas por outro lado, fugiu-se um bocado das típicas secas que se apanham de vez em quando. Outro aspecto que não foi bem do meu agrado foi a insistência numa coisa que para mim já se tornou um cliché - os Vampiros. Tudo bem, encontrámos a cura para o cancro, parecia tudo bem mas as pessoas que foram curadas tornaram-se vampiros e a partir daí deu-se um ciclo vicioso em que todos aqueles que vislumbrassem alguém infectado passariam também eles a serem atormentados pela perseguição tenebrosa até se tornarem também eles vampiros... Mas porquê Vampiros? Se não Vampiros, o que seria então? Porque não outra coisa qualquer? Na minha opinião poderiam ter criado um ser que nunca seria visto durante o filme inteiro, que a partir dos seus sons e acções fosse imaginado pelo público. Talvez fosse interessante, talvez fosse menos atraente para as massas.

Concluindo, I Am Legend tem tudo par ser um bom filme, desde as boas cenas de acção, dramatismo e efeitos especiais. Não me importava que todos os filmes fossem assim, já que este é o verdadeiro cinema - serve para entreter. É claro que existem obras que são mais do que puro entretenimento, mas isso todos sabem.
Next: The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford e Sweeney Todd.

31 julho 2007

The Simpsons, O Filme

Aqui está uma dos filmes que nos faz rir do princípio ao fim, nunca deixando a comédia de lado, estando sempre presente uma estupidez ou outra por parte de Homer e companhia. É por isso que The Simpsons, Movie é provavelmente o melhor filme de comédia do ano, tendo ainda assim em conta que o ano não acabou.

Muitos anos levaram para que Simpsons chegasse finalmente à grande tela, mas tal nunca foi possível. O sonho de Matt Groening finalmente se concretizou após inúmeros obstásculos ultrapassados e é claro que o resultado não podia ser melhor. Este filme, apesar de ser mais uma antologia do que já passou pela série de televisão, com conceitos não muito gastos, mas já anteriormente visitados, apresenta uma fórmula excelente, que fez com que nunca parasse de rir. O filme é hilariante do princípio ao fim e só peca mesmo por ter certas partes para "encher chouriços", que às tantas passam a ser um bocado chatas. Tudo bem que foram sempre seguidas de uma piada ou outra, mas um filme mais pequeno talvez não tivesse sido uma má ideia. Aqui está a prova que os Simpsons funcionam perfeitamente na TV e que no cinema já já não são tão bons como no formato original, mas ainda assim a ida ao cinema é necessária para ver personagens tão boas quanto o Comic Book Guy (a minha personagem preferida) ou as cenas mais radicais do Bart, que levam os espectadores ao rubro!

O filme começa muito bem com uma actuação em Springfield dos Green Day, onde a banda adapta a música do genérico da série ao seu estilo punk-rockeiro de uma forma muito agradável. Ao começarem a falar de problemas ambientais, rapidamente são apedrejados pela audiência, uma clara metáfora aos interesses da população e ao que ela se importa com tais assuntos. A seguir, os cidadãos começam a aperceber-se de que o lago da cidade está cada vez mais poluído e que são necessárias medidas urgentes para que o mesmo passe a estar mais limpo, devido à grande influência dos estudos de Lisa e da sua respectiva divulgação. Prontamente, medidas são tomadas, mas tal como não podia deixar de ser, Homer mete outra vez a pata na poça, como já vem sendo hábito. Ao fazer uma descarga ilegal de "produtos tóxicos" no lago (tóxicos e mal cheirosos), volta tudo a ser o que era, ou seja, sujo, porco e poluído como antigamente. No desenrolar das acções do seu pai, Bart começa a questionar-se cada vez mais sobre o que sente por ele e se é mesmo aquele o pai que ele quer ter. Para ajudar, Flanders entra em acção...
Devido às acções irracionais de Homer, o governo toma algumas medidas através do governador Arnold Schwarzenegger. Faço das suas palavras, minhas: "I'm in this office to lead, not to read!". Arnold é manipulado e decide que uma gigante cúpula de vidro deve cobrir toda a cidade de Springfield e que assim nenhum dos habitantes lá moradores possa escapar-se. A partir daqui, uma extensa trama se desenvolve, havendo aqueles tais chouriços que não deviam ser enchidos. De certa forma continuei a rir (ou seja, não tenho razões de queixa ;D), mas ainda assim reconheço que podia haver uma certa redução no tempo da comédia, mas Simpsons são Simpsons. Não vos conto mais nada, porque assim não tem tanta graça quanto ver o filme na sala de cinema.

Outra coisa que quero falar é sobre as dobragens. Felizmente vi o filme em inglês, mas tive acesso a algumas cenas já dobradas e achei que aquilo era uma pimbalhada autêntica. Homer sem a voz de Dan Castellaneta não é Homer nem é nada e acho que se quisessem disponibilizar ao público uma versão em português, que pelo menos exibissem os dois formatos, visto que tive de sair da minha cidade só para não ver o filme em português. Bem sei que o filme é um pouco direccionado para as crianças, apesar do evidente fanatismo de muitos adolescentes, mas acho que se devia ter alguma consideração perante o espectador e não pensar apenas num certo grupo de espectadores. Sem as vozes originais, os Simpsons perdem a essência.
Outro aspecto que gostava de salientar são os créditos finais. Cada vez há mais aquela moda de deixar o espectador agarrado à cadeira para ver material extra do filme e foi o que acontceu com este filme. Ultimamente os créditos finais têm passado até ao fim e só depois passa então uma cena secreta que muitas vezes deixa um rastilho para uma sequela, à semelhença do último filme dos X-Men. Neste caso vão aparecendo várias cenas, como por exemplo o facto de Mr. Burns ter ficado sem nada do que lhe pertencia na sua casa (muito boa cena). A outra cena foi a segunda palavra da Maggie, apesar da Marge ter dito que era a sua primeira, mas parto do princípio que este filme seja antes do episódio onde a Maggie articula a sua primeira palavra. A cena onde a família está toda reunida numa sala de cinema também é hilariante, onde Homer diz por outras palvras que devemos prestar atenção aos nomes que passam nos créditos (e isso é verdade, há que dar valor a todo o casting de actores e produtores, muitos e muitos por sinal).

Por fim gostava só de dizer que adorei o filme, apesar de tudo. As interpretações vocais dos actores que dão vida a Springfield são excelentes. Sem dúvida que é um dos grandes filmes de Verão e sem dúvida que não importava de revê-lo agora, mas devo esperar pelo DvD. Espero que traga muitos extras. Por falar em DvD's, aproveito para dizer que deve estar aí à porta o de 300 e também aguardo pacientemente por uma trilogia especial do Aranha, com os três filmes. Além disso têm agora à venda nas Fnacs um especial muito agradável com todos os filmes do Rocky já feitos, com o último Rocky Balboa de fora, evidentemente, visto que saiu há pouco tempo.
Não se esqueçam, The Simpsons, O Filme numa sala perto de si e um link interessante para os apreciadores.

21 julho 2007

Transformers, O Filme

Transformers é daquele tipo de filmes que tanto tem qualidade para ser um grande filme, quanto tem falta dela para o deixar de ser. Com uma boa equipa por trás na realização coordenada por Michael Bay e um bom conjunto de especialistas em efeitos especiais e mais que tudo, um bom elenco, os robôs mais conhecidos do planeta tinham uma fórmula que até podia resultar numa boa solução, mas tal não aconteceu. Não aconteceu devido a alguns factores, tais como a duração do filme ou o excesso de clichés mais que gastos (mas daqueles mesmos sem "sola") que chegam a enjoar. Outro aspecto é a fraca objectividade, já mais para o fim, onde eu já estava à espera que tudo acabasse.

A primeira parte é excelente, ou pelo menos muito boa porque fez algo que gosto muito num filme - entreteu-me. Tudo bem que a personagem do jovem nerd começa também ela a ficar gasta no cinema, mas a verdade é que ela continua a ter significado para mim e continua a dar-me graça observá-la e ouvir tudo o que ela diz (não fosse eu um verdadeiro fã do Peter Parker). Shia LaBeouf é a revelação do ano e convence imenso enquanto veste a pele de Sam Witwicky e é a melhor personagem do filme, sem dúvida. Nota-se que o rapaz tem condições para ser um grande actor e também não lhe podia calhar melhor personagem para ele interpretar. Sam é um aluno desajeitado e simples que apenas quer ter boas notas para convencer o seu pai a comprar-lhe o seu carro de sonho, carro este que lhe irá servir para conquistar a rapariga dos seus sonhos. As melhores cenas do rapaz são dúvida as da venda de antiguidades na sala de aula ou a parte em que todos os Autobots estão em sua casa. Aí sim dá para ver a qualidade deste jovem.
O ponto mais positivo desta personagem é o facto de ela ser fã dos The Strokes (grande banda) como podem ver em baixo. Também eu gostava de ter uma daquelas t-shirts. Sem dúvida o pormenor que mais apreciei neste filme.

A rapariga dos seus sonhos é (a linda) Megan Fox, ou melhor, Mikaela Banes. Mais do que tudo, ele aspira a conquistá-la e, infelizmente, o argumento do filme cai no cliché mais horroroso que pode existir para juntar os dois. Fox não é uma actriz extraordinária, nem de longe, e apenas entra neste filme para fazer "boa figura", se é que me entendem, mas não se perde nada também. Não destaco nenhuma cena protagonizada por Megan, porque acho que tudo o que ela fez não passou de um grande momento visual, o que por si só já vale muito a pena.

A seguir a estes dois jovens que vivem cidadãos, ainda temos mais uma personagem que se enquadra no exército americano. Trata-se do Capitão William Lennox (Josh Duhamel), que também ele se torna uma das personagens principais no fim do filme. O papel dele torna-se mesmo desnecessário e o seu protagonismo é só para mostrar o típico soldado hardcore americano (tipo Capitão América dos Ultimates). Esta personagem, apesar de nem ser tão má, podia bem passar ao lado, porque bem vistas as coisas não era necessário existirem três personagens nesta histórias.

Falando um poucco do argumento, a trama gira à volta de um cubo que tanto pode fazer maravilhas como pode destruir qualquer raça, se usado pelas pessoas (ou robôs) errados. No seu planeta natal, Cybertron, os Autobots e os Decepticons travaram uma batalha que significou a destruição do planeta o que levou, mais tarde a uma busca pelo Allspark (o tal cubo das maravilhas) por todo o universo o que nos leva então aonde? Ao Planeta Terra, pois claro (queriam que fosse onde?). Megatron, o cabecilha dos maus da fita, os Decepticons, chega à Terra depois de descobrir a localização do Allspark, mas a burrice do invento japonês faz com que ele vá parar ao Árctico e a ficar lá preso (ahaha, que ridículo). Anos mais tarde, o tetra-avô de Sam, durante uma expedição ao mesmo local, descobre por acaso o robô perdido no gelo. Essa descoberta será, mais tarde, deslocada para um sitío secreto, tão secreto que nem o governo sabe da sua existência.

Basicamente, esta é a história e tudo vai de encontro a ela. O argumento é bem simples e nada de estonteante. Vale bem pelos diálogos de Sam e pelos efeitos especiais introduzidos. Neste filme os Transformers perdem um pouco da sua essência vista nos desenhos animados, mas eu prefiro-os assim, visto que nunca fui muito à bola com eles. Optimus Prime está muito bom neste filme e apesar de tudo é o meu Autobot preferido. Se bem que aquele discurso do "temos de salvar a raça humana porque ela não tem culpa do mal que trouxemos para a Terra" ser muito puxado e sobretudo 'boooring'. Porque não passar logo à acção com um "bring it on baby!"? Transformers são robôs, não pensam (não resisti)! Além disso, o fim deste filme é mastigado até à exaustão, onde o espectador fica desesperado por um "Terra à vista!". Será que era preciso uma luta tão demorada e sem fim?
Conclusão, não perdem nada em ir ao cinema, e como agora toda a gente fala do Harry Potter e do (talvez) grande último livro que já está aí nas bancas, todo ele cheio de (supostas) mortes, até dá para relaxar. Agora é mesmo esperar pelo Ratatouille (parece ser uma grande animação) e pelos imortais Simpsons! Sem dúvida que vão valer o dinheiro investido.

Nota: 6.5/10

Fiquem!

09 maio 2007

Spider Man 3 (ou o melhor filme do ano) - Por Celtic-Warrior

O fim de uma trilogia que fez a delícia dos fãs do Amigão da Vizinhança e que pode vir a ser considerada um marco na história das adaptações de personagens de BD ao cinema. Desde o instante em que vimos o primeiro filme do Aranha no filme que sentimos que da cabeça de Sam Raimi só podia sair boa coisa e a prova disso foi a excelente escolha do elenco, desde o talentoso Tobey Maguire, que é a cara chapada do Peter, à elegante Kirsten Dunst, que naquela altura não passava de uma jovem rapariga de 17 anos. Raimi não só nos convenceu com as suas escolhas acertadas no “plantel” desta adaptação, como também nos mostrou como a sua excelente equipa pôde produzir cenários e efeitos especiais completamente fantásticos, aliados a um argumento poderoso, mas nunca genial, que convencia até a mais banal pessoa que não possuísse quaisquer conhecimentos a nível de BD.
Tanto o primeiro filme como segundo, foram apreciados pela sua simplicidade e ao mesmo tempo objectividade, sempre com personagens bem definidas e com traços característicos que faziam jus às suas personagens originais, na sua maioria criadas pelo Deus Stan Lee. Um Peter Parker focado era o que se via nos primeiros filmes, onde os seus dilemas pessoais eram a principal atracção, mas agora, assiste-se a uma globalização no que toca à importância que se dá a todas as personagens da trama. Esta trilogia passa por uma evolução constante, que não pára!

Deixando a introdução de lado, vamos ao que interessa. Spider Man 3 é muito, mas muito diferente de todos os filmes da trilogia. Continuamos a ver um Peter ingénuo e tosco, com um sentido de humor de partir os ossos a alguém, mas agora ele vive obcecado pela fama que o Homem Aranha tem na cidade e deixa o seu lado dramático e os seus dilemas um pouco de lado, e é isso que se torna um ponto de viragem em todo o filme. E por ser o mais diferente, é precisamente o melhor de toda a trilogia, apesar de muita malta discordar. Todo o filme é eléctrico do início ao fim.
No início somos presenteados com um resumo fotográfico de tudo o que se passou ao longo dos filmes do Aranha, com um efeito muito bem sacado que fica excelente na tela do cinema. Depois encontramos mais uma vez o carismático Peter Parker, até já estava com saudades do rapaz, tanta trapalhice que ele faz é hilariante, da qual só ele é capaz. A premissa deste filme é muito simples. A relação entre Mary Jane e Peter começa a ser afectada a partir do momento em que o Homem Aranha passa a ter mais reconhecimento que a jovem actriz, que recentemente arranjou o seu lugar no Hall da Fama da Brodway, mas que cedo o perde por inexperiência vocal. Começa a notar-se um certo ciúme de MJ para com Peter. Tudo isto prometia uma separação rápida dos dois, e aqui, apesar da MJ interpretar o papel mais cliché de toda a série, é onde Dunst se esmera mais. Um início romântico a que ela nos habituou, rapidamente se tornou em algo mais dramático, bem interpretado, mas ao mesmo tempo um bocado previsível. Foi isto que não gostei no filme, e talvez o único grande defeito a apontar. Aproveito e refiro já a participação de Gwen Stacy na trama, a bela e encantadora Bryce Dallas Howard. Infelizmente a pobre da rapariga não teve lá grande destaque, visto que se ele (o destque) se torna mais físico que eu sei lá o quê (é impossível ficar indiferente à presença dela). Tive pena de ela não ter tido um papel mais elaborado, visto que ela só serviu para fazer uma cena de ciúmes à MJ (numa das melhores cenas do filme pelo seu humor, mas estúpida pelo dramatismo pouco envolvente). Apesar disso, gostei do pouco que ela fez.

Agora passo a falar um pouco dos vilões. Comecemos pelo Homem Areia, Sandman, como quiserem. A origem é um bocado confusa e é um coincidência do pior que pode existir. Já vi que não se pode andar por aí na rua. (Qualquer dia um pássaro faz o que ele de melhor faz, mas na minha cabeça, e lá me torno eu o Homem Pombo). Adorei a forma como ele renasce das areias de uma forma brutal e quase decadente ao mesmo tempo, é que o coitado do homem devia estar em transe quando aquilo lhe aconteceu. O momento alto da origem do, digamos, anti-herói (cof, cof…) é a sua ascensão à superfície onde assistimos a uma transformação que só os excelentes efeitos especiais de toda este trilogia nos podem proporcionar. Flint Marko pode ser um vilão de segunda linha, mas surpreendeu-me e passei a gostar dele, e o Thomas Eden Church não se safou mal.
E o Harry Osborn? O Grandioso James Franco que só tem melhorado desde que se tornou no filho do Duende Verde. Franco apresenta aqui as suas melhores qualidades, e finalmente ele chega onde queríamos, vê-lo a tomar o manto do Duende Verde, o seu imortal pai.
E por fim Venom! A horrorosa criatura que fez a delícia dos fãs, visto que era mesmo esse o papel dele. Eu mal podia esperar por ver o simbiote em acção, pois era já era um sonho que eu tinha há algum tempo, vê-lo em carne e osso (se bem com um pixel atrás…). Topher Grace teve graça enquanto Eddie Brock, porque depois de se tornar no Venom, passou a ser apenas o hóspede. De todo o seu desempenho, gostei principalmente da forma como ele diz ao Capitão Stacy que ele está a namorar com a sua filha (ehehe).

Este filme tem sido bem criticado pelo amontoado de personagens secundárias que não foram devidamente exploradas. Eu cá discordo. Flint Marko torna-se uma personagem bem definida a partir do momento em que conhecemos a sua família e passamos a saber que ele é tão simples quanto Peter e que chegam ser bem parecidos um com o outro. Harry já é da velha guarda. Mais explorado não podia estar, e quando aparece mascarado à Duende, sente-se uma lufada de ar fresco na personagem. No Venom, é que a coisa se complica, mas mesmo assim não exageremos. Tudo bem, ele cai das estrelas e cola-se à lambreta do Peter no instante a seguir, mas eu não quis saber de origens para nada nem isso, até porque já a conhecia. Eu queria era ver os estragos que o simbiote alienígena ia provocar.

E por falar em simbiote tanta vez, dedico agora um parágrafo ao lado-B do Peter, que, seguindo a dica do CESAR, podemos mesmo dizer que ele é o assombroso Darth Peter! O Venom toma conta do uniforme normal do Aranha durante uma noite sem sono algum para o nosso personagem, numa excelente cena de FX’s, surpreendente, e já dizia o CESAR também… sublime! A sensação de ter o fato negro é poderosa e sentimo-nos mais fortes do que alguma vez fomos (eu já passei por isto). É a partir daqui que o Parker dá os braços a uma nova vida, em que o seu estilo se chega a parecer ao de um Emo dos actuais, sem esquecer o rímel e a franjinha descaída para o lado direito. A não esquecer a hilariante cena à la John Travolta, uma dança no meio da rua com direito a brilharete entre as miúdas que por ali passavam. Sem dúvida uma das melhores cenas do filme, Tobey Maguire não a podia ter feito melhor.

Gwen Stacy, ou melhor Bryce Dallas, foi quem mais me surpreendeu. A menina de Lady in The Water ou A Vila, conseguiu dar mais ênfase ao seu curto papel neste filme que eu sei lá o quê. È claro que se fosse eu a atribuir-lhe uma cena mais vistosa, seria com certeza na Ponte de Brooklyn, numa morte dramática à frente dos olhos de Peter. Ou quem sabe, poderiam estar em risco tanto MJ como Gwen, com o Goblin a perguntar ao Aranha qual das duas queria que fosse salva, mas talvez estaria a alterar um pouco a história pela qual o Aranhiço passou há uns bons anos. Mesmo seria dramático até dizer chega! Parabéns à Bryce, que esteve na cena mais despropositada do filme, talvez porque tenha passado por burra… Mas ao mesmo tempo teve a sua graça.

E acho que foi isto. O filme não podia ter sido melhor, mesmo 5*! Desde a minha infância que acompanho este rapaz, e não podia estar mais orgulhoso desta trilogia, fez-me reflectir sobre todos os anos de história do Aranha. Para aqueles que não gostaram por causa do emaranhado de personagens, peço que vão ver o filme outra vez. Essa inconsistência no argumento de que tanto falam não é assim tão verdadeira, até porque aposto que saíram com um grande sorriso da sala, tão monumental que o filme tinha sido… Quando fui ver o filme na Sexta-Feira com a sala cheia de pessoal cá de Setúbal até fiquei com dúvidas existenciais sobre a cidade onde vivia. E desculpem a demora disto, mas é que a minha lentidão chega a ser precisa quando se trata destas reviews.

So long my friends (um dia irei rever esta pérola do cinema dos super-heróis).


Nota: 9/10!!

06 abril 2007

300 - Por Celtic-Warrior

Caros amigos, venho agora do sono depois de ter estado num campo de batalha do qual a vontade de sair era pouca. É a primeira vez em alguns anos que vejo uma sala de cinema de Setúbal cheia de gente, o que é muito difícil para uma cidade tão pequena quanto esta. Depois de tanto divulgado na TV, este filme supera as minhas expectativas e pelos vistos de todas as pessoas que entraram na sala. É incrível ver como que é que uma realização de tão baixo orçamento, neste caso 70 milhões de dólares, consegue dar um fruto que dificilmente alguém imaginaria.

Já tinha lido a BD, mas não me tinha surpreendido muito com a história. A minha análise mudou um pouco depois de ver o filme. Quando li o comic, fiquei com a ideia de um Leónidas um pouco orgulhoso, casmurro em aceitar o rumo natural da história, teimoso em aceitar o facto de que Xerxes era dominante naquela altura, mas hoje percebi a importância do acto de Leónidas. Os Espartanos eram guerreiros frios e sangrentos que tinham um nome a defender, uma imagem que tinham de preservar a todo custo e acima de tudo tinham deixar a mensagem de que se deve lutar por aquilo que se acredita. Além disso, o legado tão histórico dos Espartanos deveria ser continuado, respeitando assim a memória de um dos seus possíveis antepassado, Hércules. Com este acto de bravura, os Espartano foram uma peça importante para que toda a Grécia olhasse para Xerxes com olhos diferentes e para que o seu reinado pudesse ter os seus dias contados.
Apesar de bárbaros, sanguinários e violentos, os Espartanos eram uma civilização muito característica. Apesar desses adjectivos todos, não posso deixar de sublinhar a nobreza e lealdade que tinham uns para os outros. Cada homem da formação dos 300 Espartanos que partiram para a guerra tinha a obrigação de defender o homem à sua esquerda com o seu, quase que invencível, escudo o que permitia uma táctica inquebrável que se adaptava perfeitamente aos poucos elementos do grupo. Até aí Leónidas pensou, mas é claro que o baixo de número de interveniente Espartanos também tornava a lenda um pouco mais heróica e mostrava como o Espartano normal deveria ser e como deveria agir em tempos de guerra. Os Espartanos eram uma elite, que apesar de constituída por poucos, era boa.

O filme começa com uma parte muito calma, o que me fez pensar que o que eu ia ali fazer, era naverdade ver a malta à batatada, e a partir daí comecei a ficar tenso, mas afinal, aquilo não passava de uma introdução, necessária em qualquer filme. Acompanhamos a evolução de Leónidas na sua ascensão ao trono, desde o seu nascimento até ao seu treino como guerreiro, iniciado desde a sua infância até à juventude, dando-nos a ideia de quão dura era a disciplina naquela época, toda ela necessária à formação de um verdadeiro Espartano.
É então que rapidamente se passa à acção. Um mensageiro de Xerxes chega a Esparta e anuncia que o Rei Divino está prestes a dominar toda a Grécia, mas tal acto teria um custo para todos. No caso de Leónidas, muitos eram os tesouros que lhe eram prometidos, mas havia algo que ele teria de fazer em troca, algo que ele não poderia fazer de forma alguma, não naquela vida, nem em nenhuma – ajoelhar-se perante Xerxes, Rei dos Reis em toda a Grécia.
O mensageiro havia cometido um erro pelo qual ele se arrependeria para toda a eternidade – entrar em Esparta e insultar Leónidas! O rei de Esparta rapidamente acaba com ele com uma frase que eu nunca me vou esquecer neste filme: THIS IS SPARTAAA!!
Tudo isto degenera numa tentativa de Leónidas em ir para a guerra para enfrentar Xerxes pela primeira e última vez, cara a cara, mas tal feito não seria permitido pelo conselho. Léonidas enfrenta-o de qualquer maneira, mas a resposta não é muito convidativa. De qualquer forma, O Rei de Esparta ordena reunir 300 bravos homens das suas fileiras para poder partir com glória. O Conselho tenta de novo impedir, mas em vão. E é nesse seguimento que a esposa de Leónidas, Rainha de Esparta, algo triste pela partida do seu Rei e marido, diz-lhe para ele regressar com o seu escudo a Esparta… ou sobre ele.
E depois acontece a história que esperávamos. A caminho dos Portões do Inferno, os Espartanos avançam sedentos de guerra e com vontade de fazer estragos. Pelo caminho encontram um grupo de guerreiros que pretende juntar-se à causa, para tentar derrubar Xerxes, mas ao verem tão pequeno exército ficam desesperados.
De seguida, o exército de Leónidas e os Arcádios continuam o caminho para a glória, em busca de algo que já ansiavam faz tempo. Acho que a partir de agora, começa aquela parte que nos faz ir ao cinema. As primeiras investidas do exército Persa estão próximas e todos os guerreiros estão confiantes.
Comprem um bilhete o mais rápido possível. Se forem vê-lo este fim-de-semana não se arrependerão. As cenas de guerra são tratadas em computador de uma forma inigualável e as caracterizações estão demasiado fiéis ao comic de Miller, que até dá um arrepio na espinha! Não vos falo mais do filme para não estragar a surpresa, por isso, espero que tenham ficado sedentos de sangue Espartano!

O único erro que tenho a apontar é como Zach Snyder estica a trama, tornando o seu argumento algo secante que me deixou com sede de ver mais luta. Nos momentos mais intensos, Snyder parava com a minha louca euforia e mostrava-nos a Rainha a tentar chamar o Conselho de Esparta à razão, mas sem efeito algum. Gerard Butler é sem dúvida comovente, com todas as suas frases perfeitamente ditas e com um som que faz tremer tanto Espartanos quanto os espectadores. Apetecia-me pôr uma lista de todas elas, mas agora não me dá jeito. Rodrigo Santoro está igualzinho ao Xerxes original. O coitado do homem teve “de tirar todos os pêlos do corpo” para poder encarnar o Rei Divino, e logo aí é um acto de coragem (eheheheh). Mas Santoro parecia o Rei do Carnaval Espartano, isso sim! Tanto a ele como a Butler dou um 8 em 10.

Uma nota final e em jeito de conclusão. O filme é excelente, desde a banda sonora, até ao tratamento de imagem e acabando perfeitamente nos créditos finais, que fazem uma homenagem à obra de Frank Miller de fazer inveja a qualquer pessoa. Os nerds que adoram os seus comics devem ter ficado orgulhosos desta obra-prima, para o cidadão comum deve ter sido mais um filme que entrou para a sua lista. De Zach Snyder, o que eu quero agora é sem dúvida Watchmen, e não tenho dúvidas que a obra de Alan Moore vai ser respeitada ao máximo, a avaliar pelos últimos comentários do jovem realizador.

Mais uma vez digo para ir verem o filme. Não perdem nada, só ficam a ganhar.

TONIGHT WE DINE IN HELL!!!!!!!

Nota: 8/10

300 - Por CESAR

Uau!
Esta é a única coisa que posso dizer sobre o filme!
Vi-o na sessão das 15:30 do Vasco da Gama, com a sala à pinha, acompanhado de forma excepcional por uma grande e linda amiga minha, e digo-vos o filme é algo brutal!
Os primeiros vinte minutos podem parecer algo parados, mas são meramente a construção dos alicerces da história, para um filme que é doentiamente fantástico!

Depois da introdução sobre a cultura espartana e todas as suas virtudes, passamos para o choque entre persas e Espartanos, com o Rei Leónidas a ser de uma sacanice sem rival!

Convém dizer que nunca li a obra em comic (shame on me), por isso o filme me parece tão fantástico, segundo o que li noutros sites, a história paralela onde a Rainha Gorgo era a principal integrante, apesar de ter sido integrada somente no argumento do filme e que não é real, pois as mulheres não tinham papel político nas sociedades clássicas, para mim foi muito interessante, pois demonstrou que em Esparta até as mulheres têm barba, e que não são só os homens que lutam por aqueles que amam! A Rainha Gorgo lutou conforme pôde e conforme pôde venceu!
Rainha Gorgo que é desempenhada por uma mui bela Lena Headey.

Se até as mulheres lutam contra os persas, então que podemos dizer dos Espartanos, pois aquilo depois dos vinte minutos iniciais, com os intervalos para a Gorgo e os persas lamberem as feridas, é apenas porrada de meter bicho, os Espartanos a arrearem em ferro frio dos Persas!
As cenas da batalha de Termópilas, são de uma perfeição incrível, com as coreografias quase perfeitas (não são perfeitas, pois neste Mundo apenas uma coisa é perfeita). Todos os efeitos especiais bem montados e usados, o toque digital da fotografia só acrescenta aquele cheirinho de épico épico a este filme, que logo à partida é épico!
O filme é um deleite enorme, mas o ponto forte é sem sombra de dúvidas a actuação de Gerard Butler, como o escroque Leónidas, que sempre que entra em cena rouba-a a quem quer que esteja a contracenar com ele.
O melhor do filme, são sem sombra de dúvidas, os minutos finais da película, com a resistência final de Esparta contra a Pérsia e o encontro genial de Xerxes com Leónidas, o filme consegue ter momentos de grande comédia e este encontro é o maior deles, indubitavelmente.

Acerca do nosso amigo Santoro, infelizmente não é este o papel que o catapulta para a luz da ribalta, pois Xerxes tanto no comic, como no filme é tão caracterizado, seja a nível de estatura física, da sua indumentária, do aspecto e da voz que não se consegue identificar quem é o actor, apesar de assentar bem no papel!

Quanto à tão afamada mensagem política, para mim que tenho relativos conhecimentos de História Clássica, o filme não é de modo descarado uma metáfora à tensão actual entre o Oriente e o Ocidente, é sim o relato, mais ou menos fidedigno, do que seriam os Gregos a tremerem e temerem o Gigante Persa. E o sacríficio que alguns tiveram de fazer de modo a conseguir salvar muitos e destruir o demónio Persa...
É claro que o Leónidas foi um pouco humanizado, principalmente na primeira sequência com Ephialtes, onde trata com condescêndencia e até alguma pena o traidor, que no filme ficou mesmo um monstro de fazer inveja ao Gollum.
Se bem que no geral, nem os Persas foram feitos uns demónios excessivos, são apenas guerreiros que querem conquistar a fazer glória à sua nação, assim como os Espartanos são um dos melhores exércitos de sempre que tenta proteger aqueles que ama...

Como eu já disse, o Gerard Butler interpreta um Leónidas tão poderoso e genial que não deixará ninguém imune ao seu carisma e sua garra!

Aconselho o filme a todos! É um filme excelente para ir ver com a namorada, com os amigos, com quem quiserem!
10/10
THIS IS SPAAAARTAAAAA!!!

Curiosidade: Ephialtes significa traidor em Grego Clássico, isto a partir do que se passou no desfiladeiro de Termópilas.

09 fevereiro 2007

Rocky Balboa

Este é o fim da saga criada por Sylvester Stallone, no remoto ano de 1976, o filme foi atacado por muitos antes de ter saído para as salas de cinema!Foi violentamente atacado! Quase tão atacado como o Rocky quando levou mocada no 3º filme, às mãos de Clubber Lang!
Mas como acontece na 3ª sequela, Stallone levanta-se e detona os seus adversários! A crítica vergou-se perante Rocky Balboa! E com razão! O filme é belissímo! Um regresso às origens, a borracha que vem apagar o horrível Rocky V!

Passemos à premissa, Rocky é um homem amargurado que tem uma relação distante com o seu filho e todo o que é bom na sua vida pertence ao passado! Para vencer os seus demónios interiores faz o roteiro da sua vida, visita locais marcantes da sua vida (os fãs recordar-se-ão das localizações), e consegue também uma licença para voltar a combater.
No outro lado do ringue temos Mason "The Line" Dixon! Um Campeão Invicto, que é demasiado bom para ter desafios à altura!
Numa clara piscadela de olho ao Rocky I, o Campeão Dixon desafia o veterano Balboa, e é então que a acção salta para o mítico treino, com direito a gemada e tudo, tudo ao som de Gonna Fly Now do genial Bill Conti! A sequência de treino merece os 5 euros! Acreditem em mim! Após o treino vem o combate! E meus amigos! Que combate! É algo do outro mundo! Fãs mais saudosistas que dirão que o combate contra Drago é melhor, mas para mim este é o combate que define a série! É a luta de um campeão poderoso contra um poderoso campeão!

Além da prestação espectacular de Stallone, o restante elenco é excepcional!
Desde de Burt Young (Paulie), a Marie (Geraldine Hughes), até ao Spider Rico (uma prestação fenomenal do actor!). Mas o grande destaque vai sem dúvida para Mason (António Tarver) este lutador não quer destruir Rocky, nem a sua lenda! Simplesmente quer conquistar o seu nicho ao lado das lendas do Boxe! No fundo ele é feito da mesma matéria que o Rocky, só pede uma chance para mostrar o que tem! Ele respeita Balboa, mas não o teme!

O filme é extremamente fluído! Com excelentes momentos de humor, e alguns carregados de drama!
Filme que foi feito com baixos recursos, mas com uma grande história e um grande elenco!
Quem for ver o filme não vai sair o mesmo do escuro, pois tem uma forte mensagem! A mensagem é: continuar sempre a lutar! Não interessa quão grandes sejam os desafios, temos de os vencer!!!

Obra excepcional, que dura 102 minutos!
Aconselho vivamente! É o fechar com chave de ouro da saga de Rocky Balboa!
É algo excelente! Não tenho medo em classificar: 10/10!!!

06 fevereiro 2007

À Noite, no Museu

À Noite no Museu, uma divertida comédia com Ben Stiller no papel principal, conta a história de um homem divorciado que tenta a todo o custo arranjar um emprego na cidade para poder ficar com o seu filho. Num acto de desespero, ele arranja um trabalho como segurança nocturno num museu de história com uma rica cultura, mas que infelizmente tem poucas visitas. Na primeira noite de trabalho, o museu revela ser mais do que parece ser por fora…

Não fosse pelos anos de dois amigos meus, este filme seria mais um a ficar de fora na minha lista de idas ao cinema. Não que eu não tivesse curiosidade em ver o filme, mas é que o cinema está a fica caro.
Lá fomos nós (eu e os meus colegas de turma) ver o filme, todos cheios de curiosidade e com vontade rir. Comprámos pipocas, subimos as escadas, sentámo-nos e começou a publicidade. Apareceram uns trailers engraçados, mas nada de mais. Safou-se o teaser dos Simpsons.

O filme começa. Ben Stiller aparece e apresenta-nos a sua personagem, Larey Dalley, um homem com um sentido de humor um pouco activo e parvo, mas engraçado. Ele arranja o dito emprego, passa um tempo com a sua família para conhecermos melhor elenco e chegamos ao museu, numa noite que promete ser sombria.
A primeira parte foi uma completa desilusão para mim. Para uma comédia, o filme é muito morto e falta muita acção cómica. O que ainda me surpreendeu foi a ideia de todas as personagens e exposições do museu ganharem vida à noite e como essa ideia foi aproveitada. Teve a sua piada. As rivalidades entre as exposições do exército Romano e a exposição do far-oeste, sempre à procura de uma boa cena de pancada. Os homens das cavernas em bisca de fogo, a exposição da selva com leões e zebras e muito mais.

Larey trabalha completamente só no museu, já que está a substituir 3 guardas antigos que já chegaram á reforma, mas que revelam ser bem mais do que três velhos simpáticos (Dick Van Dyke, Mickey Rooney e Steve Coogan) que gostam de ir jogar dominó aos sábados à tarde...
A primeira parte acaba. Muito dos meus amigos também ficaram um bocado descontentes, esperavam algo mais. Mas ainda havia alguma fé.
Começa a segunda parte. Muito mais intensa e melhorada. O humor está mais agudo e já dá mesmo vontade de rir. A personagem em destaque é sem dúvida o macaco Alex que revela ser um ladrãozinho de primeira e um brincalhão. Larey já percebeu como há-de lidar com quase todas as exposições do museu, mas há algo que falha. E é aqui que começam as típicas cenas de Hollywood. Os três antigos seguranças são, afinal, ladrões que querem chegar ao bem mais precioso da casa: uma placa egípcia antiga que se trata do coração do museu. É ela que dá vida a tudo e todos e se for roubada, tudo terminará (se quiserem saber mais detalhes vejam mesmo o filme).
Típico cliché de Hollywood, mas nunca deixa de ser engraçado de ver. Parece ser uma fórmula milagrosa que nunca acaba.
O filme acaba. O final é previsível e tudo acaba em bem. Curiosamente o museu passou a receber mais visitas depois da balbúrdia que Larrey fez.

Em geral o filme é bom. Passa-se uma tarde agradável a vê-lo, só peca por ser muito ‘pipoca’, mas qual é a comédia que não o é? Stiller faz um bom papel, mas preferi Owen Wilson, tanto pela sua personagem como pelo seu talento. Os cenários estão bons e a melhor exposição é sem dúvida a de Atila, o Huno. Quem sabe se um dia vai haver um museu destes…

6/10

16 dezembro 2006

Eragon

Eragon é um rapaz do campo que vive em Carvahall, no mundo da Alagaësia. Acidentalmente, numa das suas caçadas, descobre algo que julga ser uma pedra azul, mas que na verdade se trata de um ovo de dragão. É então que desse ovo nasce um dragão fêmea, a Saphira. Por causa de Saphira, a história vai tomar um rumo muito diferente do que todos pensávamos…

Numa noite Eragon descobre o seu tio morto na sua casa, depois de um ataque de um dos Ra’zac, criaturas assustadoras que são capazes de qualquer coisa para atingirem os seus objectivos. Eragon vê-se forçado a fugir da sua terra com Saphira e com Brom, um velho contador de histórias que sabe muito acerca de dragões, muito mais do que Eragon imagina. Agora ele terá de treinar para se tornar um cavaleiro, para um dia se juntar aos Varden, os únicos resistentes da guerra, e para derrotar Galbatorix.

Pareceu-vos muito rápida esta sinopse? Pois claro, foi o que se passou no filme. O filme é tão rápido que os aspectos mais importantes da história nem são devidamente explorados. Vou falar aqui de três pontos que achei fulcrais. Dois muito maus e um bom. Duração, elenco e imagem/ efeitos especiais.

1º Ponto: nas adaptações de romances para o cinema põe-se sempre em causa o problema de como adaptar um livro com cerca de 500 páginas, cheias de descrição e de momentos de acção. Há bons e maus filmes, mas exemplos de boas adaptações do género são os da franquia Harry Potter e do Senhor dos Anéis, que apesar de ter muitas partes secantes, respeitou a obra do Tolkien.
É neste aspecto que Eragon falha. 1:45h é muito pouco tempo para contar esta história. O treino do Eragon, a relação entre o mesmo e Saphira, a aparição de Murtagh, a personagem do Brom, enfim, nada disto é bem explorado. Acho que o que merecia mais atenção era mesmo o treino de cavaleiro, até porque numa possível sequela, a adaptar Eldest, o segundo livro da trilogia, o treino de Brom vai ser muito relevante e uma base do segundo treino, já em Ellesméra.
2º Ponto: o argumento fraco e as más interpretações. Não há diálogos “memoráveis”, nada que me tenha ficado no pensamento depois de ter saído da sala. Salvam-se as falas de Jeremy Irons, o grande Brom, a melhor personagem do filme, que infelizmente também foi mal aproveitada. Irons prova ser o melhor actor de todo o elenco. Já os restantes… parecem uns amadores, principalmente Edward Speleers, o Eragon. Ele cativa tão pouco o espectador que a acção perde a emoção. Não se consegue expressar correctamente, tem pouca presença e é fraco a representar. Rachel Weisz, a voz de Saphira, não foi má, mas também não foi excelente. Os diálogos voz-off entre entre ela e Eragon foram péssimos.

3º Ponto: salvam-se os cenários e os efeitos especiais. Tudo é um regalo para os olhos, desde as extensas florestas da Alagaësia até à grandiosa Saphira. Parabéns à Mafilm Fot Studios pela fotografia e à Industrial Light Magic e Weta Digital pelos efeitos visuais.

No geral o filme é muito mau. O filme é rápido demais e já as palavras de Arya o resumiam todo: “Ontem eras um camponês, hoje és um herói”. Principalmente foi isto que se passou.
O filme foi dirigido por Stefen Fangmeier, produzido por John Davis e Adam Goodman, com o fraco argumento de Peter Buchman. Christopher Paolini foi um bocado mal tratado aqui, na minha opinião. Toda a equipa de realização tinha a obrigação de fazer muito melhor.

Nota 5/10

12 dezembro 2006

Casino Royale

Este filme é um prequel da saga nesta época Bond é um agente do MI6 ainda sem os 00 para os ter precisa de matar duas pessoas. Isto é o início do filme, uma sequência a preto e branco em dois minutos onde vemos como Bond obtêm os 00, então entra o tubo e o genérico, que podem ver, aqui com uma magnífica música de Chris Cornell.
Após isto Bond viaja para o Madagáscar onde vai perseguir um bombista cadastrado, Mollaka (interpretado por Sebastien Foucan, o criador do free running) ao longo de uma brutal cena de free running, Bond chega a entrar numa embaixada para capturar Mollaka e destrói aquilo tudo, esta destruição é gravada pelo circuito interno de câmaras e eventualmente transpira para a comunidade internacional o que ira M.
Posteriormente vemos Bond a frustar um atentado terrorista, o que implica uma perda de dinheiro por parte de quem imaginou o ataque. A pessoa afectada neste caso foi Le Chiffre, um banqueiro com ligações a diversos cultos terroristas. Para tentar reaver o seu dinheiro promove um torneio de Poker no Casino Royale no Montenegro. M vê aqui uma hipótese de ouro para capturar este vilão e envia Bond para participar em Casino Royale, dado que o agente é o melhor jogador da agência.

Então Bond chega ao Montenegro onde conhece Vesper Lynd uma contabilista inglesa que tomará conta do 007, e o primeiro diálogo entre eles é simplesmente mágico! Confesso que é um dos (muitos) momentos altos do filme, uma conversa onde a personagem de Bond é simplesmente analisada num plano psicológico.
Então conhecem Mathis, o agente no terreno. E começa o torneio, após uma derrota Bond descobre o tique de Chiffre, e ganha vantagem, mas logo a seguir é traído quando o banqueiro o engana ao usar o tique quando tinha uma mão forte. Danado da vida e falido Bond decide ir matar Le Chiffre, mas o infiltrado da CIA impede-o de financio-o para a ronda seguinte. Ronda na qual Bond quase morre, mas consegue ganhar. Isto leva à derrota de Chiffre que vê cada vez mais os seus empregadores dispostos a matá-lo. Por isso rapta o casal e tenta conseguir o dinheiro de Bond, com uma cena de tortura que magoa qualquer pessoa (outro momento alto do filme), mas Bond demonstra uma enorme resistência e aguenta-se até que entra Mr. White e mata Le Chiffre mas poupa Vesper e Bond. Mathis que afinal era um agente duplo é preso.
Com o mauzão morto pensei que o filme estava a acabar, mas é então que a acção passa para um clínica de repouso onde Bond está em convalescença. Mais tarde levanta o seu dinheiro e enceta uma viagem até Veneza com a Bondgirl… Viagem esta que culmina com uma cena brutal de acção num prédio em ruínas que nunca mais cai e a morte de Vesper e a penúria de Bond. Mas Bond descobre o rasto de quem o tramou e a acção salta para Mr. White a chegar ao seu palacete, quando o seu telémovel toca e ouvimos a voz do outro lado a dizer que precisam de falar. White só tem tempo para perguntar quem é. No momento seguinte está no chão agarrado à perna que foi baleada. À frente de White está Bond que em jeito de resposta diz: Bond, James Bond e o filme acaba.

Notas finais:
- Apesar de muitos fãs, antes de terem visto o filme acusarem Craig, este foi um digno sucessor de Bond sendo um dos mais cruéis e frios Bonds de sempre. Provavelmente só melhorará.
- O carrinho do Bond neste filme é um Aston Martin DBS V12, que é dos mais bonitos que já apareceram na saga.
- Para o papel de Vesper Lynd muitas actrizes estavam a ser sondadas, entre elas as belíssimas Angelina Jolie e Charlize Theron, mas a escolha recaiu para a também muito bela Eva Green;
-Neste filme o único gadget usado é um microchip e alguns microfones;
- O prato forte deste filme são as cenas de luta e a violência crua da história;
- O filme foi gravado, na Republica Checa, Bahamas, Itália e U.K.;
- É notável neste filme alguma falta de jeito nas cenas de luta, propositadas ou fraqueza do actor é algo que cabe ao leitor decidir.
- Um dos grandes problemas no filme é a falta de cuidado prestada ao elenco secundário, pois existem personagens que aparecem sem qualquer razão e outras que desaparecem sem se saber porquê.
- O genérico deste Casino Royale é um dos mais belos da saga, mas estranhamente é o único onde não aparecem mulheres nuas...
- Vejam o trailer aqui.

Por tudo isto o filme merece a nota de 8.9 em 10. É um filme a não perder! Não só para os fãs de Bond mas também para os de cinema de acção... E o carro ajuda: