17 fevereiro 2006

Os Novos Projectos de Grant Morrison

Grant Morrison saiu de mãos cheias da Convenção Wondercon. Durante o evento, a DC Comics divulgou que Morrison será o novo argumentista da série 'Batman'. Talvez venha dar um pouco de ar fresco ao título... Ele irá substituir James Robinson, o actual argumentista deste título.
Quanto ao desenhador ainda é uma incógnita, mas já circulam por aí uns rumores de que um dos irmãos Kubert irá ocupar o cargo. Mas nunca se sabe...
Agora, quanto ao trabalho propriamente dito, o argumentista adiantou que já escreveu o enredo de 15 histórias para a série (!). Segundo o próprio, a primeira edição onde irá colaborar irá ter o título de 'Batman e Filho' e será uma espécie de confronto entre o Homem das Trevas e Talia com os seus Homens-Morcegos ninjas.
Fugindo um bocado do assunto, já sabe que Grant concluiu o argumento de umas das próximas adapatações de BD's para o cinema- WE3 (esta publicação está nos planos da Devir para este ano). Foram acrescentadas algumas cenas que não podiam ser introduzidas no próprio comic, por questões de espaço. Ainda não li esta piblicação, mas parece ser muito boa pelas críticas que são feitas. Foi originalmente editada pela DC Comics no selo Vertigo.
Por fim, temos aqui uma dupla que certamente fará um trabalho espectacular- Grant Morrison e Jim Lee. Estes dois sujeitos irão ser a nova equipa criativa da série Wild C.A.T.S. Este novo arco será uma espécie de One Year Later (o próximo evento da DC) mas em vez de um ano, a série irá dar um pulo gigante de 5 anos. A ser editado pela WildStorm.

Bem, mais seria difícil para um só homem, mesmo sendo um grande escritor que ele é.

16 fevereiro 2006

BD Jornal #10 já nas Bancas

Como é hábito, já se encontra o BD Jornal à venda logo nos primeiros dias do mês. Destaque para duas entrevistas- uma a José Carlos Fernandes (que pode ser lida aqui) e outra a Esgar Acelerado (que também pode ser lida aqui).
De resto contem com "As Últimas" do Festival de Angoulême e as perpectivas do Director da Devir, José de Freitas e de um livreiro da Kingpin Comics. Aqui está em síntese o que vai sair neste BD Jornal de Fevereiro, por Jorge Machado Dias:

"Em mês de balanços, é de balanços que se fala neste número do jornal da Banda Desenhada.

Começando pelo balanço de um editor (José de Freitas, da Devir), seguindo-se um livreiro de uma livraria especializada (Mário Freitas, da Kingpin of Comics) e uma perspectiva do que se passou em França.

De seguida, os prémios do Festival de Angoulême, matéria esta complementada com um pequeno texto de Pedro Cleto, Angoulême – Histórias portuguesas. Depois fala-se de Kotobuki Shiriagari, a revelação do Festival de Angoulême deste ano. Pedro Cleto escreve sobre o livro Zatoichi, de Hiroshi Hirat e João Miguel Lameiras dá-nos a conhecer Jiro Taniguchi.

Osinvito – Divulgação Turística em banda desenhada, é uma nova abordagem, por Pedro Cleto, de um jornal já divulgado no nº 7 do BDjornal. Depois Sara Figueiredo Costa fala-nos da colecção da Bedeteca de Lisboa, Lx Comics – da revista quase futurista, à máquina de atormentar leitores incolores e Nuno Franco introduz-nos no Movimento underground na banda desenhada – Revolução Subterrânea, a concluir no próximo número.

Sara Figueiredo Costa escreve sobre a exposição do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem da Amadora (CNBDI), de que é Comissária, BD Infantil Portuguesa – em traços miúdos.

Pedro Alves explica ao público em geral porque não se deve comprar o BDjornal. E apresentamos nas centrais duas pranchas de Ruben Lopez, autor que vai ocupar o destacável central nas próximas duas edições deste jornal.

É também tempo de uma nova série da 5ª Pedagógica, de Miguel Montenegro que aqui se inicia.

José Carlos Francisco e Júlio Schneider falam de Júlia Kendall, uma série da Editora Mythos lançada há pouco em Portugal e João Pedro Rosa, com Pedro Oliveira, entrevistam José Carlos Fernandes. Prosseguimos com outra entrevista, esta de Hugo Jesus a Esgar Acelerado.

Paulo Guinote escreve Memórias de um Bedéfilo Suburbano e Pedro Cleto, nos seus já habituais apontamentos sobre Coleccionismo e Selos & Quadradinhos.

De seguida há muita matéria, de divulgação de livros e publicações várias, críticas, concursos, eventos, etc…

Claro Botelho finaliza com a nova actividade da Virgin – a Virgin Comics, da Índia para o mercado global.

Num destacável especial (cuja edição terá de ser repetida no próximo número do BDjornal devido a um erro da Gráfica, que desformatou o texto, tornando-o ilegível no seu todo), apresenta-se um resumo do Dossier sobre a BD em Portugal em 2005, que a Bedeteca de Lisboa costuma publicar no seu site todos os anos desde 2001, este ano com ilustrações de Pedro Zamith e que ilustram a primeira página do jornal."

13 fevereiro 2006

Garfield Sem Pensamentos?

Ora aqui está uma proposta bem interessante. Aproveitando para lançar uma discussão, o que acham que aconteceria se retirassemos todos os pensamentos do Gato Garfield nas suas tão famosas tiras cómicas? Bem, como o mundo está cheio de curiosos, eis que alguém se deu ao trabalho de fazer isto e o resultado é o que vocês podem ver aqui em baixo. Talvez um pouco caricato, mas ainda assim não podemos deixar de ver que a verdadeira piada que cada tira contém não desaparece. Também sou um daqueles que pensa que normalmente o cerne da questão reside nos pensamentos do Garfield, só que esta experiência é um pouco intrigante e deixa-me com a impressão de que não ficaria assim tão mal. Deixo-vos aqui três tiras em que foram feitas estas experiências. Para mais cliquem aqui.
Digam lá o que acham.

12 fevereiro 2006

Janeiro em Terror

Apesar de já ser um pouco tarde para os anunciar, os lançamentos da Devir em Janeiro já andam por aí. E talvez a Devir esteja a esgueirar-se para a BD alternativa...
Pois é. Este mês esta editora dá-nos a oportunidade de acabarmos a trilogia 30 Dias de Noite e conhecermos mais um título do género de Terror- Freaks, No Coração da América. Sendo que ambos os títulos são da autoria de Steve Niles, podemos acompanhar dois traços distintos. O primeiro é de Ben Templesmith e o outro é de Greg Ruth.
De seguida, fiquei um pouco confuso com este terceiro lançamento. A avaliar por esta notícia, e também pelo comentário do próprio autor, o lançamento de Talismã, uma BD da autoria de dois portugueses, foi adiado. Era para se realizar na Livraria Almedina, no Atrium Saldanha com a presença dos autores Manuel Morgado e Filipe Faria. Apenas a será mudada a data, pois o local será o mesmo.
Sem mais demoras ficam aqui os resumos deste três títulos:


30 Dias de Noite- Regresso a Barrow
Steve Niles e Ben Templesmith
Nº de págs.: 144
Preço: 14€

30 Dias de Noite é um dos contos de maior sucesso dos nossos dias, tendo já originado uma segunda tiragem em trade paperback, uma futura adaptação para o grande ecrã, e furor entre os milhares de fãs que ansiavam por uma história de terror inovadora. Agora, a mesma equipa criativa revisita Barrow, no Alaska, a cidade onde tudo começou. Mais uma vez, a longa e sombria noite volta a estender-se sobre a tundra.
Algumas coisas podem ter mudado, mas o terror permanece…


Freaks, No Coração da América
Steve Niles e Greg Ruth
de págs.: 152
Preço: 14€

Sob os céus sombrios da América rural profunda, um terrível segredo está escondido há muitos anos. Trevor terá que impedir que o seu irmão mais novo, Will, seja a próxima vítima dos medos de uma comunidade que não consegue compreender esse segredo trágico que une as suas vidas.

“Terror subtil como o de Bradbury, gloriosamente visualizado pelo incrível talento de Greg Ruth”, Comic Book Marketplace

STEVE NILES é um dos mais talentosos argumentistas do comic americano actual. Tornou-se famoso pela sua trilogia 30 DIAS (30 Dias de Noite, Dias Sombrios, Regresso a Barrow), uma original saga de vampiros, já editada em Portugal pela Devir. Em 2005, Niles foi nomeado para o Prémio Eisner de Melhor Argumentista.

GREG RUTH desenvolveu a maioria do seu trabalho inicial na banda desenhada independente e alternativa, até começar a sua carreira na Dark Horse, com este Freaks, a que se seguiu um arco da série regular de Conan.

Talismã
Filipe Faria e Manuel Morgado
Nº de págs.: 72
Preço: 9€

O outrora poderoso Reino de Vergudir foi vencido pelo aço das espadas dos Ugrator. Do seu antigo poder resta apenas um talismã. Um de quatro talismãs que representam o legado dos progenitores e que, quando juntos, trarão um imenso poder ao seu detentor. Um poder que Vihir terá de impedir que caia nas garras cruéis dos Ugrator, contando para isso com o mais improvável dos aliados, o ladrão Jahnar.
Uma espectacular história épica de fantasia, Talismã parte de uma ideia original do ilustrador Manuel Morgado, com argumento de Filipe Faria, e assinala a estreia do autor de As Crónicas de Allaryia na Banda Desenhada.

Textos: Devir

11 fevereiro 2006

Estatuetas #1

Aqui está mais uma das inicitivas da ÁreaBD! A partir de agora iremos mostrar-vos quais são os nossos bustos ou estatuetas preferidas deste grande universo da Banda Desenhada. Esperemos que gostem.
Criada por: Michael Turner
Esculpida por: Tim Bruckner e Tony Cipriano
Preço: 195$

Esta fantástica estatueta da personagem Flash, teve origem no trabalho de Michael Turner nas capas da série do mesmo. Aqui podemos ver que o Flash saiu vitorioso de um confronto com o Gorilla Grodd. Este é um dos principais inimigos deste Super-Herói e teve a sua primeira aparição no comic The Flash #106 (Maio de 1959). Na minha opinião esta estatueta está quase que perfeita e não vejo nenhum erro a apontar.
Foi pintada à mão, é feita de porcelana e tem um preço exurbitante de 195$. Olhem que não é para todos!

10 fevereiro 2006

O Novo Projecto da Marvel

A Marvel Comics tem em mãos um novo projecto cinematográfico. Desta vez será a personagem Deathlok que possivelmente passará para o grande ecrãn. Quem começa por falar da nova aposta da Casa das Ideias é o próprio director do filme, Paul McGuian e diz que pretende começar já com as gravações no fim deste ano. Ele apenas afirmou que está interessado em adaptar a persongem, pois a Marvel ainda não anunciou se irá aceitar ou não. O argumentista do filme será David Self e pelos vistos a história andará à volta de um homem que será utilizado numa experiência que tem como objectivo torná-lo uma espécie de 'Cyborg'.
Deathlok é uma persongem que teve o seu auge nos anos 90 e já teve várias identidades. Nunca li nada sobre a personagem mas talvez seja interessante. Aqui fica uma imagem (ao lado) para verem como ele é.

03 fevereiro 2006

Fãs Tentam Salvar a Série 'Spider-Girl'

Spider-Girl está outra vez em risco de ser cancelada. A Marvel Comics anunciou há uns tempos que este título iria ter o seu fim precisamente no #100. Mas mais uma vez, os fãs da personagem feminina que mais números tem na Casa das Ideias, tentam salvá-la. Outras vezes isto já tinha acontecido mas talvez seja agora o último fôlego da personagem. Digo isto porque cada vez que se salva uma personagem deste calibre (penso que algo baixo) as probalidades de isso acontecer vão baixando.
Mas quem está por detrás desta iniciativa tem muitas esperanças e por isso foi criado um site para que nada de pior aconteça- http://www.savespidergirl.com/. Toda esta missão de salvamento começou num fórum dedicado à Spider-Girl.
E como não poderia deixar de ser um dos mais conhecidos argumentistas do super-herói Homem Aranha e o criador deste heroína, Tom DeFalco, comentou esta situação. Ele afirmou que esta super-heroína vivia só mesmo porque os fãs o queriam.

Por último, estas pessoas incríveis, que eu considero os verdadeiros super-heróis, não ficaram por aqui. Criaram ainda folhetos de divulgação da série mensal 'Spider-Girl' e enviaram-nos para as comic-shops dos States inteiros. E vejam que isso lucrou, porque alguns donos dessas lojas aumentaram as encomendas de produtos da personagem!

02 fevereiro 2006

Nova Equipa no Título ' Wolverine'

Pois é, o tão odiado Humberto Ramos tem aqui um novo trabalinho para a Marvel. Em Maio, a partir do #42, ele passará a desenhar as aventuras do 'Wolverine' e terá ao seu lado o argumentista Marc Guggenhein.
O primeiro arco a estrear esta nova equipa criativa terá seis edições e será um prelúdio do novo evento da editora- 'Civil War'.

Agora, falando do que eu penso... Eu gosto do traço do Humberto, mas às vezes parece que ele desenha as personagens demasiado diferentes do normal. Ele mistura o estilo dos Mangá (às vezes) com o estilo norte-americano que os Comics têm. Neste desenho do Wolverine, por exemplo, as pernas foram desenhadas desproporcionalmente ao resto do corpo. Acho que ele tem capacidade para melhorar este pequenos erros de anatomia, ou talvez ele o faça deliberadamente

Para mais informações não se esqueçam que Joe Quesada irá dar mais desenvolvimentos na Sexta-Feira.

30 janeiro 2006

As Novidades da Marvel

Joe Quesada já começa a tirar alguns trunfos da manga. O Editor-Chefe da Marvel Comics revelou mais algumas informações sobre o futuro de algumas personagens da editora.

Começando pela Guerra Civil que por aí vem ('Civil War') já foi adiantado que quem fará as capas do evento será Michael Turner. Joe salientou ainda que a equipa está a tentar utilizar o menor número de novas séries, possivelmente para não sobrecarregar o mercado de títulos sobre o mesmo evento.

Já em Marvel MAX podemos verificar que esta linha está a dar os seus lucros. Está a ser planeada uma nova série neste selo com o nome de 'Haunt of Horror', da autoria de Richard Corben (argumento) e Rich Margopolis (desenho). Penso que seja uma série já antiga da Marvel que agora terá uma nova edição (penso eu de que). Cada número terá cerca de 4 histórias, com tudo a p/b e com tons de cinza, e irá conter também os textos da publicação original para podermos fazer algumas comparações. Foi acrescentado que os títulos MAX continuarão a aumentar, mas se afastaram um pouco dos Super-Heróis.

Depois temos o já veterano dos X-Men- Salvador Larroca. Felizmente já vai mudar de ares, pois está a afastar-se lentamente dos títulos X. Este homem, que até tem um traço agradável, está sempre metido num buraco em forma de 'X' e sinceramente já cansa. Diz-se por aí que o desenhador está a tentar mudar o seu estilo, mas que não tem nenhum novo projecto nos seus horizontes (nos dois lados estão alguns previews do regresso do Apocalipse). E por falar em espanhóis, está assegurado um contrato em exclusivo com Juan Santa Cruz, que desesenhou o #4 de 'Marvel Adventures Fantastic Four'.

Mas esta avalanche de notícias ainda não acabou. Por um lado, Warren Ellis vai ter o seu próximo trabalho numa personagem feminina (quem sabe se um novo título ou apenas a substituição por outro argumentista num título já existente). Por outro, já podem conferir um fantástico esboço de Alan Davis para 'Fantastic Four: The End' (em baixo). Parece que a moda de "acabar" com as personagem pegou no público ;)
Por fim, temos duas novas possibilidades para o selo Ultimate. Para este ano está agendado um crossover entre algumas personagens de universo ainda em expansão. Quesada afirmou ainda que, apesar de no passado ter discordado de uma hipotética opção de um crossover entre personagem do Universo Ultimate e das persoangens do Universo Marvel normal, essa ideia pode estar na calha dos novos títulos.

A ver vamos...

25 janeiro 2006

X-Men 3

Dantes tinha uma secção só de cinema, mas agora decidi criar uma rubrica em que vou contando as últimas novidades do cinema (é claro, realacionado com a BD) com várias imagens e alguns links disponíveis para os respectivos sites dos filmes. Aqui fica a primeira edição do 'Por Detrás da Tela'...

Foram divulgadas mais imagens reveladoras do filme 'X-Men 3'.
Aqui ficam algumas imagens novas do novo filme dos pupilos de Xavier a estrear no dia 26 de Maio de 2006 nos Estados Unidos . Podem visitar o site oficial aqui. E além disso têm aqui mais alguns sites que falam deste filme:
Começamos por ver uma imagens do Fanático (Vinnie Jones), em que dá para vermos alguns detalhes do seu corpo e o seu aspecto fisionómico para termos uma ideia de como esta persongem irá ser no filme.
De seguida, já podemos ver a Fénix Negra (Famke Janssen) em acção, e olhem que ela não está nada contente... Estará ela a ter outra discussão com Scott Summers? ;)
Continuamos com Psylocke (Mei Melancon) e o seu gangue. Há uns dias já tinha sido revelado que neste filme ela faria o papel de uma vilã. Ela é a que está à direita com o seu habitual cabelo cor púrpura. Ela também fará parte da Irmandandade de Mutantes de Magneto.
E terminamos com imagens das duas personagens que têm os efeitos especiais mais vistosos neste filme. São eles o Fera (Kelsey Grammer) e o Anjo (Ben Foster). Por um lado, a ideia do Fera ser azul está muito bem conguida e até parece que saiu de uma autêntica BD. Por outro temos as asas, quase que perfeitas, do Anjo.

22 janeiro 2006

Arrowsmith

Argumento: Kurt Busiek
Desenho: Carlos Pacheco
Arte-Final: Jesus Merino
Cores: Alex Sinclair
Edições Devir/ Wildstorm

Sem dúvida alguma (para mim) um dos melhores álbuns de 2005 que a Devir editou. Mais uma vez, esta editora aposta na variedade e tem aqui um óptimo resultado. Mas só há um pequeno problema: "É só isto? Fiquei com vontade de ler mais..." Bem, foi isto que me aconteceu. Apesar de ter adorado esta BD fiquei com a sensação de que poderia ter havido mais desta série (que certamente eu compraria).
O Kurt Busiek é um excelente argumentista e até agora, todas as histórias que li dele agradaram-me imenso. Consegue aqui transferir um romance para a BD e a ideia de uma guerra de magia é muito bem conseguida. A forma como ele consegue misturar a realidade com a fantasia é soberba e isso faz com seja um dos meus autores favoritos. Ele conseguiu criar um personagem diferente de todos os outros. Flectcher Arrowsmith sonha em ser aviador da Divisão Aérea Ultramarina e quer participar numa guerra que se está a passar na Europa. Ele sente que os habitantes de lá merecem viver em paz tal como ele. Mas o que sempre o fascinou foi a capacidade dos alistados poderem voar e tal vai acontecer com o próprio. Só mais tarde, Fletcher irá aperceber-se de que aquilo por que ele luta talvez não seja o mais correcto. Apesar de passar por muitas vitórias, terá de passar por muitas derrotas e também por algumas perdas.
A seguir temos Carlos Pacheco. Surpreendeu-me muito (pela positiva) nesta obra, pois tinha ficado com uma má impressão dele no volume do Quarteto Fantástico- Série Ouro. O traço dele melhorou imenso devido à arte-final de Jesus Merino e também devido a uma pintura excelente por parte de Alex Sinclair. Sempre admirei este colorista, pois como sou um fã de Jim Lee, tive sempre oportunidade de o acompanhar e de o apreciar devidamente (é que os trabalhos de Lee são na maioria pintados por Sinclair). No meio disto tudo só houve um pormenor técnico que não gostei muito na arte de Pacheco- foram as expressões das personagens. Muitas das vezes ele não conseguiu assemelhar a expressão das mesmas à situação que elas estavam a viver.
De resto gostei de tudo. Se todos os álbuns tivessem uma história tão rica e convicente como esta estariamos num mar de rosas.
Se estiverem interessados noutros álbuns de Kurt Busiek, aconselho avidamente 'Marvels' ou então 'Astro City'. No caso de Pacheco, esperem pelo álbum dos 'Inumanos' que a Devir está prestes a lançar, pois tem recebido críticas boas.

8.5/10

18 janeiro 2006

O Apocalipse Está de Volta!

É verdade, o arqui-inimigo dos X-Men, o Apocalipse, está de volta e não vem só! Depois da Marvel ter posto na roda os nomes Avalanche, Fera, Fera Negro, Miragem, Gambit, Mística, Ozymandias, Polaris, Destrutor, Sebastian Shaw e Solaris, já foi adiantada uma imagem de um dos Cavaleiros do Apocalipse. Possivelmente será Gambit, já que na capa de X-Men #185 (ao lado), a ser lançado em Abril deste ano, podemos ver o tal cavaleiro com bastão de Gambit, no seu uniforme e Vampira, provalvente a chorar pelo seu amado se ter virado contra os pupilos de Xavier.
Dos doze nomes acima referidos, quatro serão escolhidos para os postos de cavaleiros (são eles Peste, Fome, Guerra e Morte).

Na minha sincera opinião, acho que não adianta em nada vir buscar antigos personagens. O Apocalipse já fez o seu trabalho há alguns anos trás e a Marvel deveria apostar em novos vilões e outras personagens variadas. Estar sempre a bater na mesma tecla nem sempre é uma boa opção e este é mais um exemplo de que a Marvel, passo a expressão, "não tem mais nada para fazer". Enfim, vamos lá ver no que isto dá.

15 janeiro 2006

A Pior Banda do Mundo #5

Argumento e Desenho: José Carlos Fernandes
Edições Devir

Mais uma excelente produção de José Carlos Fernandes. E mais uma vez consegue surpreender-me com as suas histórias tão bizarras e que parecem tão difíceis de imaginar e conceber. O seu talento quer na escrita, quer no desenho deixam uma pessoa com vontade de ler mais. E foi o que aconteceu comigo. Infelizmente, foi há pouco que tive a oportunidade de pegar no primeiro volume desta série. Digo infelizmente porque se soubesse o valor desta BD, já a tinha lido há mais tempo. A Pior Banda do Mundo ensaia todos os dias depois do trabalho, numa cave situada numa cidade desconhecida (mais exactamente, 3 horas por dia). Nesta BD, temos a oportunidade de visitar 'O Depósito dos Refugos Postais', 'O Clube dos Críticos Contritos' ou até mesmo conhecer a 'Fundação para o Recuo da Ciência'. Quando se acaba de ler, percebe-se que praticamente todas as histórias estão interligadas.
Neste 5º volume, o argumento das 23 histórias que lemos ao longo da BD é sempre inovador e quase nunca nos lembramos de nada parecido com tal coisa, mas como o próprio autor indica, os nomes de personagens, de locais ou de objectos são na maioria das vezes reais. Parece-nos tudo tão ficcional, mas não. José Carlos Fernandes tem uma cultura geral alargada que lhe permite criar um clima extraordinário para o leitor.
No desenho JCF tem outro talento incrível. Quem o conhece poderia dizer que, desde que começou a desenhar, pediu a mão emprestada ao Flash. Já produziu quase 2000 pranchas de BD (!), o que o torna o mais prolífero autor de BD em Portugal e certamente o mais conhecido. Ele tem a perfeita noção das sombras, das rugas do vestuário das persongens, da pintura dos vários elementos dos cenários, dos instrumentos musicais que desenha, da expressividade que dá às persongens e ainda outros factores que agora não me estou a recordar. Apesar de a paleta de cores que José Carlos utiliza não ser muito variada, gosto muito do ambiente criado com essa colorização. Parece que recuámos no tempo...

Resta acrescentar que a Pior Banda Mundo já ganhou em 2002 e em 2003 o prémio para Melhor Álbum do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e tem ganho outros prémios do Portal Central Comics.
Já está mais um álbum pronto e estão a ser preparados outros três. Fiquem à espera!

10/10

13 janeiro 2006

BD Jornal #9 Já Anda Por Aí...

Ano novo, BD Jornal Novo. Este mês o BDJ conta com mais uma cobertura ao Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême- Com o Festival de Angoulême no epicentro da Europa da BD Europeia. O mais importante evento sobre Banda Desenhada da Europa dá com a sua 33ª edição (número já longo). O segundo tema é também O Ano da Mangalização, como Gilles Ratier afirma (o presidente da associação de jornalistas críticos de BD em França).
Começa-se assim o jornal com uma Entrevista a Wolinski (de Pedro Cleto), uma análise à Cápsula Cósmica- revista de Banda Desenhada de autor para crianças (Clara Botelho). À Descoberta do Frio- notas sobre Banda Desenhada Finlandesa (Sara Figueiredo Costa), da revista Pilote à Poisson Pilote (Nuno Franco), Júlio Verne nas Cidades Obscuras (João Miguel Lameiras), BD Asiática Manga (Vítor Carvalho e João Bispo). Estes são os temas centrais do Festival de Angoulême.
De seguida, podemos encontrar Tintin em Portugal (de Leonardo Sá), uma publicação holandesa sobre este mesmo tema. Volta-se então aos Diários Gráficos (de Eduardo Salavisa) mais uma vez. Depois uma entrevista a Jim Woodring por parte de Nuno Franco (ainda do FIBDA 2005), a já conhecida Entrevista da Central Comics a Miguel Montenegro, a falar sobre o motivo da sua saida da série Intimidators, da Image Comics. A seguir, um ensaio sobre Star Wars, Cristianizando o Lado Negro, de Daniel Maia, e os Selos e Quadradinhos de Pedro Cleto.
E é também, que pela primeira vez, um estrangeiro escreve para o BD Jornal- o priveligiado foi Dominique Petifaux, escrevendo sobre a BD Hugo Pratt- O Desejo de ser Inútil, para a estante.
Para terminar, temos mais duas críticas de Nuno Franco aos Mangas (em edição francesa) Tensui L'Eau Celeste 1 e 2, de Kazuichi Hanawa, uma página do 3º Vol. de Prícinipe Valente (que na verdade é o primeiro volume) e as BD's de Pedro Alves (no Destacável), Sílvia, e de Miguel Montenegro, 5ª Pedagógica #4.

12 janeiro 2006

O BD Jornal em Portugal

Para muitos, um feito de louvar na BD em Portugal, para outros talvez não. Talvez fosse isto que faltava na BD em Portugal. Talvez só um fanático pela BD tivesse esta ideia.
É desde de Abril de 2005 que podemos encontrar todos os meses nas papelarias ou lojas especializadas, um BD Jornal. Sempre com as notícias fresquinhas (em que a maior parte delas nos é desconhecida) e com várias análises a "Banda Desenhada e não só".
Por enquanto, a tiragem fica-se só pelos 5000 exemplares, mas se continuarem a registar-se boas vendas (isto é apenas uma suposição) pode ser que aquele número acima cresça.
Também é já no próximo mês de Fevereiro que chegamos ao número 10 (muitas revistas sobre este tema talvez não chegariam a este número).

Tenho contribuido, sempre que posso, com algumas críticas aqui da ÁreaBD. Têm sido sempre bem aceites, já que quanto mais material vier melhor. Quem quiser enviar as suas notícias ou críticas pode sempre contactar o Director do Jornal (já me esquecia dele)- Jorge Machado Dias (jorgemachadodias@yahoo.com.br). Cada vez se nota mais no editorial do jornal mais colaboradores, uns já conhecidos no meio da BD, outros amigos do Blogger e ainda outros que possivelmente nos são desconhecidos.
Mas apesar destes colaboradores todos, infelizmente tem-se verificado pouca variedade nos assuntos, sendo os mais escolhidos a Franco-Belga, por certa altura os Comics norte-americanos, de vez em quando o Cinema e os textos do maior Super Texmaníaco de Portugal, Francisco. Só que esse problema já parece, em parte, resolvido já que no número #9 deste mês de Janeiro veremos já publicadas algumas análises à situação do Mangá (ou Manga). Talvez seja este um dos poucos dilemas do BDJ.
Mas se formos a ver, há muita coisa boa neste jornal. Acho que estes são os aspectos mais relevantes:
- A qualidade das notícias, já que são bem escritas e são na esmagadoras maioria interessantes;
- As críticas às BD's que saiem todos os meses;
- O facto de apresentar todos os meses uma BD de um Autor Português;
- Os cartoons da última página que são muito divertidos;
- A cobertura (na hora) dos eventos sobre BD em Portugal (e também os festivais estrangeiros mais importantes).
E é por isso que compro todos os meses. Por ser uma fonte de informação quase que necessária aos bedéfilos do país. É sobretudo importante para fazer com mais pessoas leiam Banda Desenhada neste país (onde dificilmente algo se desenvolve).

Comprem, leiam e apreciem.

29 dezembro 2005

Entrevista a José Carlos Fernandes

Iniciamos com esta entrevista uma nova secção aqui na ÁreaBD: a secção de entrevistas a autores.
Esta entrevista foi feita a José Carlos Fernandes, exclusivamente para a ÁreaBD. A entrevista foi realizada via e-mail.
Também agradecemos a sua disponibilidade por ter respondido ás nossas questões e a sua simpatia.
(As imagens foram colocadas aleatoriamente, sendo que não têm nenhuma ligação com as perguntas a que estão juntas).


ÁreaBD- Quando é que começou a fazer os seus primeiros desenhos?
José Carlos Fernandes- Como quase toda a gente, muito cedo, mas intermitentemente e sem método ou objectivo. Portanto os progressos foram, durante anos quase nulos. Entre os 18 e os 25 anos quase não desenhei. Só considero que comecei a desenhar a sério aos 25 anos. E poucos meses depois estava a fazer a minha primeira BD. Foi por isso que precisei de fazer quase 100 pranchas de BD até que a qualidade do desenho ficasse a par com os textos e a narrativa.

ÁreaBD- E quando é que começou a produzir os primeiros textos?
JCF- Também aí não existia prática prévia. Nunca escrevi nada. O meu primeiro texto surgiu quando tive de fazer a minha primeira BD.

ÁreaBD- Sempre foi fã de BD?
JCF- Sim. Comecei pelas BD's de Walt Disney, pouco depois de ter aprendido a ler, passei depois à revista "Tintin", que publicava várias histórias em continuação (o que nos deixava suspensos até à semana seguinte, para saber como se iria o herói desenvencilhar), e aos álbuns do Astérix e Tintin.

ÁreaBD- Quais foram os seus primeiros trabalhos para editoras?
JCF- Durante vários anos trabalhei para mim mesmo, não esperando vir a ser publicado, até porque o panorama da edição de BD em Portugal pouco tinha a ver com os meus trabalhos. Fui publicando em fanzines. Até que em 1993 surgiu o "Quadrado", um fanzine "profissional", com qualidade equiparada à de revista, editado por pessoas ligadas ao Salão de BD do Porto. Publiquei aí regularmente e o editor do "Quadrado" desafiou-me a fazer uma história de 32 págs. em formato comic-book, que iria inaugurar a colecção "Quadrado Comics". Foi assim que em 1994 fiz "A lâmina fria da lua", que seria o primeiro nº (e último, creio) da dita colecção. Entretanto já tinha publicado, em 1993, em edição de autor, "Controlo remoto". Ainda em edição de autor fiz "Irrealidades quotidianas" e depois em 1996 comecei a publicar pela Pedranocharco, que foi um projecto editorial que naufragou mal saiu do porto. Editei em diversas editoras até chegar à Devir. Mas, salvo raras excepções, não tenho concebido livros a encomenda de editoras – faço o que me dá na gana e depois espero que alguém esteja disposto a editar-me (veja-se o caso de "A última obra-prima de Aaron Slobodj", que fiz em 1997 e só foi editado em 2005).


ÁreaBD- Houve alguém em especial que o motivou a seguir esta carreira?
JCF- Não. Nem sequer a planeei como carreira. Fiz a primeira BD, fiquei interessado, fui fazendo mais, fui explorando diferentes temas e grafismos e sem que eu me apercebesse disso ou o tivesse planeado, tornei-me num "profissional".


ÁreaBD- O público só conhece os seus desenhos de pessoas “normais”. Nunca teve curiosidade em desenhar Super-Heróis?
JCF- Não, os super-heróis não me interessam de todo. As pessoas "normais" são suficientemente ricas e interessantes.

ÁreaBD- A série “A Pior Banda do Mundo” é um dos seus mais conceituados trabalhos. Mas reparámos que nunca põe pontos finais no fim das frases. Há algum motivo em especial?
JCF
- Não é só em "A Pior Banda do Mundo". Deixei de usar pontos finais. Se o discurso já está fechado dentro do balão ou do cartucho, não sinto necessidade de o fechar com um ponto final.

ÁreaBD- Só por curiosidade, onde é que vai arranjar nomes tão esquisitos para as suas personagens?
JCF- É uma história complicada. Por um lado, o meu cérebro, que facilmente se esquece de nomes como Sousa, Silva ou Antunes, retém facilmente nomes como Szymborska, Zelenka ou Zulfikarpašić. Por outro, muitos dos nomes que uso não se limitam a ser esquisitos ou a soar-me bem (isto também é importante), mas remetem para figuras reais, personagens literárias, lugares, etc. Não é indispensável que o leitor compreenda essas alusões para que perceba a história, mas quem conhecer essas referências culturais terá um bónus de entendimento. Raros são os nomes que são escolhidos ao acaso. Por exemplo, criei o nome de Sebastian Zorn, a partir dos nomes de dois dos meus músicos favoritos: Johann Sebastian Bach (1685-1750) e John Zorn, um músico de jazz norte-americano (actualmente com cerca de 50 anos). Não podiam ser mais diferentes: enquanto a música de JS Bach é um monumento de equilíbrio, rigor, serenidade e harmonia, a de Zorn assenta no improviso, no paroxismo, na imprevisibilidade e pode misturar elementos tão díspares como música tradicional judaica e o thrash metal. Ah, e Zorn, em alemão, quer dizer "ira".

ÁreaBD- E como é que consegue ter tanta inspiração para criar estórias tão bizarras?
JCF- Quem sabe de onde vêm as ideias? Esse é o mistério da imaginação. As ideias aparecem de onde menos se espera. O meu trabalho é estar atento, agarrá-las quando passam e voltar a pô-las em liberdade se verificar que não têm serventia. Às vezes são-me sugeridas por uma leitura enviesada: salto uma linha no jornal e aparece-me uma situação insólita. Vou registando as ideias em folhas soltas e depois sistematizo-as numa base de dados de ideias para histórias. Também vou recolhendo nomes de pessoas, lugares, livros, máquinas, inventos, tudo o que possa ser usado numa história.
Mas as minhas histórias não são tão bizarras como podem parecer à primeira vista. Pois são, no fundo, sobre nós mesmos, pessoas banais de uma qualquer sociedade ocidental no princípio do século XXI:


ÁreaBD- Está a pensar em levar esta série até que número?
JCF- Não sei. "A Pior Banda do Mundo" é um projecto aberto. Tenho planos para pelo menos mais 3 volumes: "O Teatro Vegetal Zucchini", "A Sede Provisória do Governo Mundial", "O Atlas Ilustrado da Ilusão Humana". Depois logo se verá.


ÁreaBD Já tem o 6# volume terminado? Quando o poderemos ver nas bancas?
JCF- O vol.6, "Os Arquivos do Prodigioso e do Paranormal", está pronto há 2 anos e será lançado provavelmente em Outubro de 2006. O vol.5 estava pronto desde Abril de 2001.

ÁreaBD Já está trabalhar no próximo número?
JCF
- Estava a organizar as sinopses para os volumes 7, 8 e 9, mas surgiu a oportunidade de fazer "A Agência de Viagens Lemming" e deixei-os momentaneamente de parte.

ÁreaBD- Já sabemos que está trabalhar no projecto Black Box Stories. Pode adiantar-nos alguma coisa sobre a continuidade do mesmo? E porquê a escolha de tal nome?
JCF- Durante muitos anos só tive ideias para histórias que fosse eu mesmo capaz de desenhar. Como sou um desenhador limitado, isto definiu o âmbito do tipo de histórias que criava. Um dia decidi deixar a imaginação à solta, e gostei dos resultados. Na verdade, posso dizer que são as minhas histórias favoritas, de quantas fiz até à data. Mas estas histórias pediam, para serem plenamente realizadas, alguém com mais "visão" gráfica do que eu. Foi então que me pus em busca de cúmplices: propus colaboração aos meus desenhadores portugueses favoritos. Só o Miguel Rocha é que respondeu afirmativamente.
Depois "descobri" o Roberto Gomes num workshop de BD que orientei na Biblioteca Municipal de Loulé. O Luís Henriques encontrei-o noutro workshop, que orientei no curso de BD do Centro de Imagens e Técnicas Narrativas da Fundação Gulbenkian, em Lisboa. Quem me chamou a atenção para a Susa Monteiro foi o José Freitas e o João Miguel Lameiras, da Devir, durante o 1º Festival de BD de Beja, para o qual ela fez o cartaz.
Posso adiantar que há mais 2 "recrutas" que muito possivelmente entrarão no projecto, o Vitor Hugo, português e sem experiência na BD, e Ken Niimura, que vai ser a nossa lança no Japão e nos vai permitir dominar o mercado mundial de manga e ficarmos obscenamente ricos. OK, a verdade é que Ken é espanhol (de origem japonesa) e tem já vários livros publicados. O Ken juntou-se ao projecto porque me pediu um prefácio para o seu último livro e eu, ao ver o seu portofólio, achei que ele era suficientemente versátil para se enquadrar nas BBS.

Quanto ao nome: vejo a inspiração como uma "black box", uma "caixa negra". Há inputs: vive-se, assiste-se, lê-se, ouve-se. E há outputs: peças de teatro, filmes, livros. No meio está o processo criativo: misterioso, insondável, imprevisível. Dei o nome de "Black Box Stories" a esta série não só em referência à caixa negra dos aviões (a BBS nº1 é precisamente sobre a caixa negra de um avião que cai na selva do Yucatan), mas também ao enigma do processo criativo. As primeiras 30 ou 40 BBS surgiram do nada, sem avisar, durante um mês ou dois, sem esforço. Depois acabaram, por mais que espremesse as meninges não surgia nem mais uma. Passado um ano e meio surgiram mais umas 80, em 3 ou 4 meses. E depois a fonte voltou a secar.


ÁreaBD- Não vai desenhar nenhuma estória desse projecto?

JCF- Em princípio não, pois nunca fez parte dos meus planos e as BBS desenhadas até à data têm excedido as minhas expectativas.

ÁreaBD- Sabemos que tem estado a trabalhar noutro proj

ecto- A Agência de Viagens Lemming.

Em que consiste?
JCF- "A Agência de Viagens Lemming" surgiu em resposta ao desafio lançado pelo João Miguel Tavares, do "Diário de Notícias", para fazer uma tira diária em continuação para as páginas de Verão do jornal. A única condição é que o tema tinha de estar relacionado com o verão. Achei que as viagens seriam um tema rico e diversificado. Como acho que uma tira em continuação não tem "substância" suficiente para manter o interesse do leitor, propus antes duas tiras, ou seja uma pequena página de BD. Foi uma maratona, pois tive que fazer uma página por dia, da concepção da história à arte final, durante 62 dias (Julho e Agosto). Como muitas das ideias que tive não couberam nessas 62 págs. e estava "embalado" aproveitei e fiz mais 62, ou seja um 2º volume. Estou agora a tratar das artes finais.

ÁreaBD- Pode-nos revelar a data da publicação destes seus projectos pela Devir?
JCF- "A Agência de Viagens Lemming vol.1: Dez mil horas de jet-lag" sairá no início de 2006 pela Devir, possivelmente com o "Diário de Notícias". O vol.1 das "Black Box Stories", desenhado pelo Luís Henriques, sairá em Abril de 2006, no Festival de BD de Beja. Algumas "Black Box Stories" desenhadas pelo Miguel Rocha estão a ser pré-publicadas na revista "C", do Centro Comercial Colombo.


ÁreaBD- Quais são as suas preferências de leitura a nível de BD?
JCF- Não leio BD de super-heróis (o único livro desta área de que gosto é "Arkham Asylum", de McKean/Morrison) nem de manga. Mas a BD nem sequer é o que me ocupa mais tempo de leitura. Leio poesia, ficção, ensaio (sobre biologia evolutiva, economia, religião, mitologia, música clássica – interesso-me por muitas coisas diferentes), enciclopédias, atlas, dicionários. Se tiver que reencarnar como insecto, quero ser um peixinho-de-prata, um daqueles bichos que se alimentam de livros.
Os autores favoritos da minha biblioteca são:
Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Roberto Juarroz, Carlos Drummond de Andrade, Gonzalo Torrente Ballester, Camilo José Cela, Manuel Vázquez Montalbán, Francisco de Quevedo, Miguel de Cervantes, Enrique Vila-Matas, Antonio Gamoneda, Franz Kafka, Bohumil Hrabal, Milan Kundera, Milorad Pavić, Hans Magnus Enzensberger, Czeslaw Milosz, Heiner Müller, Rainer Maria Rilke, Marin Sorescu, Wisława Szymborska, Albert Camus, André Malraux, Georges Perec, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Alessandro Baricco, Italo Calvino, Andrea Camilleri, Umberto Eco, Sergio Solmi, Francesco Petrarca, Julian Barnes, Bruce Chatwin, Virginia Woolf, T.S. Eliot, Seamus Heaney, William Shakespeare (os sonetos), Charles Tomlinson, Ray Bradbury, Douglas Coupland (até "Polaroids from the Dead"), Sam Shepard, E.B. White, Robert Bringhurst, Frank O'Hara, Walt Whitman, António Lobo Antunes, Rui Nunes, Eça de Queirós, José Saramago (antes do declínio iniciado com "Ensaio sobre a cegueira"), Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, Herberto Helder, Luis Miguel Nava, Almada Negreiros, Alexandre O'Neill, Fernando Pessoa (sobretudo Álvaro de Campos). Estou agora embrenhado na leitura de um ensaio fascinante (e espesso: quase 700 pg) de David Landes, intitulado "The wealth and poverty of nations: Why some are so rich and some are so poor", uma história económica do mundo desde a Idade Média aos dias de hoje.

ÁreaBD- Qual é a sua personagem de BD favorita?
JCF- Identifico-me mais com autores e livros do que com personagens. Se tivesse mesmo de escolher uma seria Corto Maltese.

ÁreaBD- Quais são os seus autores preferidos?
JCF- Na BD: Will Eisner, Neil Gaiman, Ben Katchor, Winsor MacCay, David Mazzucchelli, Dave McKean, Jon J. Muth, George Pratt, Chris Ware, François Boucq, François Bourgeon, Nicolas De Crecy, Hermann, Jacques Loustal/Paringaux, François Schuiten/Benoît Peeters, Alberto Breccia, José Muñoz/Carlos Sampayo, Hugo Pratt, Stefano Ricci, Miguelanxo Prado.

ÁreaBD- Pode dar um conselho para aqueles que querem seguir a carreira de artista de BD?
JCF- Guardaram para o fim a pergunta mais difícil.
Não há receitas nem fórmulas de aplicação geral. Cada um tem que descobrir o seu caminho, consoante a sua personalidade, os seus interesses e os seus objectivos. A minha experiência pessoal de pouco servirá para quem queira vir a desenhar os "X-Men".
Os conselhos que posso dar são necessariamente muito genéricos:
1) Para quem desenha, praticar até cair para o lado, e evitar copiar os desenhadores idolatrados. Desenhar a partir do natural, de modelos, de fotos (tiradas por si mesmo ou pilhadas a revistas e jornais), mas não dos desenhos de outros, senão será difícil desenvolver um estilo pessoal.
2) Para quem quer ser argumentista, ler muito e de forma alguma só BD. Ler muito, não para tomar modelos, mas a) para se ter uma noção da vastidão do mundo da literatura e da experiência humana, b) para se perceber o que já foi feito (não vale a pena tentar inventar a roda outra vez) e c) o que não deve ser feito (nesta área não vale a pena perder muito tempo).

27 dezembro 2005

Os 'Sketchs' de Madureira para Ultimates

Joe Madureira continua a trabalhar na última proposta que a Marvel Comics lhe fez.
Jeph Loeb irá escrever o argumento e Madureira será o desenhador de serviço para o 3º vol. de Ultimates, estando ainda a preparar alguns 'sketchs'. Como já tinhamos visto numa notícia anterior, aqui na ÁreaBD, Mark Millar e Brian Hitch sairam deste projecto para dar lugar a estes dois senhores. Millar e Hitch decidiram avançar para outros projectos mais comprometedores e chegaram a afirmar que seriam os maiores projectos das suas vidas.
Mas o que eu queria deixar nesta notícia era na verdade os dois últimos desenhitos de Madureira.
Apesar de estes serem alvo de algumas críticas (devido à parecença com o estilo dos Manga), eu aprecio-os muito. Os desenhos do Brian Hitch já estavam na revista há um bocadinho de tempo e já cansavam um pouco. Eu também não sou muito fã da arte dele, por isso sou suspeito.
Bem, aqui ficam eles:



















Feiticeira Escarlate e Homem de Ferro


Quem os quiser comprar os primeiros números, não se esqueça que em princípio serão lançados no segundo se-mestre de 2006.