25 abril 2008

Nova Loja de BD em Almada

É amanhã que se dá a inauguração de uma nova loja dedicada à 9ª Arte, desta feita em Almada. Hugo Teixeira (o autor do recente Bang Bang) e Ana Vidazinha são os cabecilhas deste novo estabelecimento que vem tentar dar um pouco mais de BD à população deste país.
Situada no Centro Comercial Faraó, mais especificamente na 4ª Loja, a Asa Negra Comics abre as portas amanhã às 15 horas. Vários produtos estarão disponíveis, desde Comics, Merchandising, Jogos de Tabuleiro ou até o serviço da Previews, onde poderão fazer as vossas encomendas mensalmente.

Fica aqui a sugestão: www.asanegracomics.com

20 abril 2008

Secret Wars

Argumento: Jim Shooter
Desenho: Mike Zeck e Bob Layton

Decidi ler este livro mais pela sua característica histórica do que pela a história em si. Afinal este foi o primeiro crossover na história dos comics, ou seja, a primeira mini-série onde vários heróis e vilões se juntaram para que dessem origem a um grande evento de pancadaria. Este livro também me surge numa altura em que os crossovers dominam o mercado norte-americano, como se pode constatar neste e outros anos passados, onde existem logo dois ou três eventos anuais. "Fans vote with their dolars" disse Joe Quesada há uns dias quando questionado por um fã se os mega-eventos da editora não estariam a ser demasiados. E eu não lhe podia dar mais razão.
A única coisa que sabia acerca deste "Guerras Secretas" era que os heróis da Marvel, juntamente com um punhado de vilões, tinham sido transportados para um mundo alienígena. Desconhecia a participação do Beyonder como entidade cósmica causadora deste embate entre titãs, tal como não sabia bem quem figurava na história, portanto, não houve grande trabalho de pesquisa prévio da minha parte.
A premissa deste conto, esclarecida logo de início pelo próprio Beyonder é a de que quem ganhar aos seus inimigos neste batalha (Bem vs. Mal) poderá pedir qualquer coisa em troca. Ao invés de serem criadas apenas duas facções, os heróis e os vilões dividem-se em várias outras por haver uma extrema colisão de ideias. Basicamente, ninguém se entendia.
O ponto alto desta mini-série nem é o facto de quase todo o plantel da Marvel estar incluído ou as inúmeras cenas de luta, mas sim a caracterização das personagens. Esse é para mim o aspecto fulcral. Jim Shooter consegue captar na perfeição a essência de cada personagem, mas especialmente o Dr. Doom. De uma forma não muito óbvia, Shooter mostra que Doom não se tornou apenas naquela carapaça de metal que cobre o seu corpo, mas que ainda no seu subconsciente existe algo de humano dentro de si. Isto pode soar meio cliché, mas a cena nem é aquele típico momento em que o vilão descobre que ainda é humano e faz um acto heróico. Não. Doom fá-lo mesmo inconscientemente, fazendo com que haja um conflito de personalidades, o que torna o trabalho de Shooter ainda melhor.
É claro que este aspecto não salva toda a obra, mas ainda assim para aqueles que gostam de saber mais sobre a Marvel pode ser uma leitura agradável. Se forem daqueles que procuram uma arte boa, não se iludam. Mike Zeck até se safa bem, mas não é nada de extraordinário. O coitado do homem não percebia muito de anatomia humana, especialmente dos pés, mas enfim, para a época não se podia pedir muito. O único Deus da altura era o Senhor Romita.

Nota: 7/10

19 abril 2008

Daniel Maia na Marvel

É verdade meus amigos, o provavelmente mais dotado desenhador de Comics em Portugal parece que finalmente conseguiu um lugar ao sol nas terras do Tio Sam. Daniel Maia foi escolhido pela Marvel através da iniciativa Chesterquest, organizada por C.B. Cebulski, para desenhar um especial da personagem Ms. Marvel. Esse especial faz parte de uma série de outros comics escolhidos para outros vencedores da Chesterquest.

Antes de mais queria dar os meus parabéns ao Daniel por este feito. Sei que sempre tentou ter um lugar nos comics americanos, mas que por um motivo ou outro não tinha sucesso. Espero que o seu trabalho não se resuma a este especial e que ele se torne um dos melhores na Casa das Ideias. Boa sorte para esta nova fase.

26 março 2008

Preview de 10 Páginas de Secret Invasion

A Entertainment Weekly divulgou há poucas horas um preview de 10 Páginas da proxima grande saga da Marvel Comics - Secret Invasion. Depois de termos acesso a apenas três páginas há já uns tempos no catálogo da Previews, a Casa das Ideias decidiu abusar um pouco para aumentar o interesse nesta Invasão.
É pena não o poder postar aqui, devido à impossibilidade de guardar as imagens no PC, mas consegui disponibilizar pelo menos a capa para os interessados. Apesar de esta estar francamente boa, a de McNiven é mesmo a melhor para esta série. Para verem o preview basta clicar aqui.

A arte de Leinil Francis Yu está muito melhorada, em grande parte devido às cores mais limpas e mais agradáveis. Em Avengers também gostava dele, mas penso que aqui melhorou imenso. Quanto ao argumento, não li nem vou ler, só quando tiver a edição em mãos.

25 março 2008

Project Superpowers #0

Argumento: Jim Krueger e Alex Ross
Desenho: Stephen Sadowski, Doug Klauba e Alex Ross

Superpowers é talvez o comic mais esperado para este início de 2008, muito em parte pelo nome dos autores, como o conhecido Alex Ross e o seu, agora frequente, colaborador Jim Krueger, Os dois haviam trabalhado juntos na mini-série Justice para DC, onde até conseguiram uma muito boa história um bocado fora dos estereótipos actuais dos super-heróis.
Nesta série o objectivo é outro. Além de terem um pouco mais de liberdade por estarem a trabalhar numa editora independente, os autores tiveram de criar um rol gigantesco de personagem, que na verdade são mais uma "missão se salvamento" de personagens da Era de Outro do que propriamente uma criação.
Infelizmente não é Ross que desenha, o que tira grande parte da essência que esta leitura poderia tem. A coisa ainda piora não só pelo verdadeiro desenhador ter capacidades duvidosas como também pelas capas chegarem a ser um engodo para o leitor pensar que o interior será tão belo.
Pode-se dizer desde já que este comic (pelo menos este número) é uma valente trampa. Não sei se é mais pelo hype que foi criado em volta da série, com tanta cobertura pelos sites especializados e com a intervenção de autores que são muito bem cotados, mas o que é certo é que a história de Superpowers é confusa e sobretudo chega a ser desinteressante. O que mais gostei de Krueger na sua antiga mini-série foi exactamente o seu argumento detalhado e longo, mas eu já conhecia todas as personagens o que facilitou a leitura e a tornou mais interessante, mas neste comic é nos mostrado um mundo completamente novo e diferente (apesar das óbvias referências à história mundial) o dificulta a leitura. As personagens são novas, não conhecemos os seus poderes, atributos ou defeitos, não conhecemos a génese de nenhuma delas (mesmo que alguns poderes sejam evidentes) e também não sabemos o seu objectivo (sem ser o de salvar o mundo). Onde quero chegar é que a trama está muito mal construída, chegamos a ver 20 ou mais personagens numa só página sem conhecermos nada sobre eles. Até um deles morre numa sequência desleixada e sem sentido nenhum.
Basicamente somos confrontados com uma enxurrada de personagens que não conhecemos de lado nenhum, que falam sobre coisas das quais não percebemos nada e que levam a situações em que ainda menos se sabe. Além disso, o facto de a história andar à volta da Pandora Box (sim, aquela caixa mitológica que no fundo não é uma caixa, mas sim uma urna) é completamente chato, ainda para mais quando se mistura esse mito com o Hitler e a Segunda Guerra Mundial. BORING!
Acho que já falei demasiado mal de Superpowers. Talvez nos próximos números isto melhore, mas não quero estar lá para ver. Just buy if you're a true believer! Se estão à espera de uma boa história este não é o comic indicado. Se quiserem jogar à cabra cega, aí sim, é uma boa leitura para este mês.

Nota: 3/10

24 março 2008

Preview de All Star Superman #10


A DC divulgou um dos melhores previews dos seus lançamentos desta semana. Falo é claro de All Star Superman #10, com arte soberba de Frank Quitely. Ao que parece a editora não quer revelar muitos detalhes sobre esta edição, já que a sinopse esclarece muito pouca coisa sobre o que se irá passar. Há que ter em conta que no número 12 a run de Grant Morrison e Quitely irá ver o seu fim para que surja uma nova série nos mesmo moldes, mas desta feita em formato ongoing, portanto a DC não deve querer desvendar muitos detalhes.
Ainda não há certezas sobre a permanência de Morrison no título, mas o desenhador irá mesmo abandonar a série. Ao que parece, a DC quer fazer uma espécie de Ultimate Superman, com uma nova origem e uma história diferente. Resta-nos saber para onde irá Quitely depois deste seu excelente trabalho à frente do Azulão. Aos que não conseguiram apanhar o primeiro desta série, aproveitem o próximo Free Comic Book Day que irá ocorrer já no próximo mês. Como o nome sugere, vai ser distribuida uma cópia grátis do número 1 de ASS, como também outros comics (nomeadamente Hellboy/ B.P.R.D) nas lojas especializadas portuguesas.



Esta semana com 32 páginas a $2.99!

23 março 2008

Criminal 2 #1 - Second Chance In Hell

Argumento: Ed Brubaker
Desenho: Sean Phillips

Gnarly Brown, filho de Clevon Brown, nasceu no seio de uma família abastada, para a qual o seu pai trabalhava há já vários anos após um acordo entre ele e Walter Hyde, um homem que se tornou o mais influente da sua cidade. Clevon converteu-se no braço direito de Hyde acompanhando-o para qualquer lado. Qualquer decisão que fosse tomada em relação aos negócios escuros que ocupavam Walter na maior parte do seu tempo, tinha sempre de passar por Clevon antes de andar para a frente. Ele era sem sombra de dúvida a pessoa com o papel mais preponderante na vida de Walter, não tivesse sido ele o responsável pela sobrevivência deste homem há uns anos atrás.
Clevon acabou por morrer de cancro, deixando para trás o filho Gnarly sem qualquer família, apenas Walter e o seu filho Sebastian Hyde para o acompanharem. É claro que os pais destes dois rapazes queriam que os filhos lhes sucedessem e se tornassem exactamente como eles no futuro, mas Gnarly não pensava assim, ao contrário de Sebastian. Gnarly tinha uma forma muito própria de pensar, o que o levou a ser um pugilista profissional, ao lado do seu treinador Tweedy. Ao longo do tempo conseguiu ganhar respeito entre todos os seus adversários, sem nunca ter perdido um combate. Até que apareceu a mulher que lhe iria dar a volta à cabeça. Ela veio para fazer com que a sua vida nunca mais fosse a mesma, mas também desapareceu com esse mesmo objectivo. Anos se passaram até que Danica se voltasse a intrometer na vida de Gnarly, mas não com o objectivo de o voltar a ver, não. Acabar com Sebastian Hyde era o trabalho que havia para fazer e ela não hesitou em ocupar-se desse cargo, após uma história a dois muito mal acabada. Mas isso valeu-lhe a vida. E também a carreira de pugilista de Gnarly. Tudo pelo amor da sua vida.

É como eu digo e não me canso de repetir - Brubaker is the man! O homem consegue tornar qualquer história, qualquer personagem ou qualquer ambiente em algo magnificamente interessante, que valem todo o dinheiro que se paga para ter a história. Além disso, o esforço para conseguir publicar cartas dos leitores e artigos sobre filmes noir é sempre de louvar. Também não esquecer a principal nova característica de Criminal - a excelente qualidade do papel. E isto é apenas um comic, que se tornou numa autêntica "crime mag". Quem compra os trades fica, como é óbvio, muito descontente pois fica sem acesso aos artigos e às futuras entrevistas (e outros bónus) que Brubaker introduziu neste comic. E já houve várias queixas de compradores dos TPB's, mas o argumentista rematou que são estas pequenas coisas que os leitores mensais merecem, pois são eles que fazem com que o comic viva, e não poderia haver verdade mais incontestável.
Sean Phillips melhora a cada edição que até mete impressão. As expressões das personagens, os backgrounds, o storytelling e tudo mais tem um toque muito especial deste artista. Além disso, as cores de Val Staples são também algo a sublinhar, pois sem este também excelente trabalho, Criminal não seria Criminal.
A última nota vai para a capa desta edição, que está espantosa (e o artwork de apresentação do novo arco também tem grande qualidade). As outras edições também tiveram capas muito boas, mas esta é a melhor, na minha opinião.

Nota 10/10

War Heroes, Nova Série da Image

War Heroes é o próximo grande hit da editora Image, que promete vender muitas cópias deste comic, tendo em conta a magnífica equipa autores. Falo é claro de Mark Millar e Tony Harris, o autor de Ultimates e Kick-Ass e o desenhador de Ex-Machina e das capas de Conan.

Segundo Millar, este é o culminar de todos os conceitos que tem vindo a desenvolver nos seu últimos comics, nomeadamente Ultimates, Authority ou Wanted, que usavam a proximidade com a realidade como principal característica. Millar chega a classificar esta série de Ultimates 3, à sua maneira. Além disso, este é um sonho antigo de Millar, em que pode fazer uma série com a habitual liberdade criativa concedida pela Image juntamente com um "belo trabalho artístico" por parte de Tony Harris, o que é absolutamente verdade pelo que podem ver na capa ao lado.

Aqui segue a sinopse feita pela própria Image:
"In an America not too far off from our own, terrorism has scorched the Earth. Our once great nation has shattered into a bastardized, third world version of its previous self. When traditional tactics prove obsolete in this new country, America's military force turns to the last weapon with any hope of - superhumanity."
Com certeza que esta série não me irá escapar, pois tenho grandes expectativas em relação a ela. Só os autores fazem com que esta possa ser uma das séries do ano, agora só depende de Millar e da história que nos vai mostrar. Sai dia 25 de Junho numa mini-série de 6 números, quem quiser encomendar terá de o fazer já no próximo mês através da Diamond. Para verem um preview da arte, cliquem aqui.

22 março 2008

Amazing Spider-Man #549-551



Argumento: Marc Guggenheim
Desenho: Salvador Larroca

A verdadeira estreia de Jackpot dá-se neste segundo capítulo de Brand New Day, fase do Aranhiço que está a causar motins entre as associações de fãs da personagem. A cada três números, que saem semanalmente durante um mês, dá-se a renovação quer do argumentista, quer do desenhador. Neste caso, o homem escolhido foi Marc Guggenheim, juntamente com o artista Salvador Larroca, desenhador este que insiste em mudar a sua arte em cada trabalho seu. Além de Dan Slott, Guggenheim, Bob Gale e Zeb Wells, Joe Casey é o mais recente membro da equipa BND, ao lado de Mike "Green Lantern" McKone. Ao que parece, estes dois vão fazer algo parecido com a saga do clone...
Eu pensei que Dan Slott era o escritor por excelência do Aranha moderno, mas estava um pouco enganado, especialmente por causa da história que ele apresentou no seu mês de trabalho. Não que a culpa seja sua, pois as pressões editoriais talvez o tenham obrigado a fazer coisas que ele talvez não quisesse (meter o Peter a beijar o Jameson...), mas até a história de fundo que ele apresentou foi um bocado pobre. Tudo bem, introduziu um novo vilão que saiu do Photoshop, mas ainda assim conseguiu deixar ali um bom cliffhanger. Mas não é desta que me convence. Talvez daqui a alguns meses quando voltar.
Já Marc Guggenheim conseguiu fazer exactamente aquilo que este título pretende - meter um monte de piadas características do Aranha, meter o bom velho desesperado Peter em busca de fotos para o novo The DB (Daily Bugle, agora com novo director), introduzir também um novo vilão (que podia ser melhor conseguido, mas com o tempo pode melhorar) e outras coisas mais. O problema é que Slott só conseguiu as piadas e cometeu o erro de pôr um Peter vádio nas noites de Nova Iorque em busca de um pouco de "diversão", o que invalida um pouco a ideia de "portas abertas para novos leitores, sem nada que possa tornar a trama adulta e, acima de tudo, tornar o Peter um exemplo para a juventude.".

Até agora já temos Mr. Negative (Dan Slott), Grey Goblin ou Menace (Guggenheim) e Freak (Bob Gale), que se juntam assim à já extensa galeria de vilões do Aranha. Jackpot também pode ser considerada uma nova aquisição, apesar de ela ser quase de certeza a MJ. Até gostei deste team-up entre ela e o Aranha, adequou-se muito bem ao ambiente que Marc transpôs para o comic. Ainda não li o arco do Bob Gale, que apresenta esse tal de Freak, mas pelas críticas que tenho lido está muito mau. Veremos.
Ainda assim a minha curiosidade está mais em cima quando penso no arco de Zeb Wells e Chris Bachalo. Acho que este será uma boa aposta, mas nunca sabe o que a Marvel nos reserva.
Nem vou falar de Salvador Larroca. Tenho pena de dizer isto, mas o homem até tem capacidades, só que não as aproveita. É muito desleixado e os seus cenários são do pior que existe. Lá experimental ele consegue ser, mas até hoje só me convenceu em Extreme X-Men, nada mais.
Só não dou uma nota mais alta a este comic por causa do desenho. Se tivessem posto o Mcniven neste mês, talvez ficasse melhor.

Nota: 6/10

21 março 2008

Batman: Gothic

Argumento: Grant Morrison
Desenho: Klaus Janson

Este é daqueles livros que não são muito fáceis de classificar ou criticar. Grant Morrison é capaz de criar uma história tão bem elaborada que quem a lê fica sempre com a ideia que há sempre alguma coisa que escapa. E de facto isso acontece neste livro. A história é muito boa - vilão misterioso, mortes misteriosas, aparente regresso dos mortos e um ambiente muito negro, em grande parte por causa do traço de Klaus Janson.
Todos estes factores conjugados levam a que seja preciso um pouco de calma para ler esta história, também devido ao argumento ter um sentido um bocado metafórico em detrimento de uma abordagem mais directa. Prova disso é a de que o Homem Morcego nem é o principal lesado pela aparente onda de crime de Mr. Whisper, o homem que fez um pacto com o Diabo há cerca de 300 anos para que pudesse ver a sua esperança de vida aumentada, permitindo-lhe assim escapar a uma praga que tinha afectado uma pequena parte da Áustria, levando todos os seus irmãos da Abadia à morte.
Este homem passou por inúmeras identidades, desde um padre residente na Áustria até ao Director de uma escola privada antiga onde Bruce Wayne havia estudado. Desde o início do seu pacto que Mr. Whisper, Manfred ou Mr. Winchester tem vindo a preparar o seu último golpe para que possa prolongar ainda mais o seu tempo de vida. Esta preparação leva-o a matar crianças indefesas (das quais Bruce poderia ter feito parte), utilizar cadáveres de padres, irmãos seus, para obter de novo o vírus da praga do passado.
A morte dessas tais crianças leva a que um grupo de homens da Máfia de Gotham City tente assassinar este indivíduo, muito por causa das pressões da polícia local. Mas isso foi há 20 anos. Agora, Mr. Whisper voltou para se vingar de cada um dos 5 homens que o tentou assassinar sem sucesso. Um por um...
Morrison é um daqueles argumentistas que pode gerar ódios e amores numa só história. Pelas críticas que li por aí, deparei-me com opiniões um pouco negativas em relação a este conto, devido à sua complexidade que rapidamente se pode tornar em algo incompreensível. Mas não é imediatamente a esta leitura que se percebe toda a trama em redor de Batman: Gothic. É preciso algum tempo para digeri-la e aí sim, apreciá-la ao máximo. Para isso é preciso, como já disse, uma leitura calma e sem pressas para que se possa tirar o máximo proveito. Isto até faz lembrar um pouco o mestre Alan Moore, em que se não houver cuidado na leitura das obras do senhor, metade do que se leu passa ao lado.
Quanto ao desenho de Klaus Janson, percebe-se que a arte envelheceu um bocado mal, mas já se notam algumas aproximações às técnicas utilizadas hoje em dia, como a interpretação mostrada em algumas vinhetas. Também é visível que Janson trabalha muito melhor com artes finais do que no desenho propriamente dito. De qualquer forma não vejo como a arte poderia ficar melhor neste livro. Talvez uma colaboração com Frank Miller pudesse ter sido uma boa aposta, mas talvez ficasse muito idêntico às obras antigas do mesmo (Batman: Year One).

Nota: 9/10

20 março 2008

Marvel Zombies 2 #1-5



Argumento: Robert Kirkman
Desenho: Sean Phillips
Capas: Arthur Suydam

Mark Millar criou o mundo dos Zombies. A Marvel criou a mini-série. O sucesso criou a segunda mini-série. Será que Robert Kirkman nos trará uma terceira saga dos Zombies mais medonhos da Casa das Ideias? Parece que sim, visto que esta mini acaba com o habitual cliffhanger a que este autor nos tem habituado.
Nesta mini-série não travamos apenas contacto com zombies que andam dum lado para o outro a comerem o que lhes aparece à frente. Não. Aqui temos Zombies desesperados por não terem comida, isto porque já comeram todo o Universo (excepto uma pequena parte da população do planeta Terra)! A única maneira de escapar a este terror é encontrar a famigerada máquina de viagens Inter-Dimensionais criada pelo já falecido Reed Richards. O problema? Está na Terra protegida pela facção ainda viva não afectada pelo vírus!
Confesso que preferi muito mais esta mini-série à original, também de Kirkman. As personalidades dos Zombies estão melhor construídas e finalmente vemos o lado humano que estes tempo tiveram escondido. Além disso, é uma referência clara a Civil War, em que temos uma guerra entre os afectados pelo vírus e os sobreviventes. Além disso, o leque de personagens é muito mais vasto e não se resume apenas a Zombies, mas também a alguns humanos, mais especificamente a população de Wakanda.
O fim desta história promete uma vingança por parte dos Zombies, que não me parece que vá ser lá muito calminha. Os Zombies foram transportados para outra dimensão contra a sua vontade e na possível terceira série com certeza que iremos descobrir um novo mundo (que será atormentado pelos recém chegados Zombies) e também veremos como os nossos heróis se irão safar.
O desenho continua a ser o mais adequado ao tema, apesar de não se adequar bem ao estilo de Sean Phillips. Em Criminal é que Phillips mostra que é um excelente ilustrador, tanto nas capas como nos interiores.
As capas continuam excelentes, não fossem elas de Arthur Suydam, o verdadeiro zombie infiltrado na Marvel. Já o punham a desenhar alguma série da Marvel, seria sucesso garantido.

Nota: 8/10

19 março 2008

Crise Infinita #1-7



Argumento: Geoff Johns
Desenho: Phil Jimenez, George Pérez, Ivan Reis

A Marvel teve a Guerra Civil (que está prestes a sair aqui em Portugal pela Panini) e a DC, numa forma de tentar travar a sua adversária, decidiu criar mais uma Crise, desta vez Infinita! E se pensávamos que para conclusões bastantes fracas a Marvel já nos chegava, eis que a DC se esmerou e encarregou Geoff Johns de fazer uma coisa que se calhar nem ele sabe bem o que foi. E digo isto com muita pena, pois Johns é sem dúvida um dos melhores argumentistas da actualidade (veja-se a excelente saga do Lanterna Verde).
Crise Infinita começa de uma forma bastante esquisita. Nota-se bem que nem uma introdução existe, não nos é apresentado o objectivo da saga nem sequer se sabe bem o que passa na trama. Parece que os tais tie-ins são essenciais para uma pessoa se orientar. Tudo começa com a Trindade a encontrar-se na base Lunar da Liga da Justiça, ou os destroços que dela sobram. Segue-se um típico diálogo entre os três onde é referida a morte de Maxewll Lord, por parte da Mulher-Maravilha. "Não conheço mais você..." reclama o Super-Homem para Diana, um típico cliché que nem Johns conseguiu evitar! De repente aparece um vilão do qual o nome já não me recordo que, obviamente introduzido a pontapé, começa a distribuir murros por cada um dos intervenientes. O desfecho é óbvio - o tal vilão é derrotado e foge sem dar sinais.
Ao longo da trama, vamos tendo uma visão do que se passa na Terra, ou seja, o caos total. Equipas de vilões a matarem super-heróis à brava (muitos dos quais nem os conheço), heróis esquecidos a renascerem, etc. Até o Homem Animal regressou, mas depois, ao longo dos restantes seis números nunca mais o vi!
É então que nos são apresentados os vilões principais desta saga - Kal-L (juntamente com a Lois Lane da Terra-2), Alexander Luthor (também da Terra-2) e Superboy-Prime. Este último irá andar em toda a série a queixar-se que nem um bebé chorão que ele é o verdadeiro Superboy e não aquele que nós conhecemos... Um ponto muito importante na história!
Aqui também há lugar para uma luta entre os dois Super-Homens, como se não houvesse amanhã, luta essa que também é introduzida a pontapé. Conclusão desse embate "Tinhas razão Super-Homem da Terra-1. Todo este tempo fui iludido e levado a crer que a Terra-2 era o ideal para todos nós. Eu estava errado...", ou seja, não se aprende nada. Ele é lutas descartáveis, mortes inúteis (como a do Superboy), ele é tudo o que não deveria ser feito. Até o fim da Crise é uma treta, com aquele habitual "I'll be back!". O único ponto alto da série foi... bem, não me parece que alguma coisa tenha sido bem aproveitada, nem sequer os diálogos salvam isto.

Ainda há que salientar o péssimo story-telling de Phill Jimenez, que teve de ser auxiliado por Pérez e Reis para que a Crise pudesse sair lá nos States a tempo. Ao menos dignavam-se a atrasar a série por um mês, como a Marvel fez com a Guerra Civil. Gostei muito de Jimenez em New X-Men com o Morrison, mas aqui detestei-o.

É claro, Nota 4/10!

18 março 2008

Daredevil #100-105 - Without Fear



Argumento: Ed Brubaker
Desenho: Michael Lark e Paul Azaceta

Brubaker iniciou a sua já longa viagem no número 82 com a personagem Daredevil e até lá tem confirmado o porquê de ser um dos melhores a trabalhar na indústria dos comics americanos, como tenho referido inúmeras vezes em vários posts aqui no blog. O homem está em todo o lado - ele é X-Men, é Capitão América, é Criminal, é uma infinidade de coisa. Isto tudo porque o seu valor é reconhecido, muito mais do que na DC. Para mim, sem contar com Daredevil que apenas sigo desde o número 100 (para mal dos meus pecados), a melhor série escrita por este senhor é sem dúvida Criminal, que actualmente está com um formato muito bom, com papel brilhante, bons artigos dentro e cartas dos leitores, o que dá ideia de se estar a transformar num magazine do crime.

Neste arco, Matt Murdock é atacado de uma forma muito indirecta por parte do seu arqui-inimigo Mr. Fear. Este vilão é um perito no desenvolvimento de gases que provocam medo nas pessoas que os inalam, juntamente com um cientistas amigo seu. Falo de uma forma indirecta pois a vítima deste gás letal é a esposa de Murdock, Milla Donovan. Milla é de tal forma afectada por este gás que é levada a cometer actos de pura loucura, incluindo tentativas de homicídio (!!). Uma dessas tentativas é um dos fios condutores desta história, o que nos leva a uma outra personagem - Lily Lucca, a vítima de um desses ataques. Ela leva Milla a tribunal, onde esta é defendida por Murdock.
Neste arco é nos também apresentado um outro vilão, que irá com certeza ser o foco dos próximos arcos. Falo de The Hood, onde pouco se sabe sobre ele, mas aparenta querer dominar a Cozinha do Inferno.
O fim deste arco é um bocado triste. Aqui é que se vê o que um verdadeiro vilão é. Não é aquele que tem a obsessão de querer matar o seu inimigo, mas aquele que lhe quer destruir a vida. Isso para mim é que é um vilão à altura. É por causa do objectivo principal de um vilão ser sempre a morte é que os comics nem sempre rendem o máximo. Isso era dantes, agora parece que novas abordagens são precisas.

Quem for ler este arco pode-se sentir um pouco perdido, eu que o diga. Se não tiverem lido nada anteriormente, aconselho-os ou a fazer uma pequena pesquisa ou então a comprarem os trades mais antigos, que é o que eu estou a pensar em fazer. Para aqueles que nunca leram o Demolidor é uma coisa que aconselho a fazerem rapidamente, de preferência a partir da fase do Bendis. A arte é sempre excelente e as histórias, como estão fora do Universo Marvel regular, são sempre uma lufada de ar fresco. Espero que o Brubaker fique por lá durante muitas edições, mas se o quiserem substituir que ponham lá, por exemplo, o Greg Rucka, ou alguém do género, desde que não estraguem a excelente fase desta personagem. Stay cool!

09 março 2008

Novo Póster de Iron Man

A Marvel divulgou esta semana o novíssimo póster da adaptação cinematográfica de Iron Man. Parece-me o melhor dos que já feitos até agora, isto no que toca a este filme. É já dia 2 de Maio que vamos poder assistir e julgo que vai ser um bom filme, em grande parte por causa de Downy Jr. Já não falta muito.

Fantastic Four #554



Argumento: Mark Millar
Desenho: Brian Hitch

E aqui começa World's Greatest, um novo arco à moda antiga dos 4 personagens mais fantásticos do Universo Marvel. São eles Reed Richards, Sue Richards, Johnny Storm e Ben Grimm.
E quem melhor que Millar e Hitch para "ressuscitar" o Quarteto Fantástico, depois de várias edições que não acrescentavam nada ao legado da equipa e que insistiam em usar velhas e gastas ideias. É claro que não posso fazer muitos juízos acerca deste arco de 4 partes, mas dá para perceber que Millar quer mostrar a verdadeira essência do Quarteto, no qual podemos ver os bons velhos aventureiros, as viagens no tempo e as pitadas de sci-fi que iremos observar mais pormenorizadamente nos próximos comics.
O mote deste World's Greatest é o aparecimento de um grupo de cientistas que está a criar um novo mundo onde a população mundial poderá viver quando a Terra morrer. Isto depois da antiga namorada de Reed aparecer para lhe trazer essa notícia. Além disso, Sue está envolvida numa acção de caridade, juntamente com a She-Hulk e com a Wasp. Quanto ao Johnny, está ali algo que se pode tornar numa ideia muito engraçada.
O desenho é excelente, irrefutavelmente. Brian Hitch é sem dúvida dos melhores artistas contemporâneos e no que toca a cenários ele é um mestre. Vejam só o edifício Baxter ou o Novo Mundo.
Raramente leio material do Quarteto, mas esta história parece ser muito boa. Espero que depois deste arco pelo menos o Millar fique à frente do título. Experimentem pessoal!

21 fevereiro 2008

Straczynski já não é Exclusivo da Marvel UPDATE!

J.M. Straczynski anunciou que não vai renovar contrato com a Marvel Comics, depois de ter trabalhado em algumas séries para a editora, como Amazing Spider-Man ou Supreme Power.
Contudo, o autor não sairá da editora, pois continuará como argumentista das séries Thor e The Twelve, as únicas onde actualmente trabalha.

UPDATE! Straczynski vai escrever comics para a DC, mas ainda não pode dizer quais são. Além disso, está a preparar duas novas séries para a Image, da sua autoria - Justice e Ten Grand. Irá terminar The Twelve (12 números), como já tinha dito, e quer escrever Thor o máximo de tempo possível.

Espero que Straczynski explore novos horizontes em outras editoras. Não me parece que a DC vá ficar muito tempo de braços cruzados, apesar de não me parecer que o autor de Babylon 5 se encaixe muito bem nos padrões da DC. Quem sabe uma editora alternativa, como um regresso à Image ou talvez uma estreia na Dark Horse. Na melhor das hipóteses, utilizará algum do seu tempo para escrever argumentos para Séries de TV. Só o tempo o dirá e cá estarei eu para ver o que se vai passar.

10 fevereiro 2008

Sobre a Panini em Portugal

Depois de o Hugo Jesus mostrar o seu descontentamento na CC em relação à paupérrima e fraquíssima distribuição de que a Panini em Portugal dispõe, venho aqui pelo blog falar um pouco da minha situação enquanto leitor, ao invés da posição do Hugo, dono da loja Central Comics no Porto.
Compreendo que a situação de vendedor seja bem mais difícil que a de um leitor, pois apesar de não ser nada fácil encontrar um comic da Panini nas bancas habituais, mais ou mais cedo encontra-se sempre algo. Já com uma loja tal não acontece, pois ou se tem a sorte de receber os comics do fornecedor ou nada feito. E o que me mete mais aflição é o facto de o Hugo ter pedido cerca de 80 revistas (mais uns números atrasados) e ninguém se dignar a enviá-las. Pois bem, pergunto-me o que melhor será que um carregamento destes, não só em termos lucrativos como de divulgação do produto que a Panini queria (pois parece-me que já não quer) implementar no já frágil mercado português. Mais esquisito ainda é ver que nenhum representante da Panini se digna a tentar resolver este tipo de situações chegando até a ignorá-la por completo, o que se nota muito através dos e-mails que se recebem da editora, tanto a pedir números atrasados para as papelarias que cada um de nós visita como a tentar saber se chegam mais títulos a Portugal. As respostas são sempre do tipo "Ainda estamos a estudar o mercado" ou "Serão lançados x títulos, mas ainda não há previsões no que toca a datas. Passe bem, bom natal". Será que é este o tipo de atendimento que uma editora que trabalha em várias partes do globo tem de ter? Ou será que Portugal é o patinho feio do panorama da Banda Desenhada? É que parece que somos os únicos que não têm um mercado decente e forte e julgo que não é por culpa das fracas vendas mas mais por causa das impensáveis políticas de distribuição, pois é esse o factor que determina o fraco acesso a qualquer produto.

Eu até chegaria a comparar a procura por uma revista da Panini à Odisseia de Homero e acho que não estaria a exagerar nada. Aqui em Setúbal só há uma única papelaria que tem todos os títulos para venda e apenas numa quantidade de 1 ou dois exemplares no máximo. Em outras vê-se muito raramente um Homem Aranha solitário, pouco mais. Passado menos de uma semana do lançamento das revistas já nada se encontra à venda (pergunto-me porque raio não vêm mais revistas). A 9º Império, a loja especializada em BD Setubalense, chegou mesmo a contactar a Panini a pedir que lhes fossem enviadas algumas revistas, mas prontamente responderam a dizer que quem tinha de ser contactado para tal efeito era a distribuidora. Seguiram-se então telefonemas, e-mails e no fim, para que o Homem Aranha ou os X-Men chegassem à loja teriam de vir acompanhados de revistas da Floribella (onde isto chega) e de outro que tais. Mais tarde essa manha das revistas adicionais terminou e a resposta final foi a de que não eram feitas distribuições para lojas especializadas. Moral da história: deslocamento zero. Não só é estúpido verificar que a primeira resposta poderia simplesmente ser a que foi dada em último lugar como também o facto de as lojas especializadas ficarem de fora. Que raio de sentido é que isto tem? Então distribuem no máximo 10 revistas por cada papelaria e uma loja de BD não consegue receber um carregamento que chega quase aos 100 exemplares? Isto é no mínimo (ou máximo) uma hipocrisia de todo o tamanho. As lojas especializadas em Portugal, apesar de já existirem num número considerável, contam-se pelos dedos, mas esforçam-se para que a BD não passe a ser um deserto num país que por si só está cheio de camelos, com um oásis por aqui e ali, e não têm direito a receberem um produto que é ideal para revitalizar os antigos leitores e dar novo material de leitura àqueles que preferem o português (ainda que noutro sotaque)?

Da minha parte chega. Coleccionei alguns números das revistas que cá foram distribuidas, mas já desisti. Não só pelo facto do produto escassear como também por a Panini ter enviado revistas que estavam a meio dos seus arcos, o que é um total desrespeito pelo leitor. O que ainda valeu o dinheiro foi o Batman Ano 100 e a Crise Infinita que pelo menos ficaram completos. De resto continuamos a assistir ao lançamento de pouquíssimos títulos (apenas Homem Aranha, X-Men e Novos Vingadores) e também de uns certos TPB's que saíram no ano passado (Quarteto Fantástico: O Fim e Homem Aranha: No Reino dos Mortos), em que um dos quais até já tinha sido lançado pela Devir uns anos atrás, o que por si só é uma ideia estapafúrdia. Vem a Panini tentar singrar no mercado português e decisão final é a de lançar um livro que a maioria dos leitores já possui. Eu chamo a isto incompetência, daquelas que fazem comichão a qualquer um. E quando pensei que não haveria pior que isto, eis que a visionária Panini decide lançar uma das últimas mini-séries da Marvel, Eternos, de Gaiman e Romita Jr. O lançamento em si não é o pior, mas sim o preço a que foi lançado -18.90€ (!!). Tudo isto porque as vendas dos primeiros TPB's não foram muito convidativas (estranho não é?). "Ah, não lucrámos com aqueles, bora mas é inflacionar ali os Eternos que os portugueses são burros e compram na mesma". Bem, a mim é que não me apanham, não só por já ter a mini-série original como também por não ir na conversa de um roubo que ofende a minha inteligência. Mais facilmente comprava o HC a 29.99$ do que uma edição que nem 10€ vale.
O Hugo propôs o boicote a esta edição dos Eternos, mas eu apoio o boicote total a todo e qualquer produto da Panini, apesar de ser triste ver que assim não teríamos qualquer revista nas bancas, mas se continuarmos a ser enganados por meia dúzia de editores que nos querem dar a volta, assim nunca teremos qualidade nas nossas bancas. Há que tomar medidas extremas e apesar de sermos poucos neste país temos de fazer algo pela BD em Portugal. No panorama nacional há que dar graças à BdMania e à Vitamina BD, pois é este o tipo de editora que pensa um pouco nos seus compradores e pelo menos lança títulos que tentam agradar à maioria do público, isto subscrevendo um bocado as palavras do Hugo.

A opção de inundar a Panini com e-mails também parece interessante, mas duvido que nos dessem ouvidos, mas não custa nada tentar e da minha parte segue já um e-mail. Parte desta situação depende de nós e temos de tentar mudar alguma coisa de modo a que a BD em Portugal ganhe mais crédito e não seja apenas uma arte menor. Aqui fica o meu testemunho.

Trinity, a Nova Semanal da DC

Dan Didio tornou esta notícia oficial - Trinity, uma série que foca os três principais heróis da DC, irá começar em Junho deste ano e melhor (ou pior) que tudo é que vai ser a terceira série semanal da editora (!!!).
A série será escrita por Kurt Busiek (boa aposta), vindo do mensal Superman, e com arte de Mark Bagley, o recém chegado da Marvel. À semelhança das semanais anteriores, Trinity também terá 52 edições e, apesar de se passar no Universo DC normal, não terá qualquer ligação com os eventos presentes da editora.

Segundo Dan Didio, Busiek e Bagley apenas se ocuparão de 12 das 22 páginas do comic, as restantes serão backup stories, ou seja, encher chouriços stories. Claro que Bagley não conseguiria aguentar 22 páginas por semana, apesar de ser um artista muito rápido (motivo pelo qual foi qualificado para esta tarefa).
Quando perguntado sobre a conexão entre Trinity e Final Crisis (que irão sair ao mesmo tempo), Didio respondeu que não haveria nenhuma ligação, que a série iria servir apenas para mostrar o que se tem passado com estes três personagens ao longo deste últimos tempos. Para ler o resto da entrevista basta clicar aqui.

Os rumores que circulavam na net ganham então a credibilidade que tanto desejavam. Para mim não era bem um rumor, mas mais uma certeza, pois a DC não podia deixar a Marvel sozinha com o seu sucesso semanal que agora é o Aranha. Esta é só mais uma prova que a Marvel se consegue adaptar muito melhor às ideias da sua concorrente (ironicamente) e que a DC insiste em repetir fórmulas que por si própria gastou. 52 teve sucesso porque inovou, tanto pelo facto de ser semanal como pelo facto de se focar em heróis lado-B, o que atraiu um novo tipo de público (e também os da velha guarda), mas em Countdown a repetição da fórmula pecou, pois, parecendo que não, este tipo de séries satura o mercado. Já a Marvel fez uma aposta muito melhor com o Aranha (apesar de discordar com toda a storyline que tem vindo a ser contada), pois mensalmente contará uma história diferente com uma equipa criativa diferente, com grandes nomes, diga-se de passagem. Com isto tudo, quer-me parecer que Trinity será um sucesso, pois finalmente a DC aposta num desenhador com que o público está familiarizado (e actualmente o desenhador é sempre importante para que uma série venda) e mais que tudo, focará personagens que agradam às massas. Espero que Dan Didio consiga alcançar o sucesso que tanto tem faltado à DC neste últimos meses, pois o que a Marvel está a precisar é de um pouco de competição.

05 fevereiro 2008

Ex Machina Vol. 1 - The First Hundred Days

Argumento: Brian K. Vaughan
Desenho: Tony Harris

«Deus Ex Machina (DAY-us ex MAH-kin-ah): Literally, "god from the machine."A person or force that arrives to provide an improbable solution to an impossible situation, named after the mechanical device used by Greek dramatists to lower actors playing deities onto the stage.»

Ex Machina conta a história do Presidente de Nova Iorque, Mitchell Hundred, antigo super-herói americano que utilizava o seu poder quase divino para combater aqueles que abusavam dos pobres e oprimidos. Pode parecer uma premissa básica, mas nada disso. Só o poder incrível do nosso herói vale a compra deste livro, pois a forma como ele o usa é sempre algo divertida. Por exemplo, com um simples pensamento, Hundred pode apagar todas as luzes da cidade de Nova Iorque ou abrir uma porta apenas exclamando "Open Sesame". Além disso, a vida deste homem está cheia de situações bizarras, desde a sua actual vida onde tem de tomar conta da sua cidade, onde é presidente, até aos flashbacks que contam a sua vida passada de super-herói, que abandonou por não se julgar capaz de assumir tamanha responsabilidade (mas, ironicamente, candidatou-se a presidente).
Normalmente as introduções deixam sempre pouco a desejar, apenas aguçando um bocado a curiosidade para ler o próximo volume, mas em Ex Machina fiquei com uma vontade enorme de ler mais, em grande parte devido aos excelentes diálogos de Vaughan. Não admira que actualmente seja argumentista de umas das principais séries de TV americanas, Lost (o segundo episódio desta 4ª Temporada tem argumento dele).

Este TPB compila os 5 primeiros comics de uma série que se tem popularizado nos E.U.A., não só pelo argumento do já conhecido Brian Vaughan (Y: The Last Man, Runaways, Lost). mas também pela excelente arte de Tony Harris, que me parece ser uma grande promessa para o futuro. É engraçado ver como Harris utiliza referências fotográficas no fim deste livro, num especial com sketchs, pranchas arte finalizadas e a cores.
Já tinha lido Runaways, também de Vaughan, e gostei muito, mas com este Ex Machina, Vaughan passou a ser dos meus argumentistas preferidos. Agora terei também de ler Y: The Last man (que chegou a semana passada ao seu último número). Fica aqui mais uma sugestão meus caros amigos. Se forem amantes de HC's, em Abril irá sair o primeiro volume de Ex Machina: Deluxe Edition, o que me parece ser uma boa edição para quem quiser começar a ler esta excelente série.

03 fevereiro 2008

House of M TP

Argumento: Brian Michael Bendis
Desenho: Olivier Coipel

Acabei agora de ler esta série e confesso que é uma história que me agradou muito, ao contrário de alguns dos eventos recentes na Marvel (One More Day e que tais).
Ao contrário de Civil War, fiquei com a sensação de que a história de fundo desta série é muito mais promissora que um monte de super-heróis à pancada por um mísero registo que nem vantagens tem, e que ainda culmina na morte do Capitão América.

House of M conta a história de uma realidade alternativa habitada pelos nossos conhecidos heróis, depois da Feiticeira Escarlate ter alterado o status quo de todo o planeta. Os mutantes são a espécie predominante e o Homo Sapiens encontra-se afectado por ser uma espécie de menor importância. A principal característica desta realidade é a de cada herói/ pessoa ter naquele momento o que mais desejou na sua vida anterior. Por exemplo, Peter Parker encontra-se casado com Gwen Stacy, tem um filho e vive ao lado da sua Tia May e do seu marido Ben. Mas a personagem mais preponderante, a chave de toda a trama, é sem dúvida Logan, Wolverine. Adivinhem qual é a coisa que ele sempre quis e que em House of M tem.
Pois bem, Brian Bendis mostra também um lado mais filosófico de toda esta Utopia, o facto de que, mesmo tendo o que sempre mais quisemos, o mundo nunca será perfeito. O desejo de uns colidirá com o de outros e resultará na infelicidade dos que no meio estão.
No fim desta mini-série dá-se um evento com proporções épicas - os mutantes são reduzidos a um número deveras preocupante, muitos deles transformados em simples humanos. Tudo por causa de uma frase proferida pela Feiticeira Escarlate que se tornou mítica "No More Mutants". Após estas palavras, o mundo volta a ser como era, exceptuando o número de mutantes e uns certos desaparecimentos.

A arte de Olivier Coipel convenceu-me, apesar de gostar muito mais dela em Thor, onde está um pouco mais polida e muito melhor arte-finalizada. Se gostam de uma história com bons diálogos e de uma trama interessante, então esta série é ideal.