26 julho 2008

The Dark Knight

A sensação com que se sai da sala de cinema depois de ver este filme é indescritível. Afinal, eu estava a sair do, provavelmente, melhor filme do género e, melhor que tudo - não tinha sido eu o único a gostar. É bom ver que um filme de um género tão mal-tratado como a Banda Desenhada  e os seus super-heróis consegue levar muitas pessoas ao cinema e render longas-metragens com tanta qualidade. Mas há que não esquecer que este filme vai muito mais além do que o simples embate entre o Cavaleiro Negro e o seu temível adversário, prestes a semear o caos em toda a cidade. The Dark Knight é muito mais profundo simplesmente por conter uma tão variada selecção de elementos que fazem lembrar outros tantos filmes. Falo de um excelente elenco que conseguiu ser mais do que competente; um argumento complexo e sólido cheio  de cruzamentos entre outras pequenas histórias; acção, sempre necessária num filme deste calibre; humor em doses certas e sem exageros nenhuns; tensão,  do princípio ao fim, uma coisa que quase nunca vejo nestas adaptações e, é claro, uma escolha de personagens que só me fazem querer que algumas delas fossem mesmo assim nos comics (Nolan for comics!).
Começando por falar de Heath Ledger, posso desde já dizer que esta é uma grandiosa personificação do Joker, julgo que nem mesmo Jack Nicholson lhe consegue chegar aos calcanhares (quer dizer, chegar até aí, talvez consiga). A sua interpretação ainda tem mais valor porque consegue ultrapassar todo o hype gerado pelos media em torno do seu talento e até da sua própria morte. Acho que quem lê comics e já conhece pelo menos alguma coisa do Joker e de toda a sua mitologia em conjunto com o Batman é que consegue apreciar ao máximo esta inerpretação do Ledger. Não digo que os especialistas nesta matéria também não a possam achar fenonemal, porque isso até o velho do Restelo consegue, mas ver que existe alguém que consegue captar a essência de um personagem extremamente difícil de perceber, é no mínimo gratificante. O Joker de TDK é "O" Joker - psicótico, com dois parafusos a menos, com todo o seu sentido poético e que apenas gosta de "brincar" com o seu némesis, sabendo perfeitamente que a sua existência só faz sentido enquanto o Batman também existir (óbvias referências à Piada Mortal, de Alan Moore). Que mais posso dizer sobre ele?
Quanto a Christian Bale há que dizer que ele nem acaba por ser a principal atracção do filme. "Ah, vamos ao cinema ver o Batman.", "Não, vamos lá é para ver o Joker.". Basicamente é esta a sensação que se tem quando se sai do cinema. O Batman acaba por nem ser a principal personagem deste filme e isto acaba por lembrar as mais clássicas histórias deste personagem, onde ele é apenas um motivo para que surjam vilões e outras personagens à volta que o façam sair de noite. Mas nada disto faz com que o desempenho deste actor seja menor ou de pior qualidade, pelo contrário. Há excelentes cenas entre ele e Alfred (Michael Caine) e também entre Lucios Fox (o grande Morgan Freeman). Aqui também gostei muito mais do Bruce Wayne em si do que o próprio Batman.
É também impossível não reparar na voz alterada quando Bale está a vestir o manto do Cavaleiro Negro, o que, pelo que já li em alguns sites, pode ter desapontado alguns espectadores. É certo que a montagem em relação à voz não é a melhor e nota-se claramente que é impossível um humano fazer aquela voz, mesmo com tom grave de Bale, mas mesmo assim aceito e o principal objectivo está lá - mascarar a voz do Batman. Em cenas que ele está tão próximo de pessoas conhecidas da sua identidade verdadeira deixaria de haver credibilidade, pois facilmente seria reconhecida. Portanto, esta jogada com a voz é totalmente aceitável.
Aaron Eckhart foi a surpresa da noite, tendo construído um Harvey Dent muito sólido. A primeira cena passada no tribunal pode parecer um pouco "velha" ao início, mas rapidamente deu para perceber que estava ali um actor ideal para a personagem e mais uma excelente cena para a colecção. Quanto a este não me resta muito mais para dizer, surpreendeu pela positiva e isso é o que mais interessa.
The Dark Knight é, na minha opinião, indiscutivelmente a melhor adaptação de uma Banda Desenhada ao cinema, ponto final. Supera qualquer dos três filmes do Homem-Aranha e qualquer outro filme da Marvel. Também supera os anteriores filmes de Tim Burton e de Joel Schumacher. É daqueles filmes que mal se sai da sala, só apetece ir vê-lo de novo, nem que seja só para ver a cena inicial (e que cena brutal que ela é). Não costumo comprar DVD's, mas parece-me que desta vez compro-o mal ele sair. Enfim, não há mais palavras para descrever esta beleza cinematográfica.

Nota: 9.5/10 - Must See!

25 julho 2008

Johns e Sciver em Flash: Rebirth

Depois de há meses atrás Rich Johnston ter falado nesta suposta mini-série na sua coluna de boatos no CBR, o próprio Geoff Johns juntamente com artista Ethan Van Sciver (a dupla repsonsável por Green Lantern: Rebirth) anunciam, na San Diego Comic Con, que o Flash terá direito ao seu próprio renascimento em que quem voltará será nada mais, nada menos que Barry Allen, o Flash mais conhecido da editora e aquele que se encontrava morto há já 20 anos, mas voltou numa das últimas edições de Final Crisis e narrou a estória de DC Universe #0.
É óbvio que é uma jogada desesperada da DC. Basicamente o que Dan Didio quer é alcançar um sucesso similar ao do Green Lantern actualmente e para isso a única solução é a repetição de fórmulas passadas. Felizmente escolheram o Johns que percebe bem a personagem e por sorte conseguiram meter o Sciver de novo na mini-série. Espero é que a leitura se torne não apenas uma sequela do Rebirth original com personagens diferentes, mas sim um Flash: Rebirth genuíno com um processo criativo diferente.
Mesmo assim, fica aqui a nota de que se o desenho for como o teaser que vêm ao lado, eu comprarei esta mini-série de certeza e estarei lá para começar a ler o Flash de novo. Ah, tudo começa em Janeiro.

Astounding Wolf-Man #6

Argumento: Robert Kirkman
Desenho: Jason Howard

Robert Kirkman mostra neste único comic aquilo que consegue fazer melhor que ninguém: contar uma estória que mistura todos os elementos que enriquecem um argumento - drama, humor, caracterização e acção.
Muitas pessoas ainda não deram valor a este Astounding Wolf-Man, nem sequer houve um sucesso tão mediático como foi o de Invincible ou até de The Walking Dead, mas espero que após o lançamento do primeiro trade deste título haja uma opinião mais positiva em relação a este livro. Muitos queixam-se que o Wolf-Man acaba por se tornar uma repetição das fórmulas que Kirkman já usou nos seus comics, mas acho que isso é uma desculpa esfarrapada para não se divertirem.
E este número faz com que a qualidade de Kirkman se denote ainda mais, pois é já a partir daqui que todas as bases que construiu se começam a desmoronar. Segundo ele, é no próximo número que vai ocorrer uma mudança pesada no status-quo da série e eu estarei cá para ver.
Neste número, o nosso herói vê-se confrontado com alguns problemas familiares que começou por ter há alguma edições atrás e pelos vistos está a reagir da pior forma. Ainda pior que isso, a sua mulher começa a dar sinais de fraqueza e isso significa conhecer novas pessoas. O cliffhanger final é brutal e espero que na próxima edição eu fique a saber mais sobre o que realmente se passa naquela cidade que, diga-se de passagem, é bastante estranha e de noite aquilo é uma "festa" para todos os noctívagos.
Fica aqui o conselho, comprem o primeiro volume de Astounding Wolf-Man que compila os 7 primeiros comics, pela módica quantia de 15 dólares. Não se vão arrepender, nem que seja só para se divertirem um bocado que é o verdadeiro objectivo de um comic.

Book Depository - Aproveitar é Agora!

Queria só deixar uma pequena nota aqui neste espaço para quem o visita e para quem compra BD regularmente no site Book Depository ou outro site qualquer de vendas britânico. Não sei se alguns de vós já sabiam, mas a libra desvalorizou vertiginosamente em relação ao euro, tendo passado do valor de cerca de £1 = €1.5 para o impressionante valor de £1 = 1.27 (ou seja, €1 = 0.80£)! Aproveitem que isto pode até não durar muito tempo ou, quem sabe, seja uma coisa para durar.

CORRECÇÃO: Houve uma pequena gralha nas tabelas de conversão que dei, mas agora está tudo correcto como podem ver em cima.

22 julho 2008

Green Lantern - Rebirth

Argumento: Geoff Johns
Desenho: Ethan Van Sciver

Depois de o CESAR ter originalmente feito a crítica a este primeiro livro da nova saga do Lanterna Verde, venho agora dar a minha opinião sobre a mesma, com base numa segunda leitura que tive ontem (ainda mais agradável que a primeira). Digo que é mais agradável simplesmente por saber muito mais sobre as origens de um dos meus personagens preferidos, actualmente.
Na altura em que li pela primeira vez este Rebirth, o Lanterna era uma coisa nova para mim. Diziam-me sempre para comprar esta série porque tinha uma das melhores personagens da DC e porque o Johns tinha começado algo de fantástico nesta mini. Eu acreditei no que me tinham dito e decidi comprar o TPB só para confirmar as mil opiniões que já tinha ouvido e é claro que não fiquei desiludido. Pelo contrário - Green Lantern: Rebirth é uma excelente rampa de lançamento para um personagem que tinha sido atirado ao mar quase desnecessariamente e que infelizmente tinha sido substituído por uma personagem de muito menor calibre (actualmente o caso até mudou de figura significativamente). Kyle Rainer não era o Lanterna ideal e as vendas da série a meio dos anos 90 so confirmavam o pior.
Nesta história, os fãs mais antigos puderam finalmente rever um dos seus heróis preferidos do passado e, melhor ainda, ele veio para ficar e o que é facto é que já rendeu cerca de 30 comics nesta nova série, tendo já passado por uma guerra mais acérrima com Sinestro, o némesis por execelência de Jordan (haverei de chegar à review desse livro, mas antes ainda tenho os outros para falar aqui). É aqui também que são reunidos todos os elementos que vão figurar no resto da história que Johns ainda está a desenvolver, o que também é óptimo pois dá logo a ideia que tudo está perfeitamente controlado e preparado para uma saga que vai ficar para a história da DC. Só a conclusão (que ainda deve estar bem longe) nos dirá se toda esta viagem terá valido a pena.
Sinestro e Parallax são sem dúvidas os nomes a reter pois pelo que facilmente se constata nesta leitura, ele são os elementos fulcrais de toda esta plot enecetada por Johns. Mesmo assim, aquilo pelo que estou mais ansioso para ler é o evento de 2009, intitulado de 'Blackest Night', onde, pelo que me parece, ficaremos a saber mais sobre a profecia que envolve todos os aneis das diferentes cores que existem.
Basicamente, quem não está a acompanhar esta série está só a perder uma das melhores que estão a sair actualmente no mercado. Isto é mais que aconselhado e penso que já todos terão ouvido milhares de críticas positivas a esta pequena obra-prima de Geoff Johns e aos seus companheiros desenhadores (nomeadamente Ethan Van Sciver e Ivan Reis). Por falar em Sciver, a arte dele neste livro está fantástica.

Nota: 9/10 Recomendado!!

09 julho 2008

Ultimate Spider-Man #118-122

Argumento: Brian Michael Bendis/ Desenho: Stuart Immonen
Depois de uma metamorfose muito mal recebida pelos fãs de Peter Parker no título principal da personagem, algum dos outros dois títulos que não chegaram a receber tal tratamento iria servir de refúgio àqueles que mais temiam a nova fase de Peter (tal como eu, mas que mesmo assim ainda a lêem). Não me acusem de falsos moralismos, mas é que tenho uma força interior que me faz seguir esta personagem independentemente da história contada ser a pior do mercado. Pois bem, decidi também utilizar este refúgio há uns dias numa das minhas últimas compras. Estava a achar que precisava de ler um Homem-Aranha original, mas bem escrito (ao contrário do que se passa em Amazing Spider-Man). É claro que esta série acaba por ter os mesmo moldes da sua congénere, mas aqui verifica-se que o argumento é escrito por quem sabe, e como diz o outro "quem sabe, sabe". Em Ultimate Spider-Man, Bendis consegue fazer com que todo o universo do Aranha volte a fazer sentido e fá-lo de forma surpreendente, pois o próprio Peter acaba por se tornar uma personagem secundária no meio dos seus colegas de escola (sim, felizmente ele aqui ainda se dedica ao estudo). E foi esse o pormenor que mais me tocou quando voltei a ler esta série, passados uns bons tempos (já não lia isto há cerca de um ano), Bendis consegue fazer de USM uma espécie de comédia adolescente, mas não daquelas descartáveis, em que todas as personagens contam e não há apenas um foco, com diálogos inteligentes, cheios de referências, boas velhas piadas, caracterizações que até são capazes de fazer os seus colegas de trabalho cederem a um dos 7 pecados mortais.
Nas primeiras três edições, Bendis ressuscita uma das mais antigas séries de TV do Aranhiço, uma que respondia pelo nome de "Spider-Man and his Amazing Friends", introduzindo a mais recente mutante no plantel dos Ultimate X-Men, Liz Allen, ainda à espera de nome de código (possivelmente Firestar). Basicamente, o seu poder é baseado num dos seus amigos, o Tocha Humana que ultimamente se tem relacionado de uma forma muito próxima com os protagonistas da série, sendo mesmo acusado de "infectar" a sua amiga, de alguma forma. O vilão também não poderia faltar neste arco, sendo que é Magneto quem dá a cara em busca de um reforço para a sua Irmandade Mutante, onde a escolhida é óbvia. Nas edições seguintes, Bendis tenta apaziguar um pouco a acção e dar um pequeno descanso ao nosso herói, se bem que de uma forma algo estafante (ironia...). Peter cruza-se com dois vilões lado-B que mais uma vez fazem das suas e estragam um pouco mais a vida, já de si, nada fácil do protagonista. É aqui que também são deixadas pequenas pistas para uma nova organização que proximamente irá surgir na série (suspeito que o Venom que irá aparecer tem ligações com esta empresa). O desenhador desta série é um pequeno génio do desenho, que consegue produzir cena de acção tão enérgicas e emocionantes com um estilo muito solto e simples. Creio que este homem supera e muito o antigo desenhador desta série, Mark Bagley, que pecava por desenhar as suas personagens sempre nos mesmos moldes, o que na minha opinião era deveras cansativo. O Immonen é uma grande aquisição e espero que fique neste título por muito tempo, pelo menos enquanto eu o acompanhar.
Entretenimento e uma lufada de ar fresco mensal.
Nota: 8.5

07 julho 2008

Green Lantern - Emerald Dawn


Argumento: Keith Giffen, Gerard Jones e Jim OwsleyDesenho: Mark D. Bright 



Hal Jordan era apenas um piloto aéreo que tinha uma vida um pouco complicada, mas uma série de tragédias levaram a sua vida a um outro patamar. Nunca Jordan pensou que um ser alienígena poderia descer à terra e herdar-lhe um anel controlado exclusivamente pela força de vontade do seu portador, nem ele sabia que iria ter um dos confrontos mais imediatos na vida de um super-herói, afinal não é todos os dias que alguém é bombardeado com um anel que confere habilidades extra-humanas e de seguida é confrontado com um outro ser que ameaça a destruição da Terra.Esta série pode não ser a primeira história do Green Lantern de sempre, mas age como tal e por isso torna-se uma excelente forma de perceber um pouco mais a personalidade do actual protagonista da série com o mesmo nome, ou seja, quem quiser ler esta série do seu início, sugiro que comecem por aqui. É em Emerald Dawn que também se percebe o enorme potencial que esta entidade tem (falo em entidade referindo-me ao Green Lantern em si, não uma personagem específica). A partir daqui percebe-se que o Universo está dividido em milhares de sectores que são patrulhados por outros milhares de portadores de um anel. A partir deste pressuposto, abrem-se portas para centenas e centenas de histórias que podem envolver o próprio planeta Oa, lar dos Guardians of the Universe, os povos oprimidos pelos Lanternas, a vida pessoal de Hal Jordan e outros escolhidos, etc. E para provar esta teoria, aparece Geoff Johns, que neste momento está a criar uma das maiores plots da história deste personagem, criando mais 7 cores adicionais a este universo (como se pode ver no primeiro link), ou seja, mais uma série de personagens que podem muito bem ser interessantes.Esta história é apenas interessante do ponto de vista de quem pretende saber um pouco mais sobre as origens dos Lanterns e de Hal Jordan, portanto não será uma leitura muito adequada àqueles que já percebem mais da coisa, mas há que frisar que, para um comic dos inícios da década de 90, a acção até está muito fluida não havendo momentos de puro desperdício de tempo. Note-se que a narrativa até se assemelha muito aos padrões modernos, estando ainda numa versão mais experimental. De certa forma, é um clássico que aconselho a novos leitores e à aqueles que talvez queiram recordar os primeiros momentos da vida de Hal Jordan. 


Nota: 7/10

03 julho 2008

Wanted

Argumento: Mark Millar
Desenho: J.G. Jones

Wanted é aquele tipo de livro que me faz ver que o conceito de super-herói está muito mais para além do que uma simples capa e um poder. Wesley Gibson é aquele tipo de personagem que me faz ver que uma simples personagem sem qualquer interesse se pode tornar num dos vilões mais interessantes que tive oportunidade de ver nos últimos tempos.
Este comic é fruto de uma história de infância vivida por Mark Millar e nada mais é do que uma criação do seu próprio irmão, após Millar lhe ter perguntado o que se tinha passado com os Super-Heróis naquela altura (Millar tinha acabado de descobrir pela primeira vez o Super-Homem). Bobby, o seu irmão, respondeu-lhe que todos eles tinham morrido numa intensa batalha contra outros vilões e que nunca mais ninguém se tinha lembrado deles. Só restavam os comics para testemunhar a sua existência.
E essa é a ideia base deste livro - Wesley Gibson é apenas mais uma personagem num mundo de homens banais onde a sua vida não é mais que um simples pedaço de m****. Ele vive frustrado por ter uma namorada que o engana constantemente e por ter um emprego onde é massacrado constantemente. Chega então o dia em que Wesley se apercebe que a sua vida pode ser mais do que isso, quando lhe chegam as notícias de qua algo aconteceu ao seu pai, um dos mais temidos criminosos do mundo. A partir daí, ele é treinado arduamente de forma a que possa suceder ao seu pai, o que pode soar meio cliché, mas da forma que esta ideia é exposta no livro faz-nos pensar duas vezes. É nesta instância que também ficamos a saber de um dos segredos melhor guardados do mundo - todos os super-heróis morreram há cerca de15 anos e os vilões prevaleceram para dominar a terra, mantendo-se até hoje na sombra sem que ninguém saiba deles (depois de terem manipulado as mentes da população mundial de modo a que ninguém se lembrasse do ocorrido). É incrível ver como vilões que lutaram anos e anos contra heróis sendo constantemente humilhados, decidem esconder-se do mundo não descaregando a sua óbvia fúria na terra que os viu serem derrotados vezes sem conta. Aqui vê-se que a barreira Herói/ Vilão pode não ser aquilo que julgamos.
Mark Millar oferece-nos aqui uma história inesquecível que corre num ritmo frenético durante as 5 primeiras edições e culmina num final que estimula à reflexão, algo verdadeiramente "interessante e corajoso". Isto faz-me pensar que a censura que existe nos comics mainstream de hoje só faz com que o génio criativo de alguns argumentistas não vá mais longe. Arrisco-me a dizer que este trabalho de Millar consegue ser superior a Ultimates, por muitos (e por mim também) considerado um dos poucos clássicos modernos dos comics de Super-Heróis, pois Wanted está um passo à frente. Tudo isto porque em apenas 6 edições consegue ter mais conteúdo do que uma série mensal que dura 10 ou 20 anos (não sendo esta uma comparação directa a Ultimates).
J.G. Jones é também uma peça fundamental nesta série, pois grande parte da dinâmica que esta tem não se deve única e exclusisamente ao fluido argumento de Millar, mas também às cenas desenhadas pelo artista, que conseguem captar o sentimento das personagens naquele exacto momento. À primeira vista, a sua arte pode não ser muito convidativa (apenas as capas podem ser atraentes), mas o homem percebe mesmo de arte e ao longo do livro dá para perceber o quão expert ele é na matéria.

Melhor leitura do ano, até agora.
Nota: 9.5/10
- Recomendado!

01 julho 2008

You Tube of The Week #11 -Italian Spiderman Eps. 03 e 04


Episódio #03


Episódio #04

Aqui estão mais dois novos episódios do grande símbolo do século XXI - Italian Spider-Man! Sem dúvida os vídeos mais hilariantes do momento.

30 junho 2008

Frank Miller em Novo Comic de 300

Segundo a revista Variety, Frank Miller encontra-se a produzir uma nova série relacionada com um dos seus clássicos, 300. Além disso, a Legendary Pictures, responsável pela adaptação da obra original para o cinema, confirma que essa nova produção de Miller já está a ser tratada para que haja um segundo filme. As informações em relação a este 300 II não são muito concretas, tanto que nem se sabe se será uma prequela ou um spin-off directamente relacionado com o fim do primeiro volume.
Tanto Zack Synder como Miller ainda têm de confirmar a sua participação nesta nova adaptação, visto que agora ainda estão a realizar os filmes Watchmen e Spirit, respectivamente.

Não quero estar já agoirar este comic, mas a mim parece-me que vai sair daqui uma valente trampa. 300 adapta um período histórico que no primeiro volume foi contado do princípio ao fim, não havendo qualquer necessidade de continuar a série. Além disso, vão falar sobre o quê? Sobre os filhos dos 300 homens que morreram que agora vão encetar uma revolução armada em direcção a um exército muito maior que o deles? Será que vão morrer de novo? Onde é que eu já vi isto...

Preview de Astonishing X-Men #25 - Ghost Box



E quase que a pedido do Grimlock, aqui fica um dos últimos previews divulgados pela Marvel esta semana, desta feita é a nova etapa de Astonishing X-Men que ganha destaque, com argumento de Warren Ellis e desenhos de Simone Bianchi. Ao que parece, os pupilos de Xavier vão ter que lidar com um novo mistério na sua vida e ainda contam com uma nova base de operações!





Digo desde já que sou um grande fã desta série e que a saga desenvolvida até ao número 24 da mesma e até ao Giant Size AXM foi excelente. É certo que ainda me falta ler o derradeiro volume desta série original de Whedon e Cassaday, mas quando o tiver feito postarei aqui uma review. Inicialmente queria seguir esta nova fase de Ellis, mas decidi espera pela crítica especializada e verificar se vale tanto a pena como a antecessora. A arte parece ser engraçada, vejamos o argumento.

29 junho 2008

Mais Três Lançamentos BdMania


(as capas podem não corresponder às escolhidas pela BdMania)

Para os mais distraídos, a BdMania acaba de lançar três novas edições de língua portuguesa para o mercado português, num espaço de menos de uma semana. São elas o trade de Wanted, da autoria de Mark Millar e J.G. Jones, que viu a sua adaptação aos cinemas ser estreada há bem pouco tempo, e dois volumes de Astonishing X-Men em capa dura lançados quase simultâneo, compilando assim um ano inteiro de histórias da autoria de Joss Whedon e John Cassaday. Cada edição custa à volta de €16, um preço que até se justifica pela qualidade dos livros, portanto não percam estes excelentes lançamentos.

28 junho 2008

Falece Michael Turner

É com muita pena que escrevo aqui estas palavras, Michael Turner, um dos mais bem sucedidos desenhadores da década passada (e até hoje), faleceu a noite passada no Hospital de Santa Monica, na California, com 37 anos. Desde os 29 anos que Turner lutava contra um cancro que lhe afectava a cartilagem dos ossos, mas a sua faceta lutadora prevalecia o que o ajudava muito no trabalho.

Eu nunca fui grande fã de Michael Turner, mas a sua morte não deixa de ser um grande choque para mim, pois não estava nada à espera que a sua doença voltasse a atacar. Lembro que em tão pouco tempo já morreram três bons artistas no panorama dos comics, incluindo Turner e juntando Seth Fisher e Mike Wieringo.

Que descanse em paz.

16 junho 2008

Joker - Nova Graphic Novel da DC

A DC prepara-se para lançar uma nova Graphic Novel, ou seja, vai voltar aos velhos tempos dos lançamentos directos de histórias completas.
É em Setembro que vai chegar às lojas especializadas Joker e Brian Azzarello e Lee Bermejo, a dupla responsável por Lex Luthor: Man Of Steel. Inicialmente, o formato utilizado seria o de habitual mini-série, lançada durante mais ou menos 5 meses, mas a editora decidiu utilizar um dos formatos clássicos que durante alguns anos utilizou.

Chega-nos em Hardcover no mês de Setembro com o preço de $19.99 e a DC promete uma história tão poderosa quanto Killing Joke do Mestre Alan Moore.

Sinopse:

Written by Brian Azzarello
Art by Lee Bermejo & Mick Gray
Cover by Lee Bermejo
In the all-new, hardcover original graphic novel JOKER, writer Brian Azzarello (100 BULLETS) and artist Lee Bermejo (HELLBLAZER covers) – the creative team behind the acclaimed miniseries LEX LUTHOR: MAN OF STEEL – show an even darker and more disturbing side to the most dangerous man in Gotham: The Joker.
After yet another stint in Arkham Asylum, The Joker finds “his city” divided among mobsters and costumed villains. Not content to settle for a piece of the pie, The Joker vows to take back the whole damn enchilada by any means necessary. Look for appearances by a slew of Gotham’s most wanted, including gritty takes on Two-Face, Riddler, Killer Croc, Penguin, Harley Quinn and even Batman!
Not since THE KILLING JOKE have you seen such a powerful tale of The Joker – you won’t want to miss this one!
On sale October 22 • 128 pg


P.S.: Note-se que este Joker é inspirado na personagem de Heath Ledger no filme The Dark Knight Returns.

10 junho 2008

New Avengers Deluxe HC - Vols. 1&2



Argumento: Brian Michael Bendis
Desenho: Sal Buscema, David Finch, Dan Jurgens, Steve Mcniven, Frank Cho, Mike Deodato Jr., Rick Mays e Olivier Coipel

Depois de acabar com os Vingadores e com a sua série que contava com mais de 500 números, Bendis surge num novo patamar da Marvel ao criar os Novos Vingadores, com direito a novos intervenientes e uma série de reviravoltas.

Avengers Disassembled foi sem dúvida um dos maiores choques nos comics recentemente, pois uma das equipas mais conhecidas de sempre via finalmente o seu fim após um evento trágico para todos os membros da equipa. É claro que com Joe Quesada tudo é possível e acabar com os Vingadores tinha de ter um truque na manga - essa solução foram os New Avengers, equipa formada pelo Captain America, Iron Man, Spider-Woman, Wolverine, Luke Cage, Spider-Man, Sentry e ocasionalmente Echo. Estes indivíduos foram unidos numa noite em que os reclusos da prisão The Raft (propriedade da S.H.I.E.L.D.) conseguiram escapar graças a uma manobra do vilão Electro. Até hoje crê-se que essa manobra tem algum tipo de ligação com Secret Invasion, visto que, segundo Bendis, é no primeiro número desta série que a Invasão propriamente dita se inicia.
Todos os membros anteriormente referidos estavam presentes na altura da fuga dos prisioneiros, com excepção a Wolverine, que apenas foi encontrado mais tarde, misteriosamente, na Terra Selvagem (Savage Land). Aí também se prende outro mistério quanto à Invasão, pois o aparecimento mais que esquisito do Wolverine, vindo do nada, pode levar a crer que existe um Logan-Skrull.
Matt Murdock também constava nos presentes na altura do problema em Raft, mas por motivos pessoais decidiu não se juntar aos Novos Vingadores, tudo porque a sua identidade secreta foi exposta ao público e preferiu afastar os seus camaradas do seu problema, o que mais tarde veio a confirmar-se como sendo algo mais que isso.
O primeiro HC, que se trata de uma colecção dos 10 primeiros números, foca-se maioritariamente na reunião dos novos membros dos Vingadores, como é óbvio, mas é claro que também uma pequena história que envolve a Savage Land é incluída, ou seja, um mote para o aparecimento de Wolverine e consequentemente envolvimento na equipa. Além disso, o Sentry é também um dos grandes focos deste início, pois além de ter estado preso em The Raft e ter participado na fuga (se bem que dando uma ajuda aos heróis) ficamos a saber um pouco mais sobre a sua identidade/ personalidade, visto que todos os heróis o ajudam a combater o seu némesis - The Void.
No segundo HC, tudo começa com uma consequência directa da fuga em The Raft - um dos prisioneiros mais conhecidos da prisão, Kenuichio Harada, directamente envolvido com as organizações da Hydra e The Hand (a última anteriormente chefiada por Elektra Natchios). Pois bem, Harada julga ter sido preso injustamente e agora, já no Japão, pretende reconstruir o seu clã, de modo a afastar quaisquer suspeitas em relação a si quanto ao seu aprisionamento, limpando assim o seu bom nome.
Na segunda metade deste HC, Bendis volta a tocar num dos temas mais falados de 2005 - House of M. Ao que parece, a questão "Onde foram os poderes da maioria dos mutantes da terra?" é finalmente respondida num arco desenhado a meias por McNiven e Deodato Jr. A resposta acaba por ser um bocado seca, na minha opinião, pois a Marvel volta a falar num dos reboots com mais fracasso da editora - o final da série New X-Men do Morrison que, como todos sabem, ficou mal resolvida com a confusão toda entre a identidade do Xorn e de Magneto.
Além disso, a meio desta colecção é ainda focada a apresentação dos Novos Vingadores à imprensa, onde até há lugar para uma participação hilariante de J. Jonah Jameson. Recomendado!
Por fim, para completar esta edição, são também incluídas outras edições ligadas a esta saga como um encontro entre Quarteto Fantástico e os Vingadores, o primeiro anual da série um excerto de Giant Size Spider-Woman, essencial para o entendimento mais profundo da personalidade da dita cuja.

Irei continuar esta série de HC's até ao seu quarto número, visto que é no fim do 4º número que começa Secret Invasion (que já estou a seguir). Como sou um fã acérrimo de Brian Bendis é claro que aconselho esta magnífica série que acaba por ser um must para os seguidores da Marvel. Comprem isto de alguma forma!

Nota: 9/10

07 junho 2008

Cosmic Odissey

Argumento: Jim Starlin
Desenho: Mike Mignola


Directamente vinda do túnel do tempo, esta obra que até há bem pouco não conhecia, da autoria do grande Jim Starlin, é uma excelente leitura que promete agradar aos fãs das séries cósmicas.

Antes de ler este livro tive o receio que encontrar muitas semelhanças com a congénere deste livro, Infinity Gauntlet, pois além de serem do mesmo autor e de pertencerem a duas editoras concorrentes que se esforçam para se superarem uma à outra, utiliza a mesma temática - uma grande problemática cósmica que afecta todos os heróis e principalmente outros planetas do espaço. Mas estava errado - Cosmic Odyssey só não supera Infinity Gauntlet por não utilizar uma personagem tão omnipotente como Thanos (uma das melhores personagens dos comics), mas ainda assim consegue contar uma história bem mais complexa e atraente com um maior leque de intervenientes activos.

Darkseid começa por descobrir que existe algo bem mais forte que ele no universo, mas esse algo não pode ser conquistado sem ajuda. Nenhum dos seus aparelhos ou servos detém o poder necessário para dominar esse elemento, portanto a única maneira é recorrer aos seres mais poderosos do cosmos - Os Novos Deuses e consequentemente os Heróis da Terra. É claro que Darkseid não tomaria esta decisão sem antes arquitectar um pequeno plano que mais tarde iria contra os objectivos dos Heróis... Esse algo que este vilão quer conquistar tem o nome de Anti-Life e está distribuido por três planetas onde em cada um deles foi instalado um Doomsday Device, uma espécie de bomba relógio que, activada, significa a destruição do dito planeta. Os heróis têm a missão de desactivar esses aparelhos, mas talvez não o consigam a tempo.

Jim Starlin foi sem dúvida um dos melhores argumentistas da sua altura, como já tinha referido no artigo anterior referente à sua passagem pela Marvel. É muito bom ver como alguém naquela altura conseguia produzir argumentos tão modernos, visto que eram muito objectivos e nada "secantes" como alguns chegavam a ser nos anos 80. Esta história é o reflexo da diversidade que Starlin consegue aplicar nas suas criações, pois como já disse, com personagens de dois mundos distintos, mas com muitas parecenças entre si, conseguiu criar duas tramas completamente diferentes, ambas com os seus pontos de interesse - se por um lado tínhamos a caracterização sublime de Thanos por outro temos uma história mais complexa que consegue prender mais o leitor.
Mike Mignola mostra mais uma vez porque é um dos melhores do mercado, esta obra apenas me deu mais vontade de ver este homem num título mainstream. Em Hellboy o desenho é muito bom, mas acho que em Cosmic Odyssey é muito superior - a dinâmica é excelente, a partir de vários quadros iguais consegue criar uma narrativa cativante. Um bem haja para estes senhores e esta obra!

Nota: 9/10

31 maio 2008

You Tube of The Week #10 - Italian Spiderman Ep. 02



Aqui está o segundo episódio desta série que promete fazer rir muita gente. Este episódio foge um bocado do esquema do anterior, mas serve para introduzir um novo mistério muito familiar...

29 maio 2008

The Infinity Gauntlet

Argumento: Jim Starlin
Desenho: George Pérez e Ron Lim

Meus senhores, esta é simplesmente das melhores histórias da Marvel que li, se não mesmo a melhor dentro dos clássicos da editora. O conceito de mega-saga começava a entrar na moda na altura e lá surgia uma destas mini-séries que teve a feliz oportunidade de ser escrita por um escritor decente, aliás, mais que decente - um grande argumentista.
Starlin consegue criar uma história que foge muito dos padrões daquela altura, pois não só acaba com diálogos monótonos e que tiravam muito a acção às histórias como não só consegue ainda assim caracterizar as personagens de forma exacta e tal como elas supostamente são.
Thanos é identificado como uma gigante força cósmica que pretende ser e tem como objectivo o domínio individual de todo universo, excluindo até mesmo a mais invencível força que o possa enfrentar.
Os Heróis principais acabam por se tornar peões de uma grande "partida de xadrez" jogada pelas personagens principais (Thanos e Adam Warlock) e curiosamente nem estão no grande plano da história chegando mesmo a tornarem-se personagens secundários.
Adam Warlock acaba por ser o mote principal desta trama. Preso numa das realidades criadas pelas Gemas do Infinito (6 ao todo que, todas juntas na chamada Infinity Gauntlet, dão ao portador o poder necessário para governar o universo de uma forma invencível), Adam acaba por ser aquele que comanda os soldados de guerra utilizando-os de forma um pouco insignificante (que afinal é o verdadeiro papel de um herói numa guerra cósmica!).
Nebula representa a criatura oprimida pelo todo poderoso Thanos, que a ressuscitou de forma a mostrar à Morte que o seu poder não tem limites, mas esse poder teria de ser complementado com um pouco de malícia é claro.

Esta história, no fundo, é uma metáfora ao que ao poder em si significa no universo. Todo e qualquer poder é efémero e se há coisa que é certa é que ele não é eterno para uma única pessoa. Como se vê aqui, Thanos, o mais ambicioso dos seres termina a história sem qualquer poder, apesar de no início tal ter parecido inimaginável. Nebula, representante de um "povo" abduzido que no fim acaba por alcançar o patamar que tanto desejava - o do poder supremo capaz de humilhar o seu antigo líder. Mas é claro que o poder não pode ser possuido por qualquer um, ainda para menos o mais fraco dos intervenientes. Temos também Adam Warlock, que representa a inteligência, a táctica por detrás da guerra que fazem com que no clímax de Infinity Gauntlet seja ele o final portador do poder infinito. Aquele que menos deseja o poder é, afinal de contas, aquele que é merecedor de tal prémio.

Aconselho este clássico a qualquer um, mesmo muito. O desenho começa muito bem nas primeiras edições por causa de George Pérez, mas mais tarde é Ron Lim quem o substitui (provavelmente pelo excesso de páginas que cada edição contém), o que me fez ficar um bocado descontente. Pérez tem uma dinâmica que nem muitos tinham naquela altura e para mim dinâmica é tudo, ou seja, storytelling competente.

Nota: 9.5/10

24 maio 2008

You Tube of The Week #9 - Italian Spiderman Ep. 01


Eheh, fantástico este primeiro vídeo do Homem-Aranha italiano. O actor que interpreta este maravilhoso personagem ainda tem muito para dar neste pequena série da Web que vai durar 10 episódios, um a cada semana. Por isso, estejam atentos aqui ao blog se gostaram de ver esta introdução.

20 maio 2008

Sugestão Musical: Bob Dylan- Highway 61 Revisited

Apesar de conhecer Bob Dylan há já muito tempo, só há poucos meses é que decidi começar a ouvir algum material deste senhor, muito em parte por sugestões amigas que me "pressionaram" incansavelmente até ouvir algo de Dylan. Pois bem, aqui estou já com dois álbuns deste senhor na minha memória, tanto o Bringing It All Back Home como este que agora vou falar.
Dylan tem o dom de contar uma história de uma forma não muito comum, mas sempre com um toque especial que me encanta a cada vez que o ouço. O storytelling é excelente, dá sempre vontade de acompanhar a história que ele nos tenta transmitir, isto juntando também as excelentes melodias que acompanham todas as faixas de Highway 61 Revisited.
Este álbum começa com uma das mais aclamadas faixas deste artista, Like a Rolling Stone, uma melodia com um refrão que pertence a Dylan sem dúvida nenhuma. A forma de cantar, o toque único da sua voz, tudo isto faz com que este senhor tenha uma das melhores vozes de sempre em toda a historia da música, e digo isto sem qualquer medo. É então que se seguem outras faixas como Tombstone Blues, uma das minhas músicas preferidas, ou a brilhante Ballad Of A Thin Man, que julgo ter ouvido há já alguns atrás sem nunca saber exactamente de quem era.
Bob Dylan torna-se assim um dos meus artistas favoritos, mesmo tendo apenas ouvido dois álbuns da sua extensa discografia. Já agora aproveito para dizer que do que vi do seu recente filme biográfico, I'm Not There, deu para relembrar algumas das minhas músicas favoritas (Maggie's Farm, por exemplo). Fica aqui a sugestão para aqueles que ainda não ouviram este.

14 maio 2008

Young Avengers vol. 1 - Sidekicks

Argumento: Alan Heinberg
Desenho: Jim Cheung


As academias dos heróis principais viraram moda - desde a própria Academia X, a base de "talentos" dos mutantes da Marvel, até mesmo a versões muitos mais jovens e inusitadas, como é o caso de Power Pack, o Quarteto Fantástico infantil do futuro.
É numa tentativa de angariar novos leitores que a Marvel toma estas iniciativas, lançar versões mais jovens dos heróis principais, juntando ainda um argumento acessível cheio de diálogos muito personalizados que cumprem o seu papel, o de entreter. E se há coisa que aprecio num comic é que, com uma história tão simples por trás, com personagens que à partida já estão gastas devido aos seus antigos mentores, possa ser divertidamente interessante e que cative tão facilmente o leitor. Foi por isso que li este livro em escassas horas, quando normalmente levo 2-3 dias para ler um TPB (eu sei, é esquisito).
É claro que Alan Heinberg não se torna nenhuma espécie de Deus por ter escrito esta história, nem por sombras, até porque várias falhas estão evidentes em Sidekicks, não fosse este o comic de estreia do autor, vindo do meio televisivo. Algumas vezes as piadas vêm fora de tempo, as relações entre as personagens tornam-se demasiado "normais", sendo que à partida já se sabe no que elas vão dar. Mas é claro que nada disto apaga o excelente desempenho de Heinberg neste primeiro capítulo de Young Avengers, visto que uma estreia nunca é perfeita. Ainda tenciono ler o segundo volume para ver como se deu a evolução do argumento, mas como já li outras fase de Heinberg posso afirmar que conseguiu superar bem as dificuldades que notei neste livro. O facto de eu adorar o Brian Michael Bendis, com hist´roias cheias de diálogos, é que me fez gostar ainda mais desta série.
O storytelling do Jim Cheung é algo refrescante, pois além de ter um arte muito agradável (apesar de as faces dos personagens serem sempre muito parecidos) consegue também distribuir bem o argumento ao longo da prancha, sem nunca ter um arte confusa.

Julgo que esta seria uma boa série mensal para a Marvel, já que dá sempre para desanuviar um pouco do Universo regular, mas parece que o argumentista não tem muito tempo para tal. Para já, está a sair um especial de 5 números, se não me engano e, além disso, os Young Avengers terão destaque na terceira edição de Secret Invasion, portanto, estejam atentos!

05 maio 2008

Murmúrios das Profundezas em Beja

É já no próximo Festival de BD de Beja que o mais recente projecto de autores portugueses vai fazer a sua estreia no mundo das publicações. Com Rui Ramos a coordenador, argumentista e desenhador, juntamente com os seu colegas Diogo Campos, Diogo Carvalho, Flávio Gonçalves, Luís Belerique, Ricardo Reis, Phermad e Vanessa Bettencourt, prometem chegar para ficar, depois de vários meses a trabalhar arduamente para que os seus 6 contos, ao todo, ficassem prontos para a data de lançamento.
Murmúrios das Profundezas é, segundo os próprios artistas, uma série de contos de terror/ fantasia em BD "
inspirados pelo Universo macabro criado por Lovecraft".
A tiragem será de apenas de 200 exemplares, cada edição com cerca de 68 páginas, por isso aconselho-vos a não deixarem o vosso exemplar escapar-vos.

Dia 11, Domingo, por volta das 15h dá-se este "assustador" acontecimento, mas não tenham medo, Beja terá muitas outras surpresas. Para os mais distraídos aproveito para dizer que no mesmo fim-de-semana poderão contar com a presença de Dave McKean, portanto, motivos não vos faltam para lá irem.

NOTA: Dia 11 apenas será feita a apresentação do projecto, por motivos técnicos a impressão dos livros não ficou pronta a tempo.

03 maio 2008

Iron Man

Actualmente as adaptações de personagens de BD ao cinema são o pão nosso de cada dia, mas o problema reside sempre na qualidade das mesmas. Avaliando estes último anos de filmes relacionados aos personagens da Marvel e da DC (maioritariamente da Casa das Ideias), temos uma grande caixa com produções que não valem a ida ao cinema e também temos um pequeno cofre em que residem as boas adaptações. Até hoje a trilogia do Homem Aranha foi a que melhor me convenceu enquanto boa adaptação, juntamente com o 300 de Frank Miller. O último filme do Batman é também uma boa escolha, mas se formos a falar do Super-Homem, tal qualidade não se repete, nem de perto nem de longe. Sin City e Hellboy também são aconselhados.
Pois bem, senhores realizadores de cinema, se querem um filme base para se guiarem por entre as vossas experiências cinematográficas com super-heróis, escolham esta grande adaptação da personagem Iron Man, que sem conseguir ser brilhante ou excelente, é um belo blockbuster deste ano, que nem sequer roça o excesso comercial e consegue entreter durante cerca de duas horas a audiência, captando a essência de um Tony Stark adaptado às necessidades modernas (personagem com um humor arrogante, literalmente um homem de ferro com um coração de ouro, mulherengo e certas vezes desajeitado).
Por assim dizer, neste filme temos a acesso a um Stark na sua versão Ultimate, como já seria de esperar. E é aqui que reside o que o ponto chave de toda a longa metragem - não são os efeitos especiais que fazem de Iron Man o bom filme que é, mas sim a encarnação de Robert Downey Jr., que interpreta de forma brilhante o milionário playboy da Marvel. Além disso, o argumento ajudou em muito para que a caracterização de Stark ficasse memorável, juntando a isso também as personagens em redor do protagonista, com Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) em destaque, o braço direito de Stark. O clichê óbvio de que a ajudante feminina e o herói acabam sempre por ficar juntos é muito bem contornado neste argumento, fazendo com que haja apenas uma espécie de amor platónico entre os dois muito agradável de se ver. O vilão, esse sim, é usado de uma forma muito básica, começando por ser apresentado como grande amigo de Tony, mas revelando-se no fim como o verdadeiro némesis deste episódio. A armadura inspirada nos conceitos de Adi Granov dá aquele ar cool que uma personagem deste calibre exige e no fim Tony não consegue mesmo esconder que é sem dúvida o Homem de Ferro, depois de tanta especulação junto da imprensa. Aos mais distraídos, eu incluído, não abandonem logo a sala quando o filme terminar, mas apenas após os créditos passarem. Há uma cena (que se pensava ter sido cortada) com um nosso conhecido que merece ser vista.

Iron Man abre bem esta nova temporada de adaptações da recente Marvel Studios, que terá ainda este ano a estreia da nova adaptação do Hulk. Jon Fevreau está de parabéns e espero que consiga levar avante a sua planeada trilogia com esta personagem, com a sequela a surgir em 2010. Next: The Dark Knight.

25 abril 2008

Nova Loja de BD em Almada

É amanhã que se dá a inauguração de uma nova loja dedicada à 9ª Arte, desta feita em Almada. Hugo Teixeira (o autor do recente Bang Bang) e Ana Vidazinha são os cabecilhas deste novo estabelecimento que vem tentar dar um pouco mais de BD à população deste país.
Situada no Centro Comercial Faraó, mais especificamente na 4ª Loja, a Asa Negra Comics abre as portas amanhã às 15 horas. Vários produtos estarão disponíveis, desde Comics, Merchandising, Jogos de Tabuleiro ou até o serviço da Previews, onde poderão fazer as vossas encomendas mensalmente.

Fica aqui a sugestão: www.asanegracomics.com

20 abril 2008

Secret Wars

Argumento: Jim Shooter
Desenho: Mike Zeck e Bob Layton

Decidi ler este livro mais pela sua característica histórica do que pela a história em si. Afinal este foi o primeiro crossover na história dos comics, ou seja, a primeira mini-série onde vários heróis e vilões se juntaram para que dessem origem a um grande evento de pancadaria. Este livro também me surge numa altura em que os crossovers dominam o mercado norte-americano, como se pode constatar neste e outros anos passados, onde existem logo dois ou três eventos anuais. "Fans vote with their dolars" disse Joe Quesada há uns dias quando questionado por um fã se os mega-eventos da editora não estariam a ser demasiados. E eu não lhe podia dar mais razão.
A única coisa que sabia acerca deste "Guerras Secretas" era que os heróis da Marvel, juntamente com um punhado de vilões, tinham sido transportados para um mundo alienígena. Desconhecia a participação do Beyonder como entidade cósmica causadora deste embate entre titãs, tal como não sabia bem quem figurava na história, portanto, não houve grande trabalho de pesquisa prévio da minha parte.
A premissa deste conto, esclarecida logo de início pelo próprio Beyonder é a de que quem ganhar aos seus inimigos neste batalha (Bem vs. Mal) poderá pedir qualquer coisa em troca. Ao invés de serem criadas apenas duas facções, os heróis e os vilões dividem-se em várias outras por haver uma extrema colisão de ideias. Basicamente, ninguém se entendia.
O ponto alto desta mini-série nem é o facto de quase todo o plantel da Marvel estar incluído ou as inúmeras cenas de luta, mas sim a caracterização das personagens. Esse é para mim o aspecto fulcral. Jim Shooter consegue captar na perfeição a essência de cada personagem, mas especialmente o Dr. Doom. De uma forma não muito óbvia, Shooter mostra que Doom não se tornou apenas naquela carapaça de metal que cobre o seu corpo, mas que ainda no seu subconsciente existe algo de humano dentro de si. Isto pode soar meio cliché, mas a cena nem é aquele típico momento em que o vilão descobre que ainda é humano e faz um acto heróico. Não. Doom fá-lo mesmo inconscientemente, fazendo com que haja um conflito de personalidades, o que torna o trabalho de Shooter ainda melhor.
É claro que este aspecto não salva toda a obra, mas ainda assim para aqueles que gostam de saber mais sobre a Marvel pode ser uma leitura agradável. Se forem daqueles que procuram uma arte boa, não se iludam. Mike Zeck até se safa bem, mas não é nada de extraordinário. O coitado do homem não percebia muito de anatomia humana, especialmente dos pés, mas enfim, para a época não se podia pedir muito. O único Deus da altura era o Senhor Romita.

Nota: 7/10

19 abril 2008

Daniel Maia na Marvel

É verdade meus amigos, o provavelmente mais dotado desenhador de Comics em Portugal parece que finalmente conseguiu um lugar ao sol nas terras do Tio Sam. Daniel Maia foi escolhido pela Marvel através da iniciativa Chesterquest, organizada por C.B. Cebulski, para desenhar um especial da personagem Ms. Marvel. Esse especial faz parte de uma série de outros comics escolhidos para outros vencedores da Chesterquest.

Antes de mais queria dar os meus parabéns ao Daniel por este feito. Sei que sempre tentou ter um lugar nos comics americanos, mas que por um motivo ou outro não tinha sucesso. Espero que o seu trabalho não se resuma a este especial e que ele se torne um dos melhores na Casa das Ideias. Boa sorte para esta nova fase.

26 março 2008

Preview de 10 Páginas de Secret Invasion

A Entertainment Weekly divulgou há poucas horas um preview de 10 Páginas da proxima grande saga da Marvel Comics - Secret Invasion. Depois de termos acesso a apenas três páginas há já uns tempos no catálogo da Previews, a Casa das Ideias decidiu abusar um pouco para aumentar o interesse nesta Invasão.
É pena não o poder postar aqui, devido à impossibilidade de guardar as imagens no PC, mas consegui disponibilizar pelo menos a capa para os interessados. Apesar de esta estar francamente boa, a de McNiven é mesmo a melhor para esta série. Para verem o preview basta clicar aqui.

A arte de Leinil Francis Yu está muito melhorada, em grande parte devido às cores mais limpas e mais agradáveis. Em Avengers também gostava dele, mas penso que aqui melhorou imenso. Quanto ao argumento, não li nem vou ler, só quando tiver a edição em mãos.

25 março 2008

Project Superpowers #0

Argumento: Jim Krueger e Alex Ross
Desenho: Stephen Sadowski, Doug Klauba e Alex Ross

Superpowers é talvez o comic mais esperado para este início de 2008, muito em parte pelo nome dos autores, como o conhecido Alex Ross e o seu, agora frequente, colaborador Jim Krueger, Os dois haviam trabalhado juntos na mini-série Justice para DC, onde até conseguiram uma muito boa história um bocado fora dos estereótipos actuais dos super-heróis.
Nesta série o objectivo é outro. Além de terem um pouco mais de liberdade por estarem a trabalhar numa editora independente, os autores tiveram de criar um rol gigantesco de personagem, que na verdade são mais uma "missão se salvamento" de personagens da Era de Outro do que propriamente uma criação.
Infelizmente não é Ross que desenha, o que tira grande parte da essência que esta leitura poderia tem. A coisa ainda piora não só pelo verdadeiro desenhador ter capacidades duvidosas como também pelas capas chegarem a ser um engodo para o leitor pensar que o interior será tão belo.
Pode-se dizer desde já que este comic (pelo menos este número) é uma valente trampa. Não sei se é mais pelo hype que foi criado em volta da série, com tanta cobertura pelos sites especializados e com a intervenção de autores que são muito bem cotados, mas o que é certo é que a história de Superpowers é confusa e sobretudo chega a ser desinteressante. O que mais gostei de Krueger na sua antiga mini-série foi exactamente o seu argumento detalhado e longo, mas eu já conhecia todas as personagens o que facilitou a leitura e a tornou mais interessante, mas neste comic é nos mostrado um mundo completamente novo e diferente (apesar das óbvias referências à história mundial) o dificulta a leitura. As personagens são novas, não conhecemos os seus poderes, atributos ou defeitos, não conhecemos a génese de nenhuma delas (mesmo que alguns poderes sejam evidentes) e também não sabemos o seu objectivo (sem ser o de salvar o mundo). Onde quero chegar é que a trama está muito mal construída, chegamos a ver 20 ou mais personagens numa só página sem conhecermos nada sobre eles. Até um deles morre numa sequência desleixada e sem sentido nenhum.
Basicamente somos confrontados com uma enxurrada de personagens que não conhecemos de lado nenhum, que falam sobre coisas das quais não percebemos nada e que levam a situações em que ainda menos se sabe. Além disso, o facto de a história andar à volta da Pandora Box (sim, aquela caixa mitológica que no fundo não é uma caixa, mas sim uma urna) é completamente chato, ainda para mais quando se mistura esse mito com o Hitler e a Segunda Guerra Mundial. BORING!
Acho que já falei demasiado mal de Superpowers. Talvez nos próximos números isto melhore, mas não quero estar lá para ver. Just buy if you're a true believer! Se estão à espera de uma boa história este não é o comic indicado. Se quiserem jogar à cabra cega, aí sim, é uma boa leitura para este mês.

Nota: 3/10

24 março 2008

Preview de All Star Superman #10


A DC divulgou um dos melhores previews dos seus lançamentos desta semana. Falo é claro de All Star Superman #10, com arte soberba de Frank Quitely. Ao que parece a editora não quer revelar muitos detalhes sobre esta edição, já que a sinopse esclarece muito pouca coisa sobre o que se irá passar. Há que ter em conta que no número 12 a run de Grant Morrison e Quitely irá ver o seu fim para que surja uma nova série nos mesmo moldes, mas desta feita em formato ongoing, portanto a DC não deve querer desvendar muitos detalhes.
Ainda não há certezas sobre a permanência de Morrison no título, mas o desenhador irá mesmo abandonar a série. Ao que parece, a DC quer fazer uma espécie de Ultimate Superman, com uma nova origem e uma história diferente. Resta-nos saber para onde irá Quitely depois deste seu excelente trabalho à frente do Azulão. Aos que não conseguiram apanhar o primeiro desta série, aproveitem o próximo Free Comic Book Day que irá ocorrer já no próximo mês. Como o nome sugere, vai ser distribuida uma cópia grátis do número 1 de ASS, como também outros comics (nomeadamente Hellboy/ B.P.R.D) nas lojas especializadas portuguesas.



Esta semana com 32 páginas a $2.99!

23 março 2008

Criminal 2 #1 - Second Chance In Hell

Argumento: Ed Brubaker
Desenho: Sean Phillips

Gnarly Brown, filho de Clevon Brown, nasceu no seio de uma família abastada, para a qual o seu pai trabalhava há já vários anos após um acordo entre ele e Walter Hyde, um homem que se tornou o mais influente da sua cidade. Clevon converteu-se no braço direito de Hyde acompanhando-o para qualquer lado. Qualquer decisão que fosse tomada em relação aos negócios escuros que ocupavam Walter na maior parte do seu tempo, tinha sempre de passar por Clevon antes de andar para a frente. Ele era sem sombra de dúvida a pessoa com o papel mais preponderante na vida de Walter, não tivesse sido ele o responsável pela sobrevivência deste homem há uns anos atrás.
Clevon acabou por morrer de cancro, deixando para trás o filho Gnarly sem qualquer família, apenas Walter e o seu filho Sebastian Hyde para o acompanharem. É claro que os pais destes dois rapazes queriam que os filhos lhes sucedessem e se tornassem exactamente como eles no futuro, mas Gnarly não pensava assim, ao contrário de Sebastian. Gnarly tinha uma forma muito própria de pensar, o que o levou a ser um pugilista profissional, ao lado do seu treinador Tweedy. Ao longo do tempo conseguiu ganhar respeito entre todos os seus adversários, sem nunca ter perdido um combate. Até que apareceu a mulher que lhe iria dar a volta à cabeça. Ela veio para fazer com que a sua vida nunca mais fosse a mesma, mas também desapareceu com esse mesmo objectivo. Anos se passaram até que Danica se voltasse a intrometer na vida de Gnarly, mas não com o objectivo de o voltar a ver, não. Acabar com Sebastian Hyde era o trabalho que havia para fazer e ela não hesitou em ocupar-se desse cargo, após uma história a dois muito mal acabada. Mas isso valeu-lhe a vida. E também a carreira de pugilista de Gnarly. Tudo pelo amor da sua vida.

É como eu digo e não me canso de repetir - Brubaker is the man! O homem consegue tornar qualquer história, qualquer personagem ou qualquer ambiente em algo magnificamente interessante, que valem todo o dinheiro que se paga para ter a história. Além disso, o esforço para conseguir publicar cartas dos leitores e artigos sobre filmes noir é sempre de louvar. Também não esquecer a principal nova característica de Criminal - a excelente qualidade do papel. E isto é apenas um comic, que se tornou numa autêntica "crime mag". Quem compra os trades fica, como é óbvio, muito descontente pois fica sem acesso aos artigos e às futuras entrevistas (e outros bónus) que Brubaker introduziu neste comic. E já houve várias queixas de compradores dos TPB's, mas o argumentista rematou que são estas pequenas coisas que os leitores mensais merecem, pois são eles que fazem com que o comic viva, e não poderia haver verdade mais incontestável.
Sean Phillips melhora a cada edição que até mete impressão. As expressões das personagens, os backgrounds, o storytelling e tudo mais tem um toque muito especial deste artista. Além disso, as cores de Val Staples são também algo a sublinhar, pois sem este também excelente trabalho, Criminal não seria Criminal.
A última nota vai para a capa desta edição, que está espantosa (e o artwork de apresentação do novo arco também tem grande qualidade). As outras edições também tiveram capas muito boas, mas esta é a melhor, na minha opinião.

Nota 10/10

War Heroes, Nova Série da Image

War Heroes é o próximo grande hit da editora Image, que promete vender muitas cópias deste comic, tendo em conta a magnífica equipa autores. Falo é claro de Mark Millar e Tony Harris, o autor de Ultimates e Kick-Ass e o desenhador de Ex-Machina e das capas de Conan.

Segundo Millar, este é o culminar de todos os conceitos que tem vindo a desenvolver nos seu últimos comics, nomeadamente Ultimates, Authority ou Wanted, que usavam a proximidade com a realidade como principal característica. Millar chega a classificar esta série de Ultimates 3, à sua maneira. Além disso, este é um sonho antigo de Millar, em que pode fazer uma série com a habitual liberdade criativa concedida pela Image juntamente com um "belo trabalho artístico" por parte de Tony Harris, o que é absolutamente verdade pelo que podem ver na capa ao lado.

Aqui segue a sinopse feita pela própria Image:
"In an America not too far off from our own, terrorism has scorched the Earth. Our once great nation has shattered into a bastardized, third world version of its previous self. When traditional tactics prove obsolete in this new country, America's military force turns to the last weapon with any hope of - superhumanity."
Com certeza que esta série não me irá escapar, pois tenho grandes expectativas em relação a ela. Só os autores fazem com que esta possa ser uma das séries do ano, agora só depende de Millar e da história que nos vai mostrar. Sai dia 25 de Junho numa mini-série de 6 números, quem quiser encomendar terá de o fazer já no próximo mês através da Diamond. Para verem um preview da arte, cliquem aqui.