28 setembro 2008

Superman: Last Son

Argumento: Geoff Johns e Richard Donner
Desenho: Adam Kubert 

Quando li este livro veio-me rapidamente à memória a melhor estória que já li do Super-Homem - Superman: Secret Identity, e notei várias semelhanças na abordagem destes dois enredos que, apesar de tocarem momentos cronológicos completamente diferentes, partilham alguns pontos interessantes desde a possível paternidade de Kal-El até à qualidade que as duas obras possuem.
Em Secret Identity lidamos com a origem do Superboy Prime, habitante de um planeta em que os super-heróis apenas existem na forma de Banda Desenhada. Mas para grande azar deste personagem, os seus pais deram-lhe o nome de Clark Kent à nascença, o que faz com que todos os seus amigos e familiares trocem dele de alguma forma com comparações algo insólitas. 
"Onde é que anda a Lois, Clark!?" era a deixa mais conhecida no liceu onde Clark tinha aulas. Por sua vez, em cada aniversário seu era bombardeado com os mais deliciosos presentes da personagem dos comics, desde estórias antigas até a uniformes e outros que tais. Quem disse que ter um nome destes era fácil?
Neste Last Son, o Super-Homem é o original e já conta uma idade bem mais avançada. O Universo é o que todo nós conhecemos e inclui a Lois Lane, Jimmy Olsen, Perry White e outros tantos, o que permite que toda a mística deste personagem esteja presente. E para que esta continue a ser uma estória interessante do Super-Homem, é também preciso que esta tenha uma premissa simples, sem esse factor não valeria a pena pegar neste livro.
Kal-El descobre que afinal não é o último sobrevivente de Krypton e que afinal ainda havia um descendente que se havia perdido na Zona Fantasma, uma espécie de prisão Kryptoniana a que aqueles que haviam cometido crimes estavam condenados, com a vantagem de que por lá o tempo não passava, daí este indivíduo ter sobrevivido durante tanto tempo.
Ao início, Chris Kent (nome de código dado à criança e uma óbvia referência a Christopher Reeve) é alvo de estudos por parte do Governo, o que contribui para que Clark tente assumir rapidamente a paternidade do rapaz juntamente com Lois, apesar de esta recusar numa primeira instância. A partir daqui, o desenrolar da estória é digno de uma adaptação cinematográfica, não fosse ela dirigida por Richard Donner e Geoff Johns. Até existe um capítulo passado na Zona Fantasma adaptado à tecnologia 3-D, sem dúvida um dos momentos altos deste livro.
Ainda assim, neste conto do Super-Homem, acontece algo que raramente se passa - o desenho supera a mestria do argumento. E eu pergunto-me como é que isto seria possível quando o argumento, por si só, já é algo tão bom? A resposta é "Adam Kubert". Parece mesmo que "filho de peixe sabe nadar". A arte deste senhor não pode ser descrita, apenas vislumbrada e logo contemplada. Podem dizer que a arte não é hiper-realista e que os bonecos dele parecem vindos de uma série animada, mas antes de qualquer artista saber desenhar uma anatomia perfeita de um personagem, deveria aprender a fazer Banda Desenhada, que essa nem todos sabem. Isto sim é Banda Desenhada!
Tanto Secret Indentity como este Last Son são estórias com uma beleza imensa, devido à sua simplicidade que capta na perfeição dois momentos destintos da vida do Super Homem, se bem que no primeiro se foca toda a vida do mesmo chegando até à parte em que Clark se assume como pai de duas filhas, se não estou em erro. Ah, a arte também é espectacular em SI. 
Acho que o Super-Homem é aquela personagem que todo gostam, pois é de facto interessante ver como um perfeito Deus consegue ter uma mitologia tão banal e sedutora ao mesmo tempo. Sem dúvida que estes dois livros devem ser lidos por todos vós que gostam de BD.
Nota: 9/10

22 setembro 2008

Captain America: White #0

Argumento: Jeph Loeb
Desenho: Tim Sale
Não vou dizer muita coisa sobre esta amostra da mais recente mini-série das Cores, da dupla Jeph Loeb e Tim Sale, pois além de não ser digna de um registo muito longo, tem apenas pouco mais de 10 páginas de estória e outras 10 de extras que, diga-se de passagem, são completamente dispensáveis à excepção de uns certos esboços do Sale.
Este prelúdio não é mais do que uma breve origem do Capitão América que conta como surgiu uma das primeiras duplas de Super-Heróis dos comics. Basicamente, é o recontar do recontado que mastiga muitos dos elementos do personagem nobre da Marvel, fazendo com que a mística do mesmo se perca ao longo das páginas. Jeph Loeb tornou-se um contador de estórias péssimo e o story-telling de Tim Sale piorou juntamente com a sua arte. Chegamos, portanto, à conclusão de que estes dois pouco ou nada têm acrescentar a esta indústria, se bem que tenho uma pequena esperança em relação ao Sale.
As palavras de Loeb não ficam na memória, tornando-se descartáveis, não têm impacto nenhum e são vazias, não há praticamente qualquer enredo a seguir - os heróis tanto podem estar no cinema, como estar num campo de batalha. A arte de Tim Sale está a quebrar e a não aproveitar aquilo que de mais belo existia nela - a simplicidade do traço está a tornar-se em algo desproporcional que faz lembrar os momentos estelares da carreira de Rob Liefeld.
Há algo mais a dizer? Pois claro - não comprem! De qualquer forma estarei cá para fazer o julgamento da mini-série completa.
Nota 4/10 - Chover no molhado!

17 setembro 2008

Mais Erros de Impressão em Action Comics #869

Estes últimos dias têm sido uma verdadeira dor de cabeça para a DC Comics, isto depois dos problemas com All Star Batman and Robin #10. Desta feita, foi o outro principal herói da editora que teve um problema na impressão da capa em Action Comics #869, da autoria de Geoff Johns e Gary Frank, como podem ver em cima.
Não conseguem ver as diferenças? Eu ajudo (com a ajuda do Rich Johnston, que detectou este erro): Gary Frank desenhou esta capa com o intuito de mostrar Clark Kent e o seu pai a beberem uma cerveja muito pacatamente. Passaram-se três meses e a DC, após rever a capa, achou que seria melhor para todas as crianças leitoras não verem o seu ídolo a beber álcool e decidiu, então, alterar a garrafa para uma SODA! Soda esta que faz muito bem aos jovens, cheia de açúcar e gás que ameaça constantemente o metabolismo humano.
O pior é que a DC teve três meses para detectar este erro, mas só quando a edição já está à venda é que se lembram, subitamente, de alertar os vendedores a pedirem que destruam todos os exemplares (está-se mesmo a ver que é o que vai acontecer). 
A novela não fica por aqui. Ainda não há relatos específicos, mas especula-se que o comic DCU: Decisions, também sofreu um erro de impressão... Estas pérolas já estão a valer uma pipa de massa no ebay.

16 setembro 2008

T-Shirts da DC Comics na Pull and Bear

Ao que parece, a nova colecção de Outono da famosa cadeia de lojas de roupa, Pull and Bear, recebeu um carregamento de várias t-shirts com temas dos heróis mais famosos da editora DC Comics. Quem me contou isto há umas semanas foi o Diogo Campos, mas só hoje é que tive a oportunidade de dar uma saltada à dita loja e ver finalmente as tais camisolas. Há anos que procurava umas do género, portanto adorei esta iniciativa da Pull (tal como tantas outras). 
Como podem ver pela imagem, estão ali algumas amostras das peças que foram fabricadas. Além de três modelos do Flash, dois do Joker, do Plastic Man e dos Heróis da DC, também existem modelos do Penguin, Green Lantern e da Wonder Woman.
Não se inibam e comprem umas quantas destas, valem muito e pena. O único ponto negativo são os atributos de certas t-shirts, como por exemplo, a aplicação de brilhantes que, na minha opinião, ficam bastante mal.

15 setembro 2008

Neil Gaiman em Batman #685

Esta notícia já é um bocado antiga e toda a gente já sabe que o Neil Gaiman vai escrever um comic na actual série do Batman, mais concretamente o número 685. Grant Morrison é quem está a tentar re-definir a personagem de Bruce Wayne através da saga da Batman R.I.P., sendo que o Neil irá participar na série logo a seguir a este evento. Ao que parece, também a série Detective Comics terá a participação deste argumentista, fazendo assim um arco de dois comics a sair em Janeiro. O desenho ficará a cargo de Andy Kubert, à direita.
A estória terá o nome de "Whatever Happened to the Caped Crusader?", uma clara alusão à famosa estória de Alan Moore com o Homem de Aço. A intenção é de encerrar definitivamente a saga de Morrison e re-re-definir o Batman para que possa ser utilizado por outros argumentistas, futuramente. E por falar em futuro, Dennis O'Neil irá também escrever duas edições do Batman, a seguir a Neil gaiman, focando o estado em que Gotham se encontra os últimos eventos.

Apesar de ter medo do que vai sair daqui, é óbvio que é algo que devo comprar. Mas tenham muito medo!

10 setembro 2008

BatBarraca em All-Star Batman

Okay... Esta espécie de trocadilho até que foi infeliz, mas pior foi a mais recente polémica entre a Diamond a edição #10 de All-Star Batman and Robin, The Boy Wonder. As vendas já estavam más, mas estes errozitos e ainda melhoram pioram popularidade da série...
A Diamond, a gráfica que imprime e destribui todos os comics feitos na América não reparou que houve um erro no lettering da edição acima referida em relação à censura das palavras menos próprias do comic. Palavras como "ASS" e "FUCK" passaram despercebidas com apenas uma barra preta por cima, menos escura que as próprias palavras, ou seja, aqueles habituais @$$ [símbolos] que sempre substituem tais atrocidades foram esquecidos. As páginas já caíram na net e foram divulgas pelo sempre prestável Rich Jonhston, na sua conhecidíssima coluna de rumores [link]. Podem vê-las em cima deste texto.
A situação foi levada ao extremo pela distribuidora, ao ponto de esta pedir às lojas onde esta edição tinha chegado que destruissem os exemplares e que uma nova edição está a caminho.
POSSAS! Agora é que já me estragarm o dia! Então deixam isto acontecer? E agora? Os pequenos (e poucos) rapazitos que ainda leêm isto vão ficar com traumas de infância. Sugiro que a DC procure rapidamente um advogado e processe a Diamond, não vá isto acontecer outra vez.
P.S.: Não sei quem é que tentou censurar aquelas palavras lá em cima... Treta!

08 setembro 2008

Thor #1-10

Argumento: J.M. Straczynski
Desenho: Olivier Coipel e Marko Djurdevic

Magnífico! Aqui é que se pode constatar que comics não se tratam apenas de super-heróis à pancada, em cenários terrestres ou aéreos com centenas de pessoas a gritarem pelas suas vidas. E não cultiva a pré-adolescência!
Para quem não sabe... o Thor é um Deus Nórdico que habitava em Asgard, lar de todos os outros Deuses da sua mitologia, mitologia esta adaptada ao Universo Marvel. Recentemente, todos os Deuses que faziam de Asgard a sua moradia, passaram por Ragnarok, uma espécie de Apocalipse destas personagens mitológicas que se acredita ser cíclico, em que os Deuses morrem de modo a renascerem para outras vidas distintas.
Straczynski partiu deste princípio e a sua storyline é, de facto, uma continuação da série anterior que deixou de ver a luz do dia no ano de 2004, esperando até que em 2007 alguém a resgatasse. Diga-se de passagem que foi um hiatus relativamente bem conseguido. Às vezes as personagens precisam de respirar e de facto foi uma boa espera até que o Strac surgisse para criar um status quo totalmente diferente daquilo a que estávamos habituados. Atenção que é necessário ler a série até aqui de modo a que se possa apreciá-la da melhor forma. Quem ler só o primeiro trade poderá ficar desiludido com a pouca informação que é transmitida.
Asgard já não se situa em nenhuma dimensão paralela ou algo do género, mas sim na Terra. isso mesmo, é uma espécie de cidade antiga flutuante que está no meio de um descampado, perto de uma cidade onde o... "alter-ego" de Thor, Donald Blake, se alojou. A população é muito sociável (veja-se os encontros que se realizam entre estes e os Deuses), o que proporciona um ambiente excelente para establecer um status quo livre de perigos e chatices.
E é mesmo isso que estas 10 primeiras edições, e as que se seguirão, fazem - establecem uma nova vida para Thor e companhia, sem nenhum habitual vilão de segunda linha que visita Asgard constantemente só para entreter a malta. Não. Aqui criou-se uma vida totalmente nova, novos hábitos, onde os Deuses estavam perdidos há já muito, alojados em seres humanos comuns (à semelhança de Eternals de Neil Gaiman) que Thor tenta encontrar com o objectivo de reunir todo seu império deixado por Odin, seu pai.
É claro que uma mudança para a Terra não é totalmente colorida e os Deuses mostram problemas quanto à adaptação à sua nova casa. Grande parte da mitologia nórdica perde-se com esta mudança, desde os desaprecidos Frost Giants até a outras criaturas mitológicas que agora me escapam. É claro que para o leitor este não é um problema, pois Strac apercebe-se desse pequeno problema e faz questão de o expor tornando-o numa pérola da "manipulação" (leiam e logo verão do que estou a falar).
Outro ponto fulcral nesta série é o de a personagem Loki se ter "transformado" num Deus do sexo feminino (uma Deusa, claro). Os fãs mais acérrimos podem não ter gostado, apesar de ainda não ter lido tais reacções negativas, mas o que é facto é que esta metamorfose está a ser bastante atraente e não havia melhor forma de renovar uma personagem que por si só já estava gasta. Julgo que a personagem ganhou uma certa densidade e deixou de ser um rapaz mimado que sempre tentava alcançar por todos os meios a queda do seu meio-irmão, Thor. Não estou a desprezar a personagem nem a denegri-la, até acho que nas estórias mais antigas a coisa até se dava bem, mas hoje ainda não estou a ver que resultasse. A Loki dos tempos modernos tornou-se uma manipuladora do caraças que consegue ser bastante convicente, fazendo mesmo com que eu a adore. Só aquela cara assustadora... tem tanto carisma que se torna adorável.
É tudo isto que falei que me faz estar contente pela birra que o Strac está a fazer com a Marvel (com razão). Afasta-se de todo o Universo e cria um que tem o seu próprio selo e não mete personagens que estejam a mais. Melhor que isto não podia ser, a estória está a ser explorada ao máximo e quem melhor que Olivier Coipel para ilustrar este Magnífico conto dos Deuses Nórdicos? Só tenho pena que este novo status esteja a  ser utilizado numa daquelas mini-séries relativas a Secret Invasion, que só servem para ganhar dinheiro e mais uma vez arruinar o que de tão belo se pode fazer neste Universo Marvel.
10/10 - A não perder!

05 setembro 2008

Atrocidades Artísticas #2

O apanhado desta semana é um pobre coitado que até tem talento, mas de vez em quando dá-lhe uma pancada e faz destas. Howard Porter, já com uma das suas obras publicadas em Portugal pela Devir (Liga da Justiça: Torre de Babel), teve uns quantos problemas na recente mini-série Trials of Shazam, onde começou relativamente bem, com uma arte que era bastante agradável, mas lá para o meio da publicação da coisa, caiu uma maldição Rob Liefeld em cima dele e o caldo lá se entornou. Ele era pernas gigantes, troncos pequenos, cabeças anãs e sei lá mais o quê, até acabar por ser substituído (não sei se foi esse o motivo, mas eu gosto de acreditar que sim). Essas amostras não as tenho aqui à mão, mas para já fiquem com esta obra de ficção-científica:
Aqui já nem era ele a desenhar, felizmente, mas tive o infortúnio de o ver a fazer barbaridades nas capas. À primeira vista, a capa parece bonita e tal, mas numa visão mais cuidadosa, dá para ver que ele desenhou isto de olhos fechados...
Comecemos pelo braço esquerdo daquele rapaz grande com cabelo de mulher, de cara feia e chateada. Se formos a fazer alguma matemática, se ele deixasse cair o braço, este não passaria da sua cintura, além de que nunca poderia ajeitar as suas belas sandálias, vindas de uma Grécia antiga enquanto vivemos no século XXI (quem é que inventou este tipo??). 
Esta pobre alma até poderia viver com um braço que não é seu (feito mesmo... coff coff... para caber na capa... coff coff...), mas sem o seu órgão vital é que não! Ora vejam lá a tanga que o ilustre senhor possui - não está lá nada! Os músculos da perna até tendem a ficar enrogados naquela direcção, dando até outra perspectiva da coisa. Enfim, mais aberração que isto ele não podia ser. Isto é claro que se excluirmos aquele ombro desfigurado, a cabeça mínima, aquele braço direito gigante, aquelas pernas gigantescas, aquele sabre de luz que não percebo de onde vem. Mas o qu'é que isso interessa?!
Como este caso não podia piorar mais, o Porter lá decidiu meter mais uns errozitos que até são bem engraçados. Já viram bem a pose do Capitão Marvel Jr.? Mais um pouco dava a volta ao corpo em 360º graus... São coisas destas que me dão pesadelos.

04 setembro 2008

Primeiras Imagens Conceptuais de Green Lantern, o Filme

Brian Murray, um dos responsáveis pela adaptação ao cinema do Green Lantern, decidiu mostrar algumas imagens reveladoras sobre os ambientes e as personagens que vão ser usadas na trama deste filme. Pelos vistos, estas artes têm algo de especial - não fossem estas belas amostras, Hollywood talvez não teria aceite que o Lanterna fosse uma das próximas personagens da DC a ter o seu espaço no cinema.
Para já, confirma-se que Carol Ferris fará parte do elenco, visto que é uma peça chave na história do Lanterna. Muitos outros Lanternas também deverão cumprir o seu papel, pois são fundamentais na origem de Hal Jordan. Por falar em Jordan, vão reparar, nestas amostras, que o seu uniforme está um pouco mais parecido com o do Ion, Kyle Rayner, talvez de modo a que Hollywood ficasse melhor impressionado com um visual mais actual.
Estou mesmo entusiasmado com esta ideia. O Lanterna tornou-se uma das minhas personagens favoritas desde que comecei a ler a saga escrita pelo Geoff Johns (ultra-recomendada) e desde aí já não quero outra coisa. Gostava que este argumentista estivesse envolvido no filme, mas felizmente outro nome de peso está lá para compensar - Marc Guggenheim fará parte da equipa de escritores que irão dar um argumento ao filme, ao lado de Michael J. Green e Greg Berlanti. Não estou à espera de um The Dark Knight, mas certamente vai sair dali alguma coisa bonita.

03 setembro 2008

Mark Millar Comenta Planos para o Futuro

Actualmente encarregado de argumentar séries como Kick-Ass, War Heroes, Fantastic Four, Wolverine e Marvel 1985 (espero que não me tenha escapado nenhuma), Mark Millar corre o risco de ficar na história dos comics pelas suas passagens em várias séries famosas e, provavelmente, por estar há já muito apontado para co-dirigir/ argumentar  a nova série de filmes do Super-Homem. Para quem não sabe, a DC vai esquecer completamente a produção de Brian Singer e investir numa nova franquia que terá elementos mais "sérios" (infelizmente querem transformar o Super-Homem num Batman). O sonho de Millar é mesmo o de transfigurar o Azulão para as telas, mas até isso acontecer muitas outras coisas se passarão.
Recentemente este super-homem dos comics concedeu uma entrevista a uma jovem rapariga onde deu a conhecer os seus planos para o seu futuro, muito risonho diga-se de passagem. Não se assustem, mas ela é nerd:





O discurso de Millar pode parecer um pouco encriptado, mas dêem-lhe espaço, o homem é escocês. Assim por alto, o que o argumentista continua afirmar é que tem andado em conversas muito animadas com um tal realizador de cinema que ninguém sabe muito bem quem é. Além disso, parece que Richard Donner também se quer meter na salada e até se encontrou com Millar momentos após a entrevista. "Para mim, é como conhecer o Ghandi!" disse o escocês muito animado com a possibilidade de conhecer uma das lendas vivas responsáveis pela primeira adaptação do Super-Homem ao cinema. 
Tony Harris, o grande artista por detrás de Ex-Machina e War Heroes também esteve presente nesse encontro, segundo consta, e até trocou algumas palavras com a tal rapariga nerd (ou pelo menos documentada).
É de sublinhar que após terminar todos os títulos que referi em cima, Mark Millar terá um merecido descanço de 2 meses de modo a que se prepare para o seu regresso ao Universo Ultimate, um dos seus outros sonhos. De alguma forma, aposto que Millar irá coordenar este Universo após a mega-sensacional-borrada que vai ser Ultimatum, de Jeph Lo... esqueçam lá isso. Cá aguardarei!

29 agosto 2008

Spider-Man: Birth of Venom

Argumento: Lousie Simonson, Dave Michelinie, Mike Zeck, Ron Frenz, Rick leonardi
Desenho: John Byrne, Greg Larocque e Todd McFarlane

Desde que a Marvel abandonou o velho formato da continuidade do Aranha, tenho ponderado muito sobre se haveria de continuar a seguir esta nova fase. que surgiu Felizmente o futuro parece sorridente e só John Romita Jr. é que poderia ser chamado para resolver a situação e impor algum respeito em Brand New Day. Ainda não li o arco deste senhor juntamente com Dan Slott ("New Ways To Die"), que promete fazer entrar o Aranha no Universo Marvel, visto que ultimamente tinha andado tão desligado e irreconhecível, mas pelas críticas parece ser um renascimento (que espero ser para continuar). Ah, o Mark Waid também já está a caminho e prepara-se para o seu arco com o sensacional Marcos Martin. Procurem por este rapaz pois ele é muito talentoso e espero vê-los noutros títulos da Marvel futuramente. 
Mas sobre este capítulo da vida de Peter Parker falarei num post mais a frente, aqui vou falar um pouco sobre este Birth Of Venom, um livro essencial para quem queira descobrir um pouco mais sobre a origem deste conhecidíssímo vilão da galeria do Aranha. Várias edições clássicas do Aranha são compiladas neste fabuloso trade, que me fez visitar os tempos áureos desta personagem que tanto gosto. Ao ler isto também me deparo com a seguinte situação - actualmente a Marvel está a tentar reproduzir exactamente o mesmo que se passou nesta época (e as anteriores), tornado Peter um jovem descomprometido que apesar de ser um cromo de primeira, tem sempre uma namorada prestes a fazer-lhe a cabeça em água. A habitual referência ao seu trabalho no Clarim Diário também não podia faltar, tal como uma atitude editorial que eu adoro - longas estórias que nunca acabam que vão sempre renovando os intervenientes, não havendo um arco definido nem uma obrigação imposta aos argumentistas de modo a que mais tarde possa haver um TPB. O curioso é que, apesar de gostar de ver assim o Aranha, esta reprodução moderna não está nada famosa e tornar o Aranha o bom velho rapaz que todos os dias passsava por infortúnios, tornou-se hoje em dia algo... rídículo. Ridículo pela forma como certos autores insistem em usar as poucas páginas que têm por mês. Rídículo porque em cada edição tenho de levar com certos "Não percam a próxima edição queridos fãs" ou coisas que chegam a insultar a minha inteligência tal como referências do editor a acontecimentos que li na semana passada... Para que raio quero eu saber disto? Li a edição há poucos dias, não preciso daqueles insistentes friendly reminders (irritantes acima de tudo).
Enfim, esta estória, apesar de ter o Venom na capa, foca-se sobretudo no uniforme negro que o Homem-Aranha utilizou durante algum tempo, até descobrir que estava a vestir um fato alienígena que não passava de um parasita. O Quarteto Fantástico também tem lugar aqui (nunca vi o Coisa tão mal desenhado...) tal como a Gata Negra que aqui andava a sair com o Peter (nunca gostando dele propriamente, mas sim da sua personificação heróica). O Venom propriamente dito, com a participação do Eddie Brock, só aparece lá mais para a frente, sem muito protagonismo na minha opinião. Esta parte é já desenhada por Todd McFarlane, que é para mim um dos piores desenhadores de sempre da indústria. O único ponto positivo na sua participação neste meio é o de ter introduzido estórias rápidas que prendem a atenção, ao contrário das habituais secas que algumas vezes se apanhavam.
Das várias coisas que já li até hoje desta personagem, esta saga do uniforme negro torna-se uma das minhas preferidas passagens do herói. Gostava de poder dizer "Antes todas fossem assim", mas é como digo, actualmente não resulta, basicamente é feio e não sentido nenhum.
Nota: 9/10

Atrocidades Artísticas #1

É claro que ao longo destes últimos anos como leitor de BD não tenho apenas visto artistas com qualidade, é óbvio que existem certas ovelhas negras que nem uma paisagem com flores e arvoredos conseguem desenhar correctamente. Não vou mencionar já alguns desses nomes, mas sim mostrá-los a todos vós sempre que a oportunidade surgir.
O enforcado de hoje é nada mais, nada menos que Tony Daniel. Sim, aquele rapaz que anda a assassinar a grande (mas esquisita) estória que Grant Morrison está a desenvolver com o Batman. Pois bem, este artista já tem vários anos de carreira, tendo inclusivamente trabalhado em vários números da revista X-Force (que notabilizou outros grandes senhores como Fabian Nicieza ou Rob Liefeld). Nesta série, algumas das capas eram da sua autoria e posso dizer que são um verdadeiro hino à falta de anatomia! Ele é pés desproporcionais, homens que se olham com faces descontentes, esqueletos que a natureza nunca conseguiria criar! Vejam só esta capa (directamente vinda da década de 90):
À primeira vista parece algo completamente normal, não é? Mas se formos a analisá-la mais cuidadosamente, veremos alguns traços que não cabem na cabeça de ninguém. Começo pelo erro mais flagrante: estão a ver aquela senhora com barba a agarrar uma homem loiro que grita desesperadamente pela morte? Podem não acreditar, mas não é uma mulher! Aquele ser com uma anatomia muito duvidosa apenas tem 4 dedos nos pés! É um cão? É um gato? Não, é a Super-Aberração!
Continuando, estão a ver aquela senhora de verde que se lança para os céus como se não houvesse amanhã, pensando que é uma ave? Além de estar a sufocar dentro de um fato que lhe aperta todo o corpo, tem apenas um dedo no pé! Apenas um! E digo isto porque é o que aquelas botas permitem... Será que caberiam ali 5 dedos? É claro que não, esta rapariga é sem dúvida uma mutante. Além disso, aposto que ela não pode usar as suas longas pernas em combate, não fosse ela partir-se ali no meio do campo de batalha.
E o coitado do rapaz até me mete pena. Foram-lhe amputadas as pernas à nascença, mas como o sonho dele sempre foi o de voar como qualquer outro super-herói, até lhe ofereceram uns braços (com apenas 4 dedos, que fétiche!) feitos de insectos voadores. O que seria dele se encontrasse o Homem-Sapo...

28 agosto 2008

Continuação de Marvels vê luz do dia

Desde que o último número da mini-série Marvels, de Kurt Busiek e Alex Ross, chegou às lojas em 1994 que já se especulava que haveria uma continuação, mas o que é facto é que já se passaram 15 anos e ainda estamos à espera da sequela de um dos maiores clássicos da editora que tem o mesmo nome (ou quase).
Após 6 anos (!!) de trabalho intesivo, Jay Anacleto finalmente deu luz verde para que Marvels II inicie a sua publicação. Já que Ross decidiu afastar-se deste projecto, a Marvel decidiu contratar um artista que em termos de qualidade é algo de excelente, como podem ver pela única amostra do seu trabalho nesta série (para mais artes, pesquisem pelo sue trabalho em Aria).
Para quem não se lembra ou nunca leu a série, Phill Sheldon é um dos mais conhecidos fotógrafos freelancers da cidade de Nova Iorque, tendo sido notabilizado pelas suas excelentes fotos de super-heróis. Ao longo da sua carreira e de tantos anos de experiência, Phill foi percebendo melhor o papel dos heróis no mundo e que muitos daqueles que eram rejeitados afinal também mereciam o seu espaço no mundo. Para ele não existia 'Herói ou Ameaça?', mas apenas o herói. Uma obra que merece ser lida por todos os fãs de Marvel. Eu certamente comprarei a sequela, mas sempre com um pé atrás, afinal as sequelas são grandes inimigas da qualidade.

23 agosto 2008

Watchmen pode não chegar aos Cinemas

Ainda é uma suposição, mas é provável que aconteça. Enquanto dura uma batalha judicial entre a 20th Century Fox e a Warner Bros. pelos direitos de produção  da adaptação cinematográfica da obra de Alan Moore, iniciada em Fevereiro deste ano, os rumores já começam a chegar às teias da Internet. Ao que parece, a versão de Watchmen adaptada aos cinemas por Zack Snyder pode até nem ser chegar aos cinemas devido à acção da 20th Century Fox. Esta última alega que detém os direitos de produção e distribuição da obra há já 22 anos (!!), mas estranhamente nunca foram utilizados até hoje.
O porta-voz da 20th Century Fox reforça ainda que existe uma preocupação em relação aos fãs que anseiam pela estreia do filme a 6 de Março de 2009, mas sublinha que justiça deve ser feitaacima de tudo.
Nunca tinha falado disto aqui e tudo começou há já uns meses atrás, mas sempre pensei que, negócios à parte, a estreia do filme estaria assegurada e que poderia ver o filme descansado. Infelizmente, quando cheira a carne, aparecem sempre uns quantos abutres a tentarem obter alguns lucros e aqui verifica-se isso. Então a Fox detém os direitos do Watchmen há 22 anos e nunca ninguém deu por nada? Pior ainda, nunca aproveitaram esses direitos para fazer uma série ou um filme? Quem deve estar a rir-se com isto é o Alan Moore...

20 agosto 2008

Demolidor de Frank Miller em Novembro - Versão Acessível

Há uns tempos, a Marvel decidiu lançar um Omnibus fenomenal que incluía a run de Frank Miller completa no Demolidor. O problema era o preço - cerca de 100 dólares era o custo de uma preciosidade daquelas. Felizmente, ainda vejo a Marvel com bons olhos e eis que esta colecção será lançada em três volumes em capa mole, que para mim será uma colecção indispensável. O preço desta também não é muito famoso, serão 29.99 dólares por cada edição, mas não é nada que uma promoção especial conhecida não resolva.
Serão cerca de 336 páginas que prometem fazer reviver boas memórias ou abrir novos horizontes aos que nunca leram. O material incluído será Peter Parker, The Sectacular Spider-Man #27-28 e Daredevil #158-161/ #163-172.
Segundo a Marvel:
Escrito por FRANK MILLER, BILL MANTLO, ROGER MCKENZIE & DAVID MICHELINIE
Desenhado por FRANK MILLER
Capa de FRANK MILLER
A classic Marvel hero redefined by one of comics’ greatest visionaries! A Marvel Comics mainstay since 1964, Daredevil got a new lease on life in a landmark 1979-1983 run by writer-penciler Frank Miller and inker-penciler Klaus Janson, whose daring reinvention of the character quickly made Miller one of the biggest and most influential stars in the comic-book industry. Miller put his own stamp on established cast members such as reporter Ben Urich, femme fatale Black Widow, mad assassin Bullseye, the saw-fisted Gladiator and monstrous crime boss Kingpin. Miller also introduced Daredevil’s mysterious mentor Stick, deadly ninja foes the Hand and Matt’s long-lost love Elektra, a beautiful assassin who would become one of Marvel’s most memorable characters. Mixing traditional super-heroics with mysterious martial artistry, doomed romance and dark personal drama, Miller’s character-defining DD run is collected across three titanic trade paperbacks! 

19 agosto 2008

Astonishing X-Men, por Joss Whedon e John Cassaday

O status quo dos Mutantes neste últimos anos de edição da Marvel tem sido mais que atribulado e dificilmente se consegue alcançar alguma estabilidade, sem sequer existir realmente um statuo quo. Além de estes terem abandonado quase que por completo as principais fileiras do Universo Marvel, existindo num mundo que parece ser apenas habitado por mutantes, os X-Men têm perdido grande parte da sua identidade ao longo deste últimos anos, tendo atravessado diversos problemas.
Vejamos, desde os anos '90 que a população Mutante tem vindo a crescer, tendo até sido criados títulos-extra que acompanhavam o já habitual Uncanny X-Men, que pelos vistos não chegava para contar as histórias que os editores queriam publicar. Jim Lee e Chris Claremont foram um êxito na altura, tendo feito aquele que talvez é a série mais vendida na indústria americana, tendo vendido mais de 8 milhões de cópias. Falo do título X-Men, que pretendia dar um novo look aos mutantes, juntando um argumentista clássico a um desenhador que marcaria toda aquela fase "Image Comics" que foram os '90.
Outro homem que chegava para ficar era o controverso Rob Liefeld, mais uma das cabeças que fariam parte da Image e que fazia as delícias dos fãs (um dos maiores mistérios da história dos comics). A X-Force era a aposta por parte deste duvidoso argumentista/ desenhador, mas a pouca estabilidade entre as várias equipas criativas desta nova vaga de títulos X-Men não permitia a sua existência por muito mais tempo. Claremont apenas escreveu três comics da série X-Men (divergências com a Marvel), deixando Lee sozinho à espera de melhor sorte, juntamente com outros resistente como Scott Lodbel ou Fabian Nicieza. O problema é que a Marvel iria ser mais tarde desfalcada pelo aparecimento da Image, com os abandonos de Lee, Liefeld e até Marc Silvestri, uma imagem de marca dessa editora.
Esta década também fez surgir vários personagens que caíram facilmente no esquecimento, mas que mesmo assim, os fãs mais acérrimos dos X-Men faziam questão de os lembrarem, como o famoso Gambit, Cable ou Bishop, que até tiveram direito a séries próprias, que terminaram mais tarde de forma precoce.
Único nome a reter nesta década: Age of Apocalipse. Talvez seja das mais conhecidas sagas dos X-Men, uma daquelas que mais títulos abrangeu e uma das mais preferidas pelos fãs. Quem estiver interessado como eu (há já muito tempo), existem três volumes disponíveis pela Marvel (daqueles de 300-400 páginas cada) que incluem a saga completa. Outra coisa que talvez tenha valido a pena é a Onslaught Saga, onde li poucas coisas ainda editadas pela Devir que continham a personagem, mas que não faziam parte da saga em si.

Novo milénio. A população Mutante começa a crescer demasiado, um descontrolo total que leva a que o ódio pelo Homo Superior seja crescente. "Quem é que vamos chamar para resolver esta situação de uma forma pouco convencional?" - Grant Morrison, pois claro. Chris Claremont já estava com os seus dias contados no que toca à escrita de estórias dos X-Men, tanto que lhe arranjaram um título um bocado fora do contexto e que não influenciava muito a continuidade da cronologia mutante - X-Treme X-Men, uma fiasco total que tanto pecava por um argumento desprovido de imaginação, sempre a insistir nas mesmas fórmulas, como também por ter a participação de mais um artista duvidoso, Salvador Larroca, dotado de pouca criatividade.
Só Morrison conseguiu depositar alguma confiança na extensa lista de fãs dos Mutantes, tanto que a sua fase no título New X-Men, lançada integralmente aqui em Portugal pela Devir, faltando apenas o spin-off Here Comes Tomorrow (um dos maiores motivos de ódio pela Devir por parte dos leitores portugueses), durou mais de 40 edições. O problema - tornou-se um clássico controverso na história dos Mutantes, em grande parte por causa dos excessivos retcons, mais tarde, feitos pela Marvel quase que apagando todo o sentido e significado que Morrison quis transpôr. Digamos que a Marvel já devia saber no que se estava a meter quando contratou Morrison - exemplo das suas maluquices insanas pode ser a recente run em Batman, que tanto faz a delícia dos fãs como também os deixa confusos.
Grande parte desta controvérsia foi também alimentada pela caracterização crua e nua de Magneto, que em New X-Men foi descrito como um terrorista sem qualquer valor moral que se preparava para assassinar grande parte da população humana de Nova Iorque através de crematórios, uma óbvia referência aos campos de concentração Nazis e uma forma de responder ao ódio mútuo entre Magneto e grande parte da população americana. A Marvel não gostou, dando a entender que nem sequer tinha conhecimento da estória que Morrison pretendia contar, dando-lhe uma liberdade criativa que mais tarde se tornou numa hipocrisia editorial. Esta história está a precisar de uma reileitura, pois apenas sei que na altura em que a li, senti que era o melhor que já tinha lido enquanto fã de BD, mas ainda era jovem. Agora não sei se ficarei com a mesma impressão, mas espero tirar as minhas dúvidas ainda este ano.

Enquanto Morrison destruiu Genosha, Bendis disse "No more mutants" e a profecía cumpriu-se. Os mutantes ficaram reduzidos a pouco menos de 200 espécimes e o objectivo de grande parte dos seus inimigos estava cumprido - a Terra era agora habitada por um número reduzido daquela espécie e vários ex-mutantes dividiam-se entre uma espécie de contentamento/ frustração. Enquanto que uns esperavam ansiosamente aquele dia, outros descobriam que aquela era uma tragédia. Ainda outro grupo apercebia-se que não sabia bem aquilo que queria.
O próximo e último passo que para mim tem uma importância realmente verdadeira nesta nova década e que para mim é bem superior a qualquer novo evento Mutante, tem o nome de Astonishing X-Men, dos formidáveis Joss Whedon e John Cassday. Na minha opinião, este é o género de história que tem tudo para ter sucesso. 24 comics é o número ideal para construir uma trama complexa, culminando tudo num especial oversized, que como não poderia deixar de ser, torna-se brilhante e faz aquilo que qualquer estória de qualidade faz - deixa pontas soltas, deixa o leitor agarrado à espera de mais, mesmo este sabendo que não haverá mais. Além disso, esta série não se baseia em nenhum evento recente, pois apenas depende si própria, utilizando uma formação clássica que até tem direito a regressos dos mortos. Mesmo assim, não deixa de ser uma clara continuação directa da série de Morrison e talvez pretenda ser uma estória direccionada para os leitores mais exigentes (e uma forma da Marvel se redimir da sua atitude).
Apesar de Whedon caracterizar tradicionalmente a equipa dos X-Men, regressando aos uniformes habituais, ao contrário de Morrison, notam-se diversas referências a New X-Men - a série deu direito à reacção menos pacata do Wolverine ao relacionamento de Emma Frost e Cyclops, além de que a equipa atravessa uma crise na sua formação, facto que caracterizou um pouco o fim de New X-Men. Mas esta série não é só feita de referências, aqui também se nota alguma descentralização quanto ao destaque de cada personagem, não sendo os líderes da equipa que o recebem mais. Nota-se bem que Whedon tem alguma familiarização com Kitty Pride, tendo dado uma utilização à personagem que faz lembrar as estórias mais clássicas em que esta participou. A personalidade forte e corajosa está lá toda e é por isso que esta se torna a minha preferida e quiçá melhor participação nesta série.
Está série, de 4 volumes, tendo já dois sido editados pela BdMania em capa dura, são excelentes aquisições e mostram que através de 4 acções distintas ao longo desses volumes, se conseguem solidificar várias interligações entre as personagens e todos os acontecimentos descritos por Whedon. Esta é assim uma das estórias com mais qualidade na linha-X desde que a era de Chris Claremont terminou, só sendo superada pela fase de Morrison, mas não deixa por isso de ter a sua devida qualidade. O último volume desta série, Unstoppable, é mais uma das leituras do ano, fazendo com que esta série mereça ser lida por qualquer fã ou não fã de X-Men - é uma estória muito especial que mostra que é possível fazerem-se coisa que não estejam ligadas aos eventos principais da editora, mesmo que o seu lançamento seja simultâneo. Aguardem uma análise à série Novos X-Men, de Morrison, editada pela Devir.

Nota 10/10 - Obrigatório!

17 agosto 2008

3 Anos de Vida

É verdade, é hoje, dia 17 de Agosto, que o Área Negativa! completa  3 anos de existência, depois de ter sido criado em 2005. Entre a habitual contagem dos números do blog, já contamos com uma marca de 71.386 visitas desde o nascimento e com 476 posts, a contar com este. É certo que este ano tem sido aquele com menos ritmo no que toca à escrita, mas cá se continua e isso é que interessa.
Os agradecimentos, este ano, vão para todos os leitores que por aqui passam, comentando ou não comentando, se não fossem eles este espaço não existia. Espero continuar por aqui muitos mais anos a fazer aquilo que todos os blogs sobre BD fazem - divulgar a 9ª Arte. Obrigado!

You Tube of The Week #12- Inevitable Alliance



O escolhido desta 12ª edição do vídeo da semana é um trabalho que fez suar. E digo isto porque este vídeo que viram/ estão a ver/ irão ver demorou cerca de um ano a ser feito, não fosse a técnica stop-motion a utilizada. O nome desta pequena obra é Inevitable Alliance e mostra o embate de titãs entre bonecos do Capitão América ou o Homem Aranha contra o Apocalipse e o Dr. Destino, colecção privada de Christopher Lauto.
São 3 mil fotografias que renderam um trabalho que durou dias e dias a ser terminado, mas que certamente deu alguma satisfação ao nosso colega nerd.

16 agosto 2008

Apanhados de Verão

O Verão é a uma época propícia a achados que de vez em quando ficam na memória. Ou aparece algum maluco que se lembra de fazer alguma coisa que chame a atenção ou então assiste-se a mais uma situação de desleixe no nosso país. E foram exactamente essas duas coisas que aconteceram e que eu me dei conta durante estas férias.
 Cortesia do Correio da Manhã.

01 agosto 2008

Blog em Férias

Malta, vou de férias de 1 a 15 de Agosto, portanto não reclamem pela falta de posts durante a minha ausência. Quando chegar, há uma importante data a assinalar - o blog vai fazer anos e cá estarei eu para celebrar a data, mas nada de prendas.
Não consegui encontrar uma imagem bonita no Google que ilustrasse estas férias e parece que já não vou a tempo de a encontrar. Boas férias para vocês também!

29 julho 2008

Frank Cho torna-se Exclusivo da Marvel

O talentoso artista que actualmente trabalha na indústria dos comics americanos, acabou de assinar um contrato de exclusividade de 3 anos com a Marvel, o que significa que Cho passará a fazer parte da equipa de desenhadores regulares da editora, mas não em séries mensais, apenas em "mini-séries e Graphic Novels especiais".. 
As últimas vezes que Cho desenhou para a Marvel tinha sido juntamente com Bendis em New e Mighty Avengers, dando uma grande ajuda em ambos os títulos. Ainda assim, Shanna, The She-Devil foi aquele que conseguiu gerar mais controvérsia devido à censura imposta à sua arte, muito susceptível num país como os Estados Unidos ("We just want dead bodys!"). Além disso, este autor também desenhou, recentemente, 8 páginas para o especial King-Size Hulk, numa batalha focada no infame Red Hulk (just blame Jeph Loeb...).
É claro que depois das boas notícias vêm as más. Frank Cho está integrado no projecto "Ultimates 3.5" (nome provisório), que terá, pois claro, argumento de Jeph Loeb, com o seu lançamento planeado para depois da cataclismíca mini-série, Ultimatum. Mas esta novidade tem a outra face da moeda - provavelmente, Cho terá outros dois projectos envolvendo três personagens femininas bem conhecidas do plantel da Marvel. Saber quem são é que já ultrapassa as minhas capacidades (segundo ele próprio, existem umas quantas ideias relativas a Spider-Woman e Black Widow).
Há ainda uma curiosidade que pode deixar os fãs da DC um pouco tristes - Frank Cho ia desenhar e co-escrever uma mini-série entre a Wonder Woman, a Supergirl e a Power Girl, com a ajuda de Jimmy Palmiotti. Por outro lado, a versão sem censura de Shanna está prestes a sair...

26 julho 2008

The Dark Knight

A sensação com que se sai da sala de cinema depois de ver este filme é indescritível. Afinal, eu estava a sair do, provavelmente, melhor filme do género e, melhor que tudo - não tinha sido eu o único a gostar. É bom ver que um filme de um género tão mal-tratado como a Banda Desenhada  e os seus super-heróis consegue levar muitas pessoas ao cinema e render longas-metragens com tanta qualidade. Mas há que não esquecer que este filme vai muito mais além do que o simples embate entre o Cavaleiro Negro e o seu temível adversário, prestes a semear o caos em toda a cidade. The Dark Knight é muito mais profundo simplesmente por conter uma tão variada selecção de elementos que fazem lembrar outros tantos filmes. Falo de um excelente elenco que conseguiu ser mais do que competente; um argumento complexo e sólido cheio  de cruzamentos entre outras pequenas histórias; acção, sempre necessária num filme deste calibre; humor em doses certas e sem exageros nenhuns; tensão,  do princípio ao fim, uma coisa que quase nunca vejo nestas adaptações e, é claro, uma escolha de personagens que só me fazem querer que algumas delas fossem mesmo assim nos comics (Nolan for comics!).
Começando por falar de Heath Ledger, posso desde já dizer que esta é uma grandiosa personificação do Joker, julgo que nem mesmo Jack Nicholson lhe consegue chegar aos calcanhares (quer dizer, chegar até aí, talvez consiga). A sua interpretação ainda tem mais valor porque consegue ultrapassar todo o hype gerado pelos media em torno do seu talento e até da sua própria morte. Acho que quem lê comics e já conhece pelo menos alguma coisa do Joker e de toda a sua mitologia em conjunto com o Batman é que consegue apreciar ao máximo esta inerpretação do Ledger. Não digo que os especialistas nesta matéria também não a possam achar fenonemal, porque isso até o velho do Restelo consegue, mas ver que existe alguém que consegue captar a essência de um personagem extremamente difícil de perceber, é no mínimo gratificante. O Joker de TDK é "O" Joker - psicótico, com dois parafusos a menos, com todo o seu sentido poético e que apenas gosta de "brincar" com o seu némesis, sabendo perfeitamente que a sua existência só faz sentido enquanto o Batman também existir (óbvias referências à Piada Mortal, de Alan Moore). Que mais posso dizer sobre ele?
Quanto a Christian Bale há que dizer que ele nem acaba por ser a principal atracção do filme. "Ah, vamos ao cinema ver o Batman.", "Não, vamos lá é para ver o Joker.". Basicamente é esta a sensação que se tem quando se sai do cinema. O Batman acaba por nem ser a principal personagem deste filme e isto acaba por lembrar as mais clássicas histórias deste personagem, onde ele é apenas um motivo para que surjam vilões e outras personagens à volta que o façam sair de noite. Mas nada disto faz com que o desempenho deste actor seja menor ou de pior qualidade, pelo contrário. Há excelentes cenas entre ele e Alfred (Michael Caine) e também entre Lucios Fox (o grande Morgan Freeman). Aqui também gostei muito mais do Bruce Wayne em si do que o próprio Batman.
É também impossível não reparar na voz alterada quando Bale está a vestir o manto do Cavaleiro Negro, o que, pelo que já li em alguns sites, pode ter desapontado alguns espectadores. É certo que a montagem em relação à voz não é a melhor e nota-se claramente que é impossível um humano fazer aquela voz, mesmo com tom grave de Bale, mas mesmo assim aceito e o principal objectivo está lá - mascarar a voz do Batman. Em cenas que ele está tão próximo de pessoas conhecidas da sua identidade verdadeira deixaria de haver credibilidade, pois facilmente seria reconhecida. Portanto, esta jogada com a voz é totalmente aceitável.
Aaron Eckhart foi a surpresa da noite, tendo construído um Harvey Dent muito sólido. A primeira cena passada no tribunal pode parecer um pouco "velha" ao início, mas rapidamente deu para perceber que estava ali um actor ideal para a personagem e mais uma excelente cena para a colecção. Quanto a este não me resta muito mais para dizer, surpreendeu pela positiva e isso é o que mais interessa.
The Dark Knight é, na minha opinião, indiscutivelmente a melhor adaptação de uma Banda Desenhada ao cinema, ponto final. Supera qualquer dos três filmes do Homem-Aranha e qualquer outro filme da Marvel. Também supera os anteriores filmes de Tim Burton e de Joel Schumacher. É daqueles filmes que mal se sai da sala, só apetece ir vê-lo de novo, nem que seja só para ver a cena inicial (e que cena brutal que ela é). Não costumo comprar DVD's, mas parece-me que desta vez compro-o mal ele sair. Enfim, não há mais palavras para descrever esta beleza cinematográfica.

Nota: 9.5/10 - Must See!

25 julho 2008

Johns e Sciver em Flash: Rebirth

Depois de há meses atrás Rich Johnston ter falado nesta suposta mini-série na sua coluna de boatos no CBR, o próprio Geoff Johns juntamente com artista Ethan Van Sciver (a dupla repsonsável por Green Lantern: Rebirth) anunciam, na San Diego Comic Con, que o Flash terá direito ao seu próprio renascimento em que quem voltará será nada mais, nada menos que Barry Allen, o Flash mais conhecido da editora e aquele que se encontrava morto há já 20 anos, mas voltou numa das últimas edições de Final Crisis e narrou a estória de DC Universe #0.
É óbvio que é uma jogada desesperada da DC. Basicamente o que Dan Didio quer é alcançar um sucesso similar ao do Green Lantern actualmente e para isso a única solução é a repetição de fórmulas passadas. Felizmente escolheram o Johns que percebe bem a personagem e por sorte conseguiram meter o Sciver de novo na mini-série. Espero é que a leitura se torne não apenas uma sequela do Rebirth original com personagens diferentes, mas sim um Flash: Rebirth genuíno com um processo criativo diferente.
Mesmo assim, fica aqui a nota de que se o desenho for como o teaser que vêm ao lado, eu comprarei esta mini-série de certeza e estarei lá para começar a ler o Flash de novo. Ah, tudo começa em Janeiro.

Astounding Wolf-Man #6

Argumento: Robert Kirkman
Desenho: Jason Howard

Robert Kirkman mostra neste único comic aquilo que consegue fazer melhor que ninguém: contar uma estória que mistura todos os elementos que enriquecem um argumento - drama, humor, caracterização e acção.
Muitas pessoas ainda não deram valor a este Astounding Wolf-Man, nem sequer houve um sucesso tão mediático como foi o de Invincible ou até de The Walking Dead, mas espero que após o lançamento do primeiro trade deste título haja uma opinião mais positiva em relação a este livro. Muitos queixam-se que o Wolf-Man acaba por se tornar uma repetição das fórmulas que Kirkman já usou nos seus comics, mas acho que isso é uma desculpa esfarrapada para não se divertirem.
E este número faz com que a qualidade de Kirkman se denote ainda mais, pois é já a partir daqui que todas as bases que construiu se começam a desmoronar. Segundo ele, é no próximo número que vai ocorrer uma mudança pesada no status-quo da série e eu estarei cá para ver.
Neste número, o nosso herói vê-se confrontado com alguns problemas familiares que começou por ter há alguma edições atrás e pelos vistos está a reagir da pior forma. Ainda pior que isso, a sua mulher começa a dar sinais de fraqueza e isso significa conhecer novas pessoas. O cliffhanger final é brutal e espero que na próxima edição eu fique a saber mais sobre o que realmente se passa naquela cidade que, diga-se de passagem, é bastante estranha e de noite aquilo é uma "festa" para todos os noctívagos.
Fica aqui o conselho, comprem o primeiro volume de Astounding Wolf-Man que compila os 7 primeiros comics, pela módica quantia de 15 dólares. Não se vão arrepender, nem que seja só para se divertirem um bocado que é o verdadeiro objectivo de um comic.

Book Depository - Aproveitar é Agora!

Queria só deixar uma pequena nota aqui neste espaço para quem o visita e para quem compra BD regularmente no site Book Depository ou outro site qualquer de vendas britânico. Não sei se alguns de vós já sabiam, mas a libra desvalorizou vertiginosamente em relação ao euro, tendo passado do valor de cerca de £1 = €1.5 para o impressionante valor de £1 = 1.27 (ou seja, €1 = 0.80£)! Aproveitem que isto pode até não durar muito tempo ou, quem sabe, seja uma coisa para durar.

CORRECÇÃO: Houve uma pequena gralha nas tabelas de conversão que dei, mas agora está tudo correcto como podem ver em cima.

22 julho 2008

Green Lantern - Rebirth

Argumento: Geoff Johns
Desenho: Ethan Van Sciver

Depois de o CESAR ter originalmente feito a crítica a este primeiro livro da nova saga do Lanterna Verde, venho agora dar a minha opinião sobre a mesma, com base numa segunda leitura que tive ontem (ainda mais agradável que a primeira). Digo que é mais agradável simplesmente por saber muito mais sobre as origens de um dos meus personagens preferidos, actualmente.
Na altura em que li pela primeira vez este Rebirth, o Lanterna era uma coisa nova para mim. Diziam-me sempre para comprar esta série porque tinha uma das melhores personagens da DC e porque o Johns tinha começado algo de fantástico nesta mini. Eu acreditei no que me tinham dito e decidi comprar o TPB só para confirmar as mil opiniões que já tinha ouvido e é claro que não fiquei desiludido. Pelo contrário - Green Lantern: Rebirth é uma excelente rampa de lançamento para um personagem que tinha sido atirado ao mar quase desnecessariamente e que infelizmente tinha sido substituído por uma personagem de muito menor calibre (actualmente o caso até mudou de figura significativamente). Kyle Rainer não era o Lanterna ideal e as vendas da série a meio dos anos 90 so confirmavam o pior.
Nesta história, os fãs mais antigos puderam finalmente rever um dos seus heróis preferidos do passado e, melhor ainda, ele veio para ficar e o que é facto é que já rendeu cerca de 30 comics nesta nova série, tendo já passado por uma guerra mais acérrima com Sinestro, o némesis por execelência de Jordan (haverei de chegar à review desse livro, mas antes ainda tenho os outros para falar aqui). É aqui também que são reunidos todos os elementos que vão figurar no resto da história que Johns ainda está a desenvolver, o que também é óptimo pois dá logo a ideia que tudo está perfeitamente controlado e preparado para uma saga que vai ficar para a história da DC. Só a conclusão (que ainda deve estar bem longe) nos dirá se toda esta viagem terá valido a pena.
Sinestro e Parallax são sem dúvidas os nomes a reter pois pelo que facilmente se constata nesta leitura, ele são os elementos fulcrais de toda esta plot enecetada por Johns. Mesmo assim, aquilo pelo que estou mais ansioso para ler é o evento de 2009, intitulado de 'Blackest Night', onde, pelo que me parece, ficaremos a saber mais sobre a profecia que envolve todos os aneis das diferentes cores que existem.
Basicamente, quem não está a acompanhar esta série está só a perder uma das melhores que estão a sair actualmente no mercado. Isto é mais que aconselhado e penso que já todos terão ouvido milhares de críticas positivas a esta pequena obra-prima de Geoff Johns e aos seus companheiros desenhadores (nomeadamente Ethan Van Sciver e Ivan Reis). Por falar em Sciver, a arte dele neste livro está fantástica.

Nota: 9/10 Recomendado!!

09 julho 2008

Ultimate Spider-Man #118-122

Argumento: Brian Michael Bendis/ Desenho: Stuart Immonen
Depois de uma metamorfose muito mal recebida pelos fãs de Peter Parker no título principal da personagem, algum dos outros dois títulos que não chegaram a receber tal tratamento iria servir de refúgio àqueles que mais temiam a nova fase de Peter (tal como eu, mas que mesmo assim ainda a lêem). Não me acusem de falsos moralismos, mas é que tenho uma força interior que me faz seguir esta personagem independentemente da história contada ser a pior do mercado. Pois bem, decidi também utilizar este refúgio há uns dias numa das minhas últimas compras. Estava a achar que precisava de ler um Homem-Aranha original, mas bem escrito (ao contrário do que se passa em Amazing Spider-Man). É claro que esta série acaba por ter os mesmo moldes da sua congénere, mas aqui verifica-se que o argumento é escrito por quem sabe, e como diz o outro "quem sabe, sabe". Em Ultimate Spider-Man, Bendis consegue fazer com que todo o universo do Aranha volte a fazer sentido e fá-lo de forma surpreendente, pois o próprio Peter acaba por se tornar uma personagem secundária no meio dos seus colegas de escola (sim, felizmente ele aqui ainda se dedica ao estudo). E foi esse o pormenor que mais me tocou quando voltei a ler esta série, passados uns bons tempos (já não lia isto há cerca de um ano), Bendis consegue fazer de USM uma espécie de comédia adolescente, mas não daquelas descartáveis, em que todas as personagens contam e não há apenas um foco, com diálogos inteligentes, cheios de referências, boas velhas piadas, caracterizações que até são capazes de fazer os seus colegas de trabalho cederem a um dos 7 pecados mortais.
Nas primeiras três edições, Bendis ressuscita uma das mais antigas séries de TV do Aranhiço, uma que respondia pelo nome de "Spider-Man and his Amazing Friends", introduzindo a mais recente mutante no plantel dos Ultimate X-Men, Liz Allen, ainda à espera de nome de código (possivelmente Firestar). Basicamente, o seu poder é baseado num dos seus amigos, o Tocha Humana que ultimamente se tem relacionado de uma forma muito próxima com os protagonistas da série, sendo mesmo acusado de "infectar" a sua amiga, de alguma forma. O vilão também não poderia faltar neste arco, sendo que é Magneto quem dá a cara em busca de um reforço para a sua Irmandade Mutante, onde a escolhida é óbvia. Nas edições seguintes, Bendis tenta apaziguar um pouco a acção e dar um pequeno descanso ao nosso herói, se bem que de uma forma algo estafante (ironia...). Peter cruza-se com dois vilões lado-B que mais uma vez fazem das suas e estragam um pouco mais a vida, já de si, nada fácil do protagonista. É aqui que também são deixadas pequenas pistas para uma nova organização que proximamente irá surgir na série (suspeito que o Venom que irá aparecer tem ligações com esta empresa). O desenhador desta série é um pequeno génio do desenho, que consegue produzir cena de acção tão enérgicas e emocionantes com um estilo muito solto e simples. Creio que este homem supera e muito o antigo desenhador desta série, Mark Bagley, que pecava por desenhar as suas personagens sempre nos mesmos moldes, o que na minha opinião era deveras cansativo. O Immonen é uma grande aquisição e espero que fique neste título por muito tempo, pelo menos enquanto eu o acompanhar.
Entretenimento e uma lufada de ar fresco mensal.
Nota: 8.5

07 julho 2008

Green Lantern - Emerald Dawn


Argumento: Keith Giffen, Gerard Jones e Jim OwsleyDesenho: Mark D. Bright 



Hal Jordan era apenas um piloto aéreo que tinha uma vida um pouco complicada, mas uma série de tragédias levaram a sua vida a um outro patamar. Nunca Jordan pensou que um ser alienígena poderia descer à terra e herdar-lhe um anel controlado exclusivamente pela força de vontade do seu portador, nem ele sabia que iria ter um dos confrontos mais imediatos na vida de um super-herói, afinal não é todos os dias que alguém é bombardeado com um anel que confere habilidades extra-humanas e de seguida é confrontado com um outro ser que ameaça a destruição da Terra.Esta série pode não ser a primeira história do Green Lantern de sempre, mas age como tal e por isso torna-se uma excelente forma de perceber um pouco mais a personalidade do actual protagonista da série com o mesmo nome, ou seja, quem quiser ler esta série do seu início, sugiro que comecem por aqui. É em Emerald Dawn que também se percebe o enorme potencial que esta entidade tem (falo em entidade referindo-me ao Green Lantern em si, não uma personagem específica). A partir daqui percebe-se que o Universo está dividido em milhares de sectores que são patrulhados por outros milhares de portadores de um anel. A partir deste pressuposto, abrem-se portas para centenas e centenas de histórias que podem envolver o próprio planeta Oa, lar dos Guardians of the Universe, os povos oprimidos pelos Lanternas, a vida pessoal de Hal Jordan e outros escolhidos, etc. E para provar esta teoria, aparece Geoff Johns, que neste momento está a criar uma das maiores plots da história deste personagem, criando mais 7 cores adicionais a este universo (como se pode ver no primeiro link), ou seja, mais uma série de personagens que podem muito bem ser interessantes.Esta história é apenas interessante do ponto de vista de quem pretende saber um pouco mais sobre as origens dos Lanterns e de Hal Jordan, portanto não será uma leitura muito adequada àqueles que já percebem mais da coisa, mas há que frisar que, para um comic dos inícios da década de 90, a acção até está muito fluida não havendo momentos de puro desperdício de tempo. Note-se que a narrativa até se assemelha muito aos padrões modernos, estando ainda numa versão mais experimental. De certa forma, é um clássico que aconselho a novos leitores e à aqueles que talvez queiram recordar os primeiros momentos da vida de Hal Jordan. 


Nota: 7/10

03 julho 2008

Wanted

Argumento: Mark Millar
Desenho: J.G. Jones

Wanted é aquele tipo de livro que me faz ver que o conceito de super-herói está muito mais para além do que uma simples capa e um poder. Wesley Gibson é aquele tipo de personagem que me faz ver que uma simples personagem sem qualquer interesse se pode tornar num dos vilões mais interessantes que tive oportunidade de ver nos últimos tempos.
Este comic é fruto de uma história de infância vivida por Mark Millar e nada mais é do que uma criação do seu próprio irmão, após Millar lhe ter perguntado o que se tinha passado com os Super-Heróis naquela altura (Millar tinha acabado de descobrir pela primeira vez o Super-Homem). Bobby, o seu irmão, respondeu-lhe que todos eles tinham morrido numa intensa batalha contra outros vilões e que nunca mais ninguém se tinha lembrado deles. Só restavam os comics para testemunhar a sua existência.
E essa é a ideia base deste livro - Wesley Gibson é apenas mais uma personagem num mundo de homens banais onde a sua vida não é mais que um simples pedaço de m****. Ele vive frustrado por ter uma namorada que o engana constantemente e por ter um emprego onde é massacrado constantemente. Chega então o dia em que Wesley se apercebe que a sua vida pode ser mais do que isso, quando lhe chegam as notícias de qua algo aconteceu ao seu pai, um dos mais temidos criminosos do mundo. A partir daí, ele é treinado arduamente de forma a que possa suceder ao seu pai, o que pode soar meio cliché, mas da forma que esta ideia é exposta no livro faz-nos pensar duas vezes. É nesta instância que também ficamos a saber de um dos segredos melhor guardados do mundo - todos os super-heróis morreram há cerca de15 anos e os vilões prevaleceram para dominar a terra, mantendo-se até hoje na sombra sem que ninguém saiba deles (depois de terem manipulado as mentes da população mundial de modo a que ninguém se lembrasse do ocorrido). É incrível ver como vilões que lutaram anos e anos contra heróis sendo constantemente humilhados, decidem esconder-se do mundo não descaregando a sua óbvia fúria na terra que os viu serem derrotados vezes sem conta. Aqui vê-se que a barreira Herói/ Vilão pode não ser aquilo que julgamos.
Mark Millar oferece-nos aqui uma história inesquecível que corre num ritmo frenético durante as 5 primeiras edições e culmina num final que estimula à reflexão, algo verdadeiramente "interessante e corajoso". Isto faz-me pensar que a censura que existe nos comics mainstream de hoje só faz com que o génio criativo de alguns argumentistas não vá mais longe. Arrisco-me a dizer que este trabalho de Millar consegue ser superior a Ultimates, por muitos (e por mim também) considerado um dos poucos clássicos modernos dos comics de Super-Heróis, pois Wanted está um passo à frente. Tudo isto porque em apenas 6 edições consegue ter mais conteúdo do que uma série mensal que dura 10 ou 20 anos (não sendo esta uma comparação directa a Ultimates).
J.G. Jones é também uma peça fundamental nesta série, pois grande parte da dinâmica que esta tem não se deve única e exclusisamente ao fluido argumento de Millar, mas também às cenas desenhadas pelo artista, que conseguem captar o sentimento das personagens naquele exacto momento. À primeira vista, a sua arte pode não ser muito convidativa (apenas as capas podem ser atraentes), mas o homem percebe mesmo de arte e ao longo do livro dá para perceber o quão expert ele é na matéria.

Melhor leitura do ano, até agora.
Nota: 9.5/10
- Recomendado!

01 julho 2008

You Tube of The Week #11 -Italian Spiderman Eps. 03 e 04


Episódio #03


Episódio #04

Aqui estão mais dois novos episódios do grande símbolo do século XXI - Italian Spider-Man! Sem dúvida os vídeos mais hilariantes do momento.