31 agosto 2010

Marvel Anuncia Regresso da Tropa Alpha

Chaos War: Alpha Flight, em Novembro
Depois de uma chacina inesperada nas páginas de New Avengers #16 ou de capas menos inspiradas como esta ou esta ao longo da sua história, a Alpha Flight está de regresso à vida, mesmo sem ninguém saber quem fez para que isso acontecesse.
Especula-se que a Marvel ainda nem sequer decidiu a melhor forma de reintegrar estes quase-esquecidos no seu universo, mas o que é facto é que em Novembro chegará às bancas um one-shot intitulado Chaos War com o intuito de convencer os mais cépticos. Contudo é certo que pelo menos 2.5 cópias serão vendidas, pois não acredito que haja muitos mais fãs da Tropa espalhados pelo mundo! A sério, quem é quer saber destes meninos? Só se for um rapaz que na última comic-con gritou ao mundo o seu amor pela Tropa, afirmando que Alpha Flight #12 era um dos comics melhor escritos de sempre... É possível!

25 agosto 2010

Os Mais Vendidos de Julho '10 - Análise

X-Men #1, a surpresa
Já não acompanhava esta coisa das estatísticas de vendas há algum tempo, mas a última vez que o fiz constatei que a DC estava fazer grandes progressos no que toca aos 10 Comics mais vendidos lá nos States. Tudo isto se deve à inspiração de dois homens, Grant Morrison e Geoff Johns. O primeiro tem feito um trabalho interessante ao reformular o Batman tentando trazer de volta conceitos clássicos da personagem, sendo o melhor exemplo o team-up de Batman and Robin. Já Johns tem sido o responsável por uma extraordinária e épica cavalgada do Green Lantern. Já lá vão alguns anos desde que tudo começou com Rebirth e até hoje ainda dura aquilo que este homem planeou. É certo que a DC mostrou ratice e continuou a esmifrar todo este novo conceito, mas é uma exploração que eu considero bastante acima da média o que é algo atípico na América. É bastante difícil manter qualidade sem haver rasgos de loucura pelo meio e acho que o Johns não tem abusado da nossa vontade (pelo menos da minha) sendo que essa vontade é continuar a saber mais sobre esta fantástica mitologia do Espectro da Luz, o que, parecendo que não, abriu portas gigantes para que se possam criar novas estórias. A DC teve aqui um importante expandir de cenários e pode muito bem agradecer a Geoff Johns por tudo. Bem, vamos lá então analisar os dados:

23 agosto 2010

Sobre o Novo Vestido do Batman


Sempre achei piada à necessidade de se criarem novos uniformes para que as personagens passem por uma certa evolução. Sim, porque um novo uniforme traz quase sempre consigo mudanças psicológicas que se reflectem na estética do mesmo. Mas às tantas chegamos a uma fase em que isto das passagens de modelos cai numa saturação excessiva, quando sabemos que o principal intuito é fazer capas cheias de efeitos coloridos e fantásticos que apresentem um novo fato para que os nerds mais entusiastas cheguem às comic shops e comprem urgentemente um exemplar para si, para daqui a cinquenta anos dizerem que têm um comic raríssimo com o Batman a sair à rua com umas novas calças e uma cueca por cima. Bah, eu também estou aqui a avaliar esta cena, por isso devo cair numa categoria qualquer destas.

22 agosto 2010

10 Coisas Que Tornaram LOST Memorável

  1. A ILHA (um olhar sobre o mundo real) - mas afinal, o que era a tão misteriosa ilha? As recentes analogias mostravam que se tratava de uma rolha que impedia que o mal lá aprisionado se espalhasse pelo resto do mundo, o que levava a reflectir sobre a provável importância global da mesma. Será que o fim da ilha poderia representar o fim do mundo? A enorme quantidade de energia electromagnética lá concentrada poderia muito bem causar um grande impacto à escala mundial. Mas este local cheio de fenómenos ocultos serviu de casa a muitos mais mistérios. Os inúmeros habitantes, quer fossem egípcios ou romanos, que ao longo de várias gerações foram por lá passando deram origem a diversas questões sobre a sua estadia na ilha. No fim acabou tudo por ser um reflexo do mundo real, populado pelas mais diversas civilizações, expondo os seus usos e costumes.

21 agosto 2010

Por Cá Se Visiona... #1

no cinema...
  • TOY STORY 3- bem, este foi último que fui ver a uma sala de cinema. Confesso que sou fã não sou destes bonecos como também de tudo o que a Pixar produz. Cresci a ver os primeiros Toy Storys e não podia viver sem ir ver este (último?) filme da trilogia. Sabem, uma coisa boa desta vertente da Disney é que, apesar de o intuito inicial querer ser claramente atrair o público infantil, fica sempre patente uma componente que atrai a malta jovem e adultos, e resulta! O drama em que a Pixar investe, julgo eu, dificilmente é entendido pelos mais novos o que faz com que o público mais velho se sinta atraído pelas personagens, que são trabalhadas de forma bastante realista. Além disso, tudo funciona como um regresso à infância, onde nos lembramos de certos pormenores que realmente poderiam tonar este o filme da nossa vida. Andy, o dono de Woody, Buzz e companhia está de partida para a universidade e enfrenta assim a árdua tarefa de deixar para trás o seu passado. O conceito é interessante, mas obviamente perde algum fulgor pelo simples facto de, na América, se respeitar demasiado o esquema Nó-Peripécia-Desenlace, mas julgo que o filme transmite bem a mensagem e tem momentos excelentes. Uma trilogia a ver e rever.  NOTA: 9/10

18 agosto 2010

Green Lantern / Green Arrow Vols. 1 e 2 - Verdes Anos

O Lanterna Verde é daquelas personagens que nunca me tinha despertado grande interesse até porque foram raras as vezes que ouvi falar dele quando ainda era um caloiro nesta andanças, se é que já não sou. Como óbvio só se ouvia falar do Batman e do Super-Homem no que tocava à DC Comics, pelo que um grande núcleo de personagens desta editora me era desconhecido. Não sei se era por ser um grande fã da Marvel e lhe dedicar mais tempo, mas sempre tive a sensação de que a DC geria mal as suas personagens no que tocava à divulgação das mesmas ao comum dos mortais, ou seja, aquele que não dedica tempo massivo a ler estas preciosidades que tanto adoramos. O Batman era sobejamente conhecido (este "era" refere-se aos já idos anos 90, altura em que eu começava a minha vida consciente): tinha tido uma passagem algo bem sucedida nas lides cinematográficas e possuía um carisma do outro mundo por ser o super-herói mais próximo do mundo real, não tendo qualquer tipo de poderes, rendendo-se ao engenho insuperável da mente humana. O Super-Homem gozava de um estereótipo que se usa desde tempos bastante antigos, talvez até antecedentes à sua origem: "Olha, este aqui deve pensar que é um Super-Homem", "Ai, és tão forte que pareces os Super-Homem", e assim conhecíamos nós o Super-Homem, o herói mais citado de sempre, provavelmente. Mas o Lanterna...

09 junho 2010

Fresquinhas (não tão frescas) das Américas

BATMAN: ODISSEY, NEAL ADAMS DE REGRESSO A 7 JULHO

À semelhança aqui do sítio, também a lenda Neal Adams está de volta à editora que o tornou famoso. Notabilizado pelo seu trabalho em Green Lantern/ Green Arrow ou em Batman, o desenhador vai precisamente voltar a pisar o solo do Gotham, onde assume um papel de destaque numa mini-série de 12 números da sua exclusiva autoria intitulada Batman: The Odissey. O The Source falou com Neal e este confessou estar completamente concentrado nesta sua obra, que já há alguns anos que está para ver a luz do dia. Confiram um preview com a arte de alta qualidade deste senhor:



08 junho 2010

ÁreaNegativa!, O Regresso

Silver Warrior, por Frank Frazetta
Pois bem, após um longo interregno e chegadas as tão esperadas férias de verão, venho aqui tentar limpar o pó que se acumulou ao longo destes últimos meses (foram tantos que nem sei quantos foram). Confesso que quando ando atarefado com as coisas da escola fico sem inspiração para vir aqui escrever qualquer coisa, visto não ter o devido tempo para pôr em dia as minhas leituras ou para andar informado quanto basta.
Para reiniciar esta jornada, gostava de deixar algumas palavras sobre alguns acontecimentos que se deram aquando da minha ausência: 

FALECIMENTO DE FRANK FRAZETTA - já lá vão alguns dias, mas ainda assim queria deixar aqui o meu apreço pelo legado que este senhor deixou para trás. Tratava-se de um grandioso artista cujo trabalho era irrefutavelmente admirado por todos, mesmo aqueles que não seguiam tanto a sua carreira (como eu). Algo que me marcou nos seus últimos de vida foi o facto de se ver obrigado a trabalhar com a sua mão "cega", visto ter sido afectado por uma série de AVC's. Que descanse em paz.


14 setembro 2009

O Que Ando a Fazer... #6

  • Mais uma encomenda do Book Depository chegou e mais uns livros se juntaram à minha colecção. Desta feita, os escolhidos foram Local, de Brian Wood e Ryan Kelly, e o conhecido Transmetropolitan (Vol. 3 - Year of The Bastard). Infelizmente não consegui comprar um outro comic que já estava na calha, o Asterios Polyp de David Mazzucchelli. Cheguei mesmo a encomendá-lo, mas na hora do envio informaram-me que o mesmo já se encontrava fora de stock e não pude recebe-lo. Ao que parece está a ser muito procurado pelos bedéfilos devido às críticas positivas que tem recebido. Só espero que volte a estar disponível o mais cedo possível. Quanto ao Local, parece estar ali uma excelente obra. Trata-se de uma estória de 12 capítulos, cada um focando um ano da vida de Megan, que viaja por 12 locais diferentes da América ao longo de todos esses anos. Irá merecer um post mais aprofundado no futuro.
  • Entretanto, encontro-me a reler a série Novos X-Men que a Devir editou há uns anos. Actualmente estou no volume 4 de 9 e pode ser que ainda compre o derradeiro capítulo desta série que a editora nunca chegou a lançar, o Here Comes Tomorrow. Até agora, parece que estou a sentir mais as ideias malucas do Morrison do que quando as li pela primeira vez, o que é fantástico. Novos X-Men é de facto uma das melhores estórias dos rapazes X.
  • Por fim, estou a ver se consigo participar no concurso do FIBDA com aquele tema horrível, mas que até dá para fazer umas quantas coisas engraçadas. "O Grande Vigésimo" pode parecer uma grande tanga para todos nós, mas com um pouco de imaginação pode-se chegar a algum lado. Há que encarar a coisa como um desafio e não desistir à primeira. Se não tiverem grande motivação, ao menos pensem no prémio que é bastante aliciante. Quando se souberem os resultados, talvez poste aqui o trabalho que eu e o Eduardo Monteiro estamos a desenvolver.

07 setembro 2009

Strange Tales #1 (de 3)

A Marvel Comics, num acto de pura generosidade, decidiu dar liberdade a uns quantos criadores independentes e lançou uma antologia de pequenos contos em que figuram algumas das personagens mais carismáticas da editora. As estórias não têm qualquer respeito pela identidade dessas personagens, lembrando apenas a origem das mesmas e mantendo apenas algumas características básicas, já que os conceitos são reinventados ao máximo, o que chega a ser divertido. Ao que parece, tudo começou quando Peter Bagge planeou um one-shot com o nome "The Incorrigible Hulk" que talvez marcasse o início de outras colaborações com autores independentes. Mas essa criação apenas serviu como mote para criar esta antologia, acabando por ser cortada em três partes, ou seja, a Marvel lá aproveitou esta onda do alternativo para criar uma mini-série que certamente agradará a muita gente. Uma verdadeira máquina de fazer dinheiro!
Rapazes como Paul Pope ("Batman: Year 100") ou Jason ("I Killed Hitler") fazem parte deste elenco de talentos ora inovadores ora revivalistas, ou até simplesmente esquisitos. Sim, porque muitas das estórias contadas neste número são um verdadeiro hino ao diferente e simplista, muito contra aquilo que se produz frequentemente na Casa das Ideias. Aliás, esta aposta na cena alternativa deixa-me muitas dúvidas quanto aos objectivos actuais da Marvel e fico sem saber de onde é que veio mesmo esta aposta em criadores, na sua maioria, desconhecidos do público. Terá sido Joe Quesada numa tentativa de agradar não só a gregos como a troianos? Ou foi ali um departamento oculto que pensou que estava na hora de alargar horizontes? Ou eu muito me engano ou a Marvel está a querer criar uma nova linha de material exclusivamente dedicada a este nicho do mercado. Descobriram que as grandes produções se fazem independentemente, em selo próprio ou em editoras desconhecidas (descobriram o petróleo, foi o que foi!). Quer isto dizer que, se tudo for para a frente como estou a pensar, poderemos estar a assistir a uma aniquilação do mercado alternativo por parte das majors, ou pelo menos uma tentativa de (espero eu, mal sucedida). Que há espaço para tudo é uma verdade, mas também sabemos que as leis do mercado são bastantes rígidas e se as grandes companhias sabem que estão a perder dinheiro por algum lado ou não estão a ganhá-lo como deviam, das duas uma - ou copiam ideias com potencial de mercados mais limitados ou simplesmente se apoderam delas (vide a compra do Youtube pela Google e outras que tais).
A aposta em si não está totalmente ganha. A coisa em si tem piada, o objectivo por assim dizer está cumprido, mas a execução está longe de ser brilhante. Há coisas que soam mal de tão afastadas que querem ser do comum das produções da editora e acabam por dar buraco. Aliás, o desejo de ser diferente corrompe-se e vira-se contra o criador. Há autores que simplesmente nem se pode dizer que o sejam, de tão primário que é o seu desenho, tal como o conceito por detrás das suas estórias que não impressiona. E aqui ficamos num impasse - será que autores com tanta liberdade, com personagens já criadas ao seu dispor, sem quaisquer limitações criativas não conseguem criar uma estória que seja minimamente decente? É que há ali coisas que nem lembram ao diabo...
Por outro lado também temos coisas consistentes como a simplicidade de Paul Pope ao criar um conto virado para os Inumanos centrado no seu animal de estimação, Lockjaw ("...de todos os Inumanos ele é o mais inumano."). A arte está bastante boa. Nicholas Gurewitch, o mentor de "The Perry Bible Fellowship" também conseguiu criar um efeito sarcástico, mas hilariante numa página que podem ver neste post. Eu pelo menos fartei-me de rir com ela!
Strange Tales #1 prometia mais do que foi. Eu pelo menos acho que podia ter sido melhor conseguida, mas ainda assim não desiludiu por completo. Podem estar a abrir-se portas para uma nova linha na editora que, se for bem pensada, poderá ser bem sucedida.

03 setembro 2009

Tony Stark vai Morrer?

A notícia já tem alguns dias, mas achei estranho não a ver ser muito debatida pelos sites que visito e decidi falar um pouco disto por aqui. O lance é o seguinte: parece que a Marvel está à procura de umas granas para enriquecer às nossas custas e decidiu divulgar na net uma capa que vai fazer os nerds de todo mundo comprar a capa onde Tony Stark aparece, aparentemente, morto! Ora vejam!

A saga terá o nome de Stark: Disassembled (INVINCIBLE IRON MAN #20) com argumento de Matt Fraction e Salvador Larroca, com esta capa de Patrick Zircher e como podem ver, o Thor está metido na sopa! Falta saber se foi ele próprio quem matou o Latas e encetou uma grande conspiração que o afasta de qualquer acusação. Era uma estória digna da Marvel.
A jogada, apesar de ser uma clara cópia de uma cena de Civil War, até tem o seu sentido, pelo menos no que toca às direcções da Marvel. Já que Steve Rogers está pronto para regressar dos mortos, convém ter alguém no limbo e quem melhor que uma figura central da editora? Ainda assim, não tenho grandes esperanças nisto e parece-me que vai sair borrada (isto se ele morrer mesmo, o que não se sabe bem), mas o que é certo é que o Homem de Ferro estava meio desinteressante nestes últimos meses desde que se tornou Director da S.H.I.E.L.D. Aceitam-se apostas!

01 setembro 2009

Quarteto Fantástico vai ter Reboot no Cinema

Ao que parece, as previsões de muitos de nós estavam certas - as adaptações do Quarteto Fantástico para o cinema foram muito pobres e o futuro deste franchise não era lá muito risonho. O argumento lembrava os já esquecidos Power Rangers e acção era muito "plástica" (tal como o próprio Coisa), o que até fazia esquecer pesadelos como as adaptações de "Demolidor" e "Elektra".
A Variety informa que um nosso conhecido irá ser o argumentista deste novo início para o FF. É ele Akiva Goldsman, vencedor de um prémio da Academia pelo script de "Uma Mente brilhante". Confesso que pelo nome não ia lá, mas por este grande filme reconheci-o imediatamente. O problema é que ele não é só responsável por este êxito, mas também por um filme de qualidade duvidosa de nome "Batman and Robin"! Mão há muita mais informação sobre o reboot, mas a FOX já deve estar a planear o futuro desta franquia.
Bem, desde que preservem a Jessica Alba no elenco, por mim podem fazer as alterações que quiserem, desde que não saia um filme tão mauzinho como os anteriores. Aquilo até pode ser divertido em alguns momentos, mas não tem a chama dos seus congéneres como o Aranha ou Batman.

31 agosto 2009

O Rapaz que Coleccionava o Homem-Aranha

Há uns dias atrás fiquei a saber da existência desta estória através da votação do CBR sobre os painéis mais marcantes dos 70 anos da Marvel. Quando vi a vinheta não identifiquei este pequeno conto, pois não o conhecia mesmo, mas depois vi que um site a tinha escolhido como uma das mais emblemáticas para si. Fiquei curioso, mas a vontade de procurar a dita ainda não era muita, só que depois de ler alguns comentários aqui no blog, nomeadamente do Verbal, decidi que era melhor aproveitar o balanço e lá fui eu. Fiz algum pesquisa por sites conhecidos, outros nem tanto e fiquei a saber que "The Kid Who Collects Spider-Man" figurava em alguns tops das 10 melhores estórias do Aranha, da Wizard Magazine nomeadamente. 
Infelizmente tive de recorrer a meios que não se pode dizer que sejam muito legais para ler este clássico, mas ao que sei não há nenhum compilação disponível no mercado que o contenha. Neste caso, pode-se dizer que sou apologista destes meios mais tecnológicos (ainda que ilícitos) para poder conhecer um comic que porventura me poderia agradar e levar a comprar um livro que o contivesse no futuro. E o que é facto é que muitas estórias caíram no limbo do esquecimento o que leva a que a internet seja a única maneira de as conhecer. Já agora, quem estiver interessado em ler isto pode sempre pedir-me.
Roger Stern é quem escreve e revela que o seu objectivo era prestar uma pequena homenagem a Will Eisner, criando uma estória que apelasse à emoção humana que o Mestre tão bem transpunha para o papel. Ron Frenz é quem desenha este conto de 11 páginas que foi originalmente publicado em The Amazing Spider-Man #248, que não pretendia ser nada mais que um filler, já que o evento principal deste número era uma batalha contra o Thunderball, mas os papéis inverteram-se.
A estória centra-se num rapaz de nome Tim Hammond, que foi alvo de uma entrevista por parte do Clarim Diário por ser um acérrimo coleccionador de tudo o que envolvesse o Cabeça de Teia, desde artigos de jornal, revistas, fotos e até um filme perdido que já ninguém se lembrava. Quem leu a entrevista foi o sempre atento Peter Parker e já que a mesma fazia um apelo para que o mesmo visitasse o rapaz,  Peter lá fez questão de se deslocar aos seus aposentos. No início, começamos por relembrar os primeiros momentos da vida do Aranha, desde a origem dos seus poderes até à trágica morte dos seu tio, o que torna este momento tão surpreendente devido à cumplicidade que se cria naquele quarto. Quase toda a vida do Teias é dissecada com um miúdo que ele apenas tinha visto nas notícias, mas que provavelmente já sabia mais coisas sobre ele do que o nosso herói se conseguia lembrar. Até aqui pode-se dizer que nada demais aconteceu, o que é verdade, até que Peter Parker acede ao pedido de Tim e tira a sua máscara, revelando a sua identidade secreta a um miúdo que finalmente se apercebera que todas as fotos que coleccionava eram da autoria do seu herói de infância. Esta revelação de identidade tem a sua explicação, já que na página final somos confrontados com uma informação vital que resulta que nem um murro no estômago - Tim está a morrer de leucemia e tem escassas semanas de vida. E aqui é que surge a arte como parte importante na Banda Desenhada - a página final, com o Homem-Aranha a tirar a sua máscara em cima de um muro com uma placa a informar que o quarto onde estávamos era de um hospital para doentes em fase terminal, é divinal e deixa-nos sem palavras.
O twist não transforma esta estória num clássico eterno dos comics americanos, mas o que é facto é que em apenas onze páginas, com 10 delas a contar algo divertido, calmo e alegre, somos atingidos com algo tão emocionante e tocante na última página que nem dá para descrever. Certamente um conto que só deve ser apreciado na sua totalidade pelos fãs mais atentos do Aranha e que apreciem toda a mística da personagem.
À conta disto tudo, lá descobri aquele tal top das 10 melhores estórias do Spidey e fiquei curioso em descobrir algumas delas para poder dar seguimento a uma corrente de posts sobre estes clássicos soltos. Fiquem ligados!

30 agosto 2009

Sacanas Sem Lei

"You know somethin', Utivich? I think this might just be my masterpiece."
Estas palavras foram imortalizadas pelo Tenente Aldo Raine, mas a mim quer-me parecer que Quentin Tarantino talvez se reveja nesta linha.
Inglourious Basterds, como no original, é um filme difícil descrever. Enquanto somos levados numa trama intensa sobre uma guerra já mais que conhecida por nós, acompanhada por violência e humor nas horas certas, vislumbramos também cenários quentes e tensos à moda de um bom velho western spaghetti que é, aliás, uma descrição próxima daquela que QT faz do seu filme ("...spaghetti western, but with World War II iconography."). O resultado foi estonteante, ponto final, começando logo pelo brilhante primeiro capítulo que soube jogar com a expectativa em torno do filme. Parecia que nunca mais veríamos um fim ao mesmo de tão longo que ele era,  já que Christoph Waltz, na pele do soberbo, mas cínicio nazi Hans Landa, tomou conta da acção sem nunca ter sacado do revólver por ele próprio, usando apenas as suas fluídas palavras numas 3 línguas diferentes. Sensacional! Logo a partir destes minutos iniciais ficámos a saber que estava ali um grande actor, apesar da fama não jogar muito a seu favor. Ao que parece, as séries de televisão eram mais a sua onda e o cinema nunca foi a sua ocupação principal, mas tenho a impressão que a partir de agora convites não faltarão. A sério, o homem é mesmo bom actor.
Sacanas Sem Lei é pura ficção. Ao início não parece, apesar do ar cómico que é mostrado quando, na verdade, se pretende contar uma estória sobre nazis. Apesar do humor evidente, Tarantino consegue lançar elementos cómicos inesperados quando a trama se encontra em pontos intensos. É aí que reside a arte deste realizador. Já em Kill Bill se notavam técnicas deste género que faziam lembrar claramente filmes dos anos dourados (grande inspiração do QT), tal como bandas sonoras claramente influenciadas pelas longas-metragens de cowboys. Os Sacanas são um grupo de americanos judeus que têm tanto prazer em matar um nazi como um nazi tem em exterminar um judeu (podemos dizer que a maior inspiração deste grupo são os nazis, por mais irónico que seja), fazendo inclusivamente uma marca na testa daqueles que tiverem a sorte de sobreviver, à semelhança dos números que eram "gravados" nos braços dos judeus que iam parar aos campos de concentração. Brad Pitt a.k.a. Tenente Aldo Raine, é o seu líder e adora cortar os escalpes dos nazis, não fosse o seu nome de guerra "Aldo The Apache", uma referência ao que os índios faziam aos seus piores inimigos. Destruir o Terceiro Reich é o objectivo principal. À medida que se vão recrutando mais aliados judeus sedentos de sangue, a conspiração vai ganhando corpo. Entretanto, por mero acaso, uma outra conspiração é posta em marcha. Uma antiga vítima d' "O Caçador de Judeus" a.k.a. Hans Landa é a mente por detrás deste plano, que tem um desfecho tremendamente poético, uma das melhores cenas do filme em que, enquanto o seu cinema está em chamas (lembrando, aos mais atentos, o "Cinema Paraíso"), Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) projecta o seu riso bárbaro no fumo do fogo que trás a morte aos alemães que tentam desesperadamente fugir, sem sucesso algum! Fenomenal!
Não queria arriscar muito e dizer que este filme é uma obra-prima, mas que está muito perto disso é verdade. Um bom filme pretende ser uma mescla de emoções, humor, ódio, tragédia, felicidade, drama e outras coisas mais. E o sacana do filme tem isto tudo. Além de que finalmente vejo um filme de nazis em que não sei qual vai ser o fim, já que isto de nos basearmos em factos históricos tem o seu quê de inconveniente cinema. Cuidado que este já se candidatou aos Óscares...

28 agosto 2009

Panini Round-Up @ AGOSTO '09

Os lançamentos deste mês de Agosto são marcados pela estreia de várias séries de sucesso nos E.U.A. Se por um lado temos o começo de Complexo de Messia no título X-Men e de Incredible Herc em Universo Marvel, são de assinalar o regresso da Grant Morrison a Batman e a estreia do famoso arco do Superman e a Legião dos Super-Heróis, de Geoff Johns.
UNIVERSO MARVEL #42

Greg Pak fez uma jogada um tanto ou quanto arriscada - Bruce Banner, após ser derrotado em World War Hulk, deixa de ser o protagonista desta série deixando os holofotes para o semi-deus Hercules. Por esta altura, o Hulk deixava de ter uma série própria (excluindo aquela "obra-prima" que é o Red Hulk). Posso dizer que para primeiro capítulo das aventuras a solo do Herc, a coisa nem está má. O mote é a fuga deste juntamente com o 7º homem mais inteligente do planeta, Amadeus Cho, que após serem capturados pela S.H.I.E.L.D. conseguem escapar-se. Ares, irmão de Hercules e integrantes dos Mighty Avengers, põe-se por sua vez no encalço dos dois. Uma série com potencial que ainda vai dar os seus frutos. Quanto ao Quarteto Fantástico, aquilo até me está a surpreender pela positiva. A estória não é nada do outro mundo, mas parece divertida e sem grandes complicações. Já o Motoqueiro Fantasma... nem me digno a ler tamanha atrocidade. Já tinha tentado na edição passada, mas foi um suplício. A necessitar de um substituto urgente. 
Thunderbolts mantém a boa qualidade sem destoar muito. É uma série sólida, não fosse a cabeça de Warren Ellis a pensá-la, com bons momentos rendidos pelas interessantes personagens que participam.
SUPERMAN #74

Este é provavelmente o melhor lançamento deste mês, pelos menos entre aqueles que eu compro. A revista arranca em grande estilo com o bem-sucedido arco de Superman e a Legião dos Super-Heróis, de Geoff Johns e Gary Frank, que vinha com grade expectativas à sua volta. Eu por acaso já tinha lido um pouco desta estória (se bem que não foi em papel) e estava a gostar bastante, mas depois acabei por perder o fio à meada. O facto de sermos afastado do presente para uma era futura ajuda a que o ambiente fique mais misterioso para o leitor, já que uma nova realidade é completamente criada e pouco se sabe sobre ela. Sem dúvida uma estória a ler!
Por outro lado, temos uma série que eu considero ser no mínimo indecifrável. Ainda não percebi que raio que se está a tentar contar em Supergirl e fico com a ideia que nem o próprio argumentista o sabe. No mês passado, o mesmo nem esforçou em fazer um storyboard decente para o seu desenhador, que já de si não tem nem um desenho nem um storytelling decentes. A evitar esta parte da revista. Já no fim, temos Superman Confidential, uma série dedicada a contar como foram os verdes anos do Azulão. É uma estória divertida q.b. e não vai muito além disso, portanto não esperem que saia dali um clássico.

NOVOS VINGADORES #60

A série New Avengers foi deixada de lado para dar lugar ao Annual da mesma. O resultado - várias páginas que não deram em quase nada. Se o título principal já estava a cair um pouco nas malhas da secura, com este comic veio a confirmação que há algo que não está bem. O Bendis parece que só precisa de 5 coisas em cada cena que escreve: porrada - tiros - piada do Aranha - porrada - piada do Aranha. Metam a S.H.I.E.L.D. à mistura, mais aquela armada de vilões que eu ainda não percebi como é que não venceram os Vingadores e vão ver como vocês próprios já podem escrever um comic desta equipa. Safaram-se os desenhos de Carlos Pagulayan. Felizmente, vem aí um número dedicado à Jessica Jones que é provavelmente a melhor coisa que o careca escreveu nestes últimos tempos. Ainda houve espaço para colocar um inesperado, mas divertidíssimo comic da autoria de Dwayne McDuffie e Avon Oeming. É um encontro fora de cronologia entre os Vingadores clássicos que conta com a participação do Homem de Ferro, Thor, Hulk, Vespa e Homem-Formiga. Sinceramente, não estava à espera que o Dwayne escreve uma cena tão fixe pois nunca tinha lido nada dele que me alegrasse particularmente.
A Miss Marvel continua uma seca. Não percebo como é que ele alguém pode publicar uma coisa tão horrorosa quando há por aí, de certeza, coisas bem melhores para incluir nestes mixes. O que me irrita mais é que o Brian Reed rouba descaradamente os intervenientes do Planet Hulk, ou então são só primos.
A revista acaba com a conclusão do arco A Morte do Sonho, com o Winter Soldier (só para não dizer Soldado Invernal...) a aliar-se finalmente ao Homem de Ferro com o objectivo de substituir Steve Rogers no manto do Capitão América. A estória não foi nada de mais, mas o Brubaker nunca desilude e faz aqui o prólogo para um arco que promete bastante.

BATMAN #74

E assim começa mais um capítulo da mega-saga idealizada por Grant Morrison e companhia. Depois de trazer o filho de Bruce Wayne à baila, Damian, é agora a vez de Ra's Al Ghul regressar do túmulo para dar mais dores de cabeça ao Morcego. Desta feita, todos os comics que estejam directamente relacionados com o Batman, como Robin, Nightwing, Detective Comics e, é claro, a série com o nome do herói, participam na ressurreição do vilão, cada um à sua maneira e com os seus próprios intervenientes. E como é claro, cada um com qualidade distintas. Mas uma coisa tem todos em comum - o desenho de qualquer um é um lixo! Digo já que nunca li uma revista que tivesse 4 desenhadores tão fracos como estes e rezo todos os dias para que o título principal do Cavaleiro das Trevas tenha um desenhador competente e não um traste (que é que o que este desenhador é) tão mau como o Tony S. Daniel. Simplesmente intragável.
Quanto à estória em si, a coisa dá-se enquanto o Morrison escreve, mas a partir do momento em que saltamos para os outros títulos, o negócio começa a piorar, ainda para mais quando um senhor chamado Fabian Nicieza entra em cena. A acção passa a centrar-se no Robin e no Nightwing e ficamos um pouco afastados da trama principal, com uma espécie de filler a ser executado até chegarmos, por fim, aos aposentos do bebedor das Águas Lázaro, onde termina esta primeira etapa.
Este número é divertido pois todo ele foca uma única e mesma estória, o que prende um pouco à atenção. Espero que o próximo seja assim, mas com uma ligeira melhoria a nível de argumento, principalmente nos diálogos que só davam vontade de partir a casa à cabeçada, já para não falar dos desenhos.

X-MEN # 85

Lá em cima tinha dito que Superman era talvez a melhor série deste mês, mas a verdade é que este número dos pupilos de Xavier não lhe fica nada atrás, sendo uma grande surpresa para mim, já que esperava que seria a pior coisa que ia ler este mês. Pelos vistos enganei-me, Complexo de Messias começa em grande estilo e a estória cativa como já se não via há algum tempo numa estória dos X-Men (salvo seja New X-Men e AXM). O responsável não podia ser outro que não Ed Brubaker, esse grande argumentista, só ainda não consegui descortinar quem afinal foram os outros três escritores que participaram neste número já que a Panini se recusou a mencioná-los! Parece que só o Ed é que ficou com os créditos.
Adiante, parece que a procura pela última criança mutante no planeta intensifica-se com três grupos a tentarem encontrá-la - os X-Men, os Purificadores e os Carrascos. A coisa ficou feia quando o segundo grupo chacinou uma população local inteira na busca pela dita cuja, mas a verdade é que a "rede" apanhou tudo menos aquilo que devia. Além disso, achei curioso um pormenor em que o Professor Xavier é cada vez mais deixado de lado e o Scott assume a posição de líder incontestável, com o velho careca a nem poder dizer aquilo que pensa das missões secretas dos seus estudantes. Mas ainda, ele não deixa de meter um dedo onde não deve...
X-Factor também ganha espaço neste mix, sendo um dos melhores capítulos deste evento Mutante. Por outro lado, o título New X-Men não foi grande coisa, mas não decepcionou como outras coisa horríveis que li este mês e foi por isso que gostei deste número 80 dos X-Men. Manteve-se constante e a estória não oscilou muito em termos de qualidade. O próximo mês promete!

27 agosto 2009

Os 10 Painéis mais Icónicos da Marvel de sempre

O CBR pôs em marcha, recentemente, uma votação centrada nos painéis (ou vinhetas, como preferirem) mais icónicos da Casa das Ideias desde que a editora começou a lançar comics. O colunista Brian Cronin iniciou um post onde inclui 70 painéis dos quais os leitores apenas podem escolher 10 e é precisamente isso que vou fazer aqui, escolher aquelas que são para mim as cenas que mais me tocaram, tendo em conta que não li tudo o que está referido no site. Comentem quais são os vossos 10 preferidos ou então façam vocês mesmo um post deste género.
PAINEL #10
O casamento de Reed Richards e Sue Storm. Não podia haver nada mais clássico neste universo do que esta união que ocorreu em Fantatsic Four Annual  #3, num matrimónio que contou com a presença de várias caras conhecidas, mas que passou por momentos muito atribulados. A ler!
Painel #9
A luta dos X-Men contra o Clube do Inferno tornou-se rapidamente num must das leituras dos mutantes. Esta estória nunca a cheguei a ler, mas tive contacto com este painel quando li um volume de Astonishing X-Men (de Joss Whedon e John Cassaday) em que Kitty Pride aparece nesta exacta posição. Mais tarde reparei que era uma referência a esta bela vinheta de um Wolverine furioso em busca de sangue!
PAINEL #8
Outro painel que também foi mostrado por Joss Whedon em Astonishing X-Men. Aqui, Kity Pride já estava tão farta das filosofias de Xavier que entrou pela mansão dos X-Men adentro como uma ira incontrolável.
PAINEL #7
Este é recente, mas ainda assim consegue entrar para a galeria dos mais marcantes. À custa deste deslize da Feiticeira Escarlate, os mutantes foram reduzidos a escassas centenas o que abriu precedentes inimagináveis. Os mutantes passaram a ser ainda mais caçados e a busca por novos seres desta espécie passou a ser o pão nosso de cada dia. O problema é que já não havia muito por onde procurar...
PAINEL #6
Um dos maiores clássicos da Marvel, não fosse o seu nome Marvels e não estivesse nele envolvido o génio artístico de Alex Ross. A estória pode parecer um mero revisitar de acontecimentos históricos da editora, onde Kurt Busiek se foca na visão de um respeitado fotógrafo freelancer, que alcançou a fama a fotografar os tais momento históricos que ocorreram no Universo Marvel, mas é muito mais que isso. A arte de Ross ajuda bastante a que possamos imaginar como seria se tudo isto ocorresse no mundo real e o resultado foi fantástico. Se não leram, deviam!
PAINEL #5
Aqui está a morte que, para mim, foi a melhor executada nos últimos anos da Marvel. Ed Brubaker criou uma storyline fantástica desde que começou a contar o também ele impressionante regresso de Bucky Barnes, o Winter Soldier. Tudo isso culminou no assassinato de Steve Rogers que não soou nem inoportuno nem ridículo, mas sim uma consequência do que o Ed andava a congeminar. Ainda hoje estamos à espera que Steve Rogers regresse dos mortos (com pouca ansiedade, diga-se), o que já está a acontecer numa recente mini-série.
PAINEL #4
Nunca encontrei esta vinheta em nenhuma das minhas leituras, mas já a conhecia há bastante tempo e desde sempre tive um carinho especial por ela devido à grande carga emocional. Acho que não há muito a dizer, a imagem fala por si.
PAINEL #3
Quando Peter Parker decidiu finalmente abandonar o seu uniforme devido aos conflitos que a sua identidade secreta e vida pessoal tinham, ninguém sabia que rumo é que Stan Lee iria dar à personagem. Os confrontos com o Green Goblin e os problemas com o seu amigo Harry Osborne estavam a deixar o Aranha à beira de um colapso, o que levou a esta tentativa (falhada) de abandonar a luta contra o crime.
PAINEL #2
Na votação aparecem estes dois painéis que pertencem exactamente à mesma estória, God Loves Man Kills, de Chris Claremont, provavelmente a melhor já escrita na série X-Men. Acho que tanto um quadro como outro espelham bem aquilo que se pretendia mostrar - um mundo cheio de preconceitos onde nem aqueles que se esforçam para o melhorar são ainda  mais odiados pela sociedade. Li esta obra há cerca de um ano e aquilo que mais me tocou foi um discurso final de uma personagem, da qual já não me lembro, que deu uma verdadeira lição sobre a igualdade na raça humana. Sensacional! Uma leitura também ela não só aconselhada como obrigatória!

PAINEL #1
Pode não ser a melhor estória que já li na Marvel. Pode não ser um supra-sumo dos argumentos nos comics. Mas é sem dúvida um clássico que deu uma identidade mais humana aos comics, que até então pouco jogavam com os sentimentos das personagens, à semelhança de uma novela, já que este Amazing Spider-Man era sem dúvida uma foto-novela. Peter Parker era talvez a personagem mais infeliz que podia haver nos comics, depois da morte do seu Tio Ben, das desavenças com o seu melhor amigo e com inimigos novos que surgiam todos os dias. Quando finalmente encontrou o amor da sua vida, Gwen Stacy, parecia que já nada de mau podia acontecer e os seus problemas já não eram assim tão preocupantes com uma mulher daquelas ao seu seu lado. Mas se há coisa que é certa, é que a felicidade não é eterna e o mesmo se começou a verificar na vida de Peter. Norman Osborn, na pele de Green Goblin, assassinou barbaramente a mítica Gwen Stacy, numa sequência histórica que ainda hoje atormenta a vida do Escalador de Paredes. Não só aquele >Snap< me ficou na memória, como também aquele trágico choro nas páginas finais desta BD. Priceless!

24 agosto 2009

Joker HC

Volvido aquele estrondoso hype que nunca fez bem a ninguém, decidi finalmente ler esta obra que foi muito elogiada pela crítica e acarinhada pelos fãs, mas que infelizmente não me impressionou tanto quanto esperava.
Brian Azzarello esforçou-se ao máximo para tentar fazer história com esta obra. O que aconteceu não foi apenas a transformação de uma publicação qualquer num clássico, após algumas leituras atentas por parte dos fãs. Esta Graphic Novel já vinha apelidada de "uma das maiores estórias do Joker" mesmo antes de ser lançada e a DC fez-nos crer que dali ia sair a coisa mais magnífica da década, que até ameaçava deixar a Piada Mortal na cova. É claro que a partir daqui antevia-se ou uma estória brutal como nunca tínhamos sonhado ou então era flop na certa. Eu divido-me um pouco por essas duas opções. A estória em si pretende ser mais do que aquilo que é e chega a cair nunca clichê que nunca antes tínhamos visto (eu sei que é uma frase um pouco confusa, mas tem algum sentido). Aliás, a trama nem é nada por aí além - o Joker escapa-se misteriosamente da Arkham e a partir daí começa tentar reaver a sua posição em Gotham City, arrasando por completo aqueles que lhe queriam roubar a fama. Para piorar a situação, a estória é narrada por uma personagem que pouco de interessante tem, o que nos afasta dos pensamentos mais loucos do Joker levando-nos uma análise exterior do mesmo que pouco o nada acrescenta ao negócio.
No entanto, há pormenores que são muito bem 'esgalhados' pelo argumentista e a coisa até que ganha ali um certo clima de tensão pois nunca sabemos qual vai ser a próxima asneira que o louco vai cometer. Infelizmente, estas insanidades não são nada de novo e o que vi aqui foi um pouco de reciclagem de boas coisas que já se tinham feito com a personagem, só que agora com um brilho novo e com um ambiente mais refinado e sombrio. Os diálogos são bem escritos, mas soa tudo demasiado perfeito, demasiado forçado e não há ali uma fluidez que por exemplo se nota na obra de Alan Moore e Brian Bolland e é precisamente aí que quero chegar.
Joker aspirava ser melhor que Piada Mortal. Mas apenas se tornou num remake tosco de Verão. Aliás, só no fim é que se tem a confirmação de que há ali claramente uma referência descarada à última cena do clássico do Mestre, quando o Batman aparece por fim para se confrontar com o Joker e tudo acaba com um sonante "Vai sempre haver um Batman e um Joker", ou uma frase com esse efeito que, tal como na Piada, se refere à eterna questão da existência deste dois inimigos quando já se podiam ter matado um ao outro há tempos atrás. Ah, não me posso esquecer do detalhe mais curioso desta obra, é que o Joker que vemos aqui representado não é o clássico dos comics que estamos habituados a ver, mas sim uma também ela semi-cópia do Joker de Heath Ledger. Tributo ou cópia? Eis a questão.
Ainda assim, é de referir o belissímo desenho de Lee Bermejo, do qual eu já era fã há algum tempo. Os contrastes que faz neste livro entre uma arte super-realista e algo mais soft são esplêndidos e não há nenhuma falha que lhe possa apontar.
Para muitos, Joker já merece um lugar entre os clássicos do Cavaleiro das Trevas, mas para mim não há nada de mais por ali - só páginas bonitas com uma escrita intrigante.

Argumento: Brain Azzarello
Desenho: Lee Bermejo
DC Comics
Nota: 6.5/10

22 agosto 2009

Aetheric Mechanics

Foi este o primeiro livro, de somente 48 páginas, que li nestas férias e o que é facto é que não muito se pode dizer dele. Criar um universo e dar-lhe um fim em tão poucas páginas dá pouca margem para desenvolvimentos e nem mesmo Warren Ellis é capaz de fazer uma execução perfeita. A trama desenvolve-se em Março de 1907, ambientada num mundo onde a tecnologia steampunk alcançou avanços colossais. Além disso, vive-se um período de guerra histórico entre a Grã-Bretanha e a Ruritania (país fictício situado na Europa Central). Entretanto, Dr. Robert Watcham regressa ao seu país natal depois de cumprir serviço na guerra, indo ao encontro do detective mais famoso de Londres (e seu grande amigo), Sax Raker. Acontece que uma caso digno dos ficheiros secretos anda aterrorizar a população daquela cidade e é então que Sax é chamado para cumprir o seu dever - um estranho ser invisível anda a matar/ capturar vários engenheiros que se especializam numa matéria muito específica que todos têm em comum, a aetheric mechanics. A partir daqui, inicia-se uma busca por esse sujeito onde até se junta à festa uma velha companheira de Sax, hoje a sua rival número 1.

Confesso que demorei um pouco até perceber se haveria alguma mensagem por detrás destas páginas, mas ainda fiquei mais no escuro. O final é um pouco surpreendente, do género "nada do que aconteceu aqui é real", mas os desenvolvimentos neste livro são tão poucos que fazem com que o final tenha pouco impacto, além de que a afinidade com as personagens é tão pouca que nem sequer sentimos a mágoa das mesmas ao descobrirem a negra verdade sobre as suas vidas. Quero assim dizer que 48 páginas é muito pouco para aquilo que Aetheric Mechanics pretende ser. Warren Ellis criou algo tão complexo que dá pena que seja resolvido em tão poucas páginas, o que não ajuda nada a meu ver
Quanto ao desenho, está mais que aprovado. Gostava de ver este Gianluca Pagliarani em outras produções, talvez numa Vertigo ou algo mais alternativo. Raramente vemos uma desenho tão detalhado como o deste senhor, que até faz lembrar um quê de Geoff Darrow.

Argumento: Warren Ellis
Desenho: Gianluca Pagliarini
Avatar Press
Nota: 6/10

19 agosto 2009

E eis que Straczinscy dá a facada final...

Ahaha, fartei-me de rir com esta notícia. Como todos sabem, o Strac tem abandonado progressivamente alguns dos títulos da Marvel em que estava envolvido, deixando assim a maioria do seu tempo para a DC Comics, participando em séries como The Brave and The Bold. A grande expectativa em torno da aquisição desta editora era se o argumentista seria escolhido para um título de maior craveira e o que é facto é que a profecia se cumpriu de forma um pouco inusitada.
Straczinscy irá encarregar-se de "ressuscitar" uma antiga personagem dos anos de ouro dos comics chamado... The Web! O nome pode soar um pouco estranho para muitos que ainda não tenham ouvido falar dele, mas desde há uns meses que se falava desta série e o que dá mais nas vistas são as óbvias parecenças com um certo amigo da vizinhança... Ora vejam só as primeiras imagens da série. Os desenhos serão Roger Robinson.
Depois de lixarem completamente este grande argumentista na série do Spidey, voltamos a ter a hipótese de ler boas estórias com com um escalador de paredes. Só espero é que o Didio não deite tudo a perder e não venha cá com histórias.

18 agosto 2009

Nova Equipa em Thor

A Marvel anunciou nas solicitações de Novembro o lançamento do novo arco do Thor, já com uma nova equipa criativa. Isto quer dizer que Straczynski e Coipel encontram-se de saída do título o que, aliás, já vinha sendo anunciado há uns meses. 
Este "crime", o de deixar Strac e Coipel abandonarem prematuramente a, talvez, melhor série da Marvel, deve-se à relutância do argumentista em escrever estórias inseridas na cronologia actual da Marvel, ou seja, ignorando alguns recentes eventos da editora como Civil War e Secret Invasion (a lei do registo teve uma pequena referência, ainda assim). O mentor de Babylon 5 sempre se esforçou para que o reboot de Thor fosse o mais bem sucedido possível e para tal era óbvio que alguns detalhes ridículos do Universo Marvel teriam de ser deixados para trás, mas parece que o Quesada não está nem aí. Conclui-se assim que Strac é mais um caso de "maus-tratos" na Casa das Ideias, não só por este atentado, mas também por casos recentes como Homem- Aranha: One More Day e o Esquadrão Supremo.
Ora bem, a nova dupla irá estrear-se em Thor #604 e trata-se de um perfeito desconhecido e de uma recente aposta da Marvel em títulos conhecidos. São eles Kieron Gillen (New Universl: 1959, Dark Reign: Ares e Phonogram) e Billy Tan (New Avengers).
Confesso que esperava nomes mais sonantes, mas substituir uma dupla de sonho não é tarefa de sonho. É pena haver pouca flexibilidade naquela editora, mas se à custa disso são campeões de venda é uma política que só lhes favorece.